Arquivo de dezembro de 2002

Determinação da Incerteza

Publicado em 08 de dezembro de 2002,  por Acauan dos Tupis

Complementando o tema desenvolvido no tópico “Repetitividade e Reprodutibilidade”, também chamado “R & R”, prossigo nos comentários sobre as ferramentas de autocontrole inerentes ao Método Científico, com a “Determinação da Incerteza”.

Toda teoria científica é baseada na experimentação e toda experimentação possui diferentes fatores de incerteza, tais como:

  • Incerteza das medições instrumentais;
  • Incerteza do método;
  • Dispersão dos resultados.

Uma das diferenças entre o Método Científico e outros modelos de teorização é que o primeiro inclui o cálculo da incerteza da experimentação em seus procedimentos e os declara junto com as conclusões obtidas na forma de tolerâncias quantificadas.

A Determinação da Incerteza é um procedimento essencialmente estatístico, baseada no princípio de que toda experimentação é uma manipulação de amostragens e que qualquer amostragem representa um determinado universo estatístico com um índice definido de significância, que jamais atinge 100%.

Assim, mesmo os experimentos científicos que passem pelo teste do “R & R” devem ser aceitos como válidos estritamente dentro da significância da amostragem experimentada.

Como a repetição dos experimentos com diversas amostras tende a gerar resultados próximos mas não idênticos, levanta-se a dispersão destes resultados, ou seja o índice estatístico que determina o quanto em média cada resultado individual distancia-se de uma média geral (para os iniciados, o famoso desvio padrão).

Instrumentos e métodos também são fontes de incerteza. Como dizia um antigo professor meu, o relógio mais exato do mundo é o relógio parado pois duas vezes por dia ele informa a hora absolutamente correta, sem um infinitesimal de erro, coisa que nenhum outro relógio faz.

Assim é com todos os instrumentos e métodos. Todos apresentam um erro, que deve ser determinado como uma das formas de validação dos resultados.
A validação dos resultados instrumentais esta diretamente ligado aos conceitos de precisão e exatidão, sobre os quais pretendo discorrer com mais detalhe em breve.

Todos estes elementos estatisticamente analisados e quantificados determinam a incerteza de um resultado experimental e funcionam como mais uma garantia de isenção e autocontrole do Método Científico.

Repetibilidade e Reprodutibilidade

Publicado em 08 de dezembro de 2002,  por Acauan dos Tupis

Uma das muitas salvaguardas utilizadas pelo Método Científico para evitar que o “erro humano” ou uma eventual tendenciosidade dos pesquisadores contaminem os resultados de uma pesquisa é a exigência da validação destes resultados pela prova da “Repetibilidade e Reprodutibilidade”, conhecido no meio como “R & R”.

Repetibilidade é a confirmação de um resultado a partir da repetição do experimento, pelo mesmo pesquisador ou por outros, mas necessariamente com amostras diferentes das originais, de modo a garantir que os resultados se repetem sempre.

Reprodutibilidade é a repetição do experimento por outros pesquisadores, preferencialmente isentos em relação aos primeiros, utilizando-se não apenas de diferentes amostragens, mas também de diferentes equipamentos.

Sem a validação pelo “R & R”, nenhuma teoria pode ser considerada “científica”. Este método simples e eficaz evita que resultados falseados por erro instrumental, erro humano, erro de método ou mesmo má intenção sigam a frente na teorização de um princípio científico.

Foi assim no célebre episódio da “Fusão Nuclear a Frio”, quando em 1989, os físicos Stanley Pons e Martin Fleischmann anunciaram ter descoberto os segredos desta reação, que resolveria para sempre o problema da obtenção de energia. Os cálculos dos cientistas passaram incólumes pelas repetições feitas pelos mesmos, mas assim que foram publicados, a validação por reprodutibilidade evidenciou os erros grosseiros cometidos pelos pesquisadores originais e, se matou o sonho da energia ilimitada, limpa e barata, evidenciou a todos, principalmente aos leigos em Ciência, o fato de o Método Científico possuir rigorosos meios de autocontrole.

Este é um dentre os muitos pontos que diferenciam Métodos Científicos de doutrinas não-científicas, particularmente daquelas que se valem de um linguajar imitativo no jargão mas que não adotam procedimentos que garantam a prova isenta.