Arquivo de maio de 2003

Acreditar em Nada

Publicado em 05 de maio de 2003,  por Acauan dos Tupis

Seqüência da Série O Ceticismo e os Limites da Dúvida

Uma reação comum a certos proselitistas religiosos, diante de alguma objeção cética à sua pregação é encerrá-la abruptamente acusando seu interlocutor de ser alguém que não acredita em nada, desconsiderando o fato um tanto óbvio de que não acreditar no que outros acreditam é muito diferente de não acreditar em coisa alguma.

É elucidativo sobre o modus pensanti de determinados crentes a facilidade com que extrapolam a convicção esperada e compreensível de que suas crenças sejam as únicas verdadeiras no âmbito em que se aplicam, para a posição megalômana de que suas crenças sejam as únicas possíveis em qualquer âmbito.

O absurdo reside em que é impossível não acreditar em nada.

Acreditar significa dar crédito, aceitar que algo é verdadeiro. “Eu acredito” é sinônimo de “acho que é verdade”. E só.

Quem acredita apenas forma uma opinião a respeito de determinada veracidade, assim, o ato de acreditar é uma interpretação da realidade, sem o que a própria consciência individual não tem como se manifestar.

A idéia de que céticos não são formas de vida consciente soa familiar e aceitável para muitos crentes, para quem as próprias crenças não são interpretações individuais da realidade, mas a realidade mesma. Para estes crentes, a única explicação possível para alguém não acreditar no que eles acreditam é estar perdido em um limbo existencial, de onde eles — os crentes, devem tentar resgatá-lo como parte de sua missão doutrinária.

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O Ceticismo e os Limites da Dúvida

Publicado em 04 de maio de 2003,  por Acauan dos Tupis

O pensamento cético é caracterizado pela aceitação racional da dúvida, sempre que as respostas disponíveis para um dilema não estão fundamentadas por evidências satisfatoriamente consistentes.

A expressão “satisfatoriamente consistente” é necessária à definição para que não caiamos na armadilha que os Céticos da Grécia clássica montaram para si próprios ao entenderem que a prova de uma proposição também tinha de ser provada, criando assim uma sequência ad infinitum da necessidade de provar a prova da prova da prova… terminando por concluir que nenhuma certeza, sobre o que quer que seja, poderia ser possível.

Os Céticos gregos refutavam a idéia de que determinadas verdades são auto-evidentes e portanto não precisavam ser provadas. Tal opção condenou seus adeptos a estabelecerem um ramo estéril da Filosofia, pois sendo esta aplicação do pensamento humano focada na busca da Verdade, considerar tal objetivo como inalcançável é o mesmo que jogar a toalha antes do início da luta.

Hoje em dia, dificilmente encontraremos entre as pessoas autodenominadas Céticas, a mesma postura xiita de apologia da dúvida dos seguidores de Pirro. Orientados pelo paradigma do Método Científico, os céticos modernos em geral aceitam que evidências objetivamente demonstradas e comprovadas por várias e diferentes fontes imparciais são suficientes para dar credibilidade à uma proposição. Credibilidade entretanto não significa , podendo ser derrubada caso novas evidências se sobreponham as antigas.

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