Muito freqüentemente o homem nega ou duvida da existência de Deus e passa a se declarar ateu (afirma que Deus não existe) ou agnóstico (não sabe se Deus existe ou não e passa a viver como se Ele não existisse). E nisto entra uma malícia profunda, um pecado gravíssimo, que estabelece uma ruptura radical entre o homem e Deus. Porque reconhecer a existência de Deus está ao alcance de toda alma reta, como diz o livro da Sabedoria: “Pela grandeza e formosura da criatura se pode visivelmente chegar ao conhecimento do seu Criador” (13, 5).
É claro que, se o homem persistir nesta postura até o momento da morte, não poderá ser salvo, ainda que em sua vida tenha sido, como se costuma dizer, uma “boa pessoa”. Pois alguém que rompeu com Deus no fundo do seu coração é um indivíduo visceralmente ruim. Os aspectos aparentemente bons de sua personalidade apenas encobrem essa malícia de fundo, que contamina todos os seus atos internos e externos.
Cônego José Luiz Villac, Extraído do site Lepanto
Religiosos costumam associar os ateus com o mal.
Talvez nem todos manifestem explicitamente seu ódio contra ateus como o cônego José Luiz Villac na citação acima, mas a idéia de que descrentes sejam visceralmente ruins deve habitar a cabeça de muitos crentes, quem sabe, a maioria.
Não vale a pena discutir a atitude do religioso citado, que, com toda a empáfia dos preconceituosos, arroga conhecer os corações e mentes de todos os ateus do mundo, como se o Espírito Santo em pessoa lhe tivesse mostrado a tal malícia de fundo da qual fala com tanta certeza e autoridade.
O problema é que é comum religiosos assentirem com este pensamento de lógica curiosa, que conclui que um ateu é mau, mesmo quando é uma boa pessoa, designação colocada sempre convenientemente entre aspas, literais ou presumidas.
08 de novembro de 2004,
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