Arquivo de junho de 2005

Capítulo 6 – Doublethink

Publicado em 19 de junho de 2005,  por Acauan dos Tupis

A citação ao doublethink, expressão cunhada por George Orwell em seu romance “1984”, é um tanto desgastada, mas algo obrigatória em um Pequeno Manual cujo objetivo é ajudar o leitor a compreender os crentes, dado o uso comum do termo para se aludir a doutrinas cuja aceitação depende da crença simultânea em idéias opostas entre si.

Como visto nos capítulos anteriores, os crentes administram sua crença doutrinária em meio a um emaranhado de contradições:

  • Rejeitar o mundo e fazer parte dele;
  • Negar o homem natural e saber-se um;
  • Confessar-se pecador e almejar-se santo;
  • Conflitar-se individualmente e ajustar-se coletivamente.

Há, entre os crentes, quem negue a existência destas contradições apelando a algum tipo de dialética teológica, mas a maioria – que não é versada nem em dialética, nem em teologia – nega as contradições simplesmente suprimindo o conflito de pensamentos delas resultante, uma espécie de sublimação do racional pela fé e em proveito dela.

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Capítulo 5 – O fator Borg

Publicado em 05 de junho de 2005,  por Acauan dos Tupis

Os crentes têm uma espécie de consciência coletiva, decorrente de um princípio doutrinário que os proíbe de provocar escândalo em seus irmãos.

Assim, não basta ao crente preocupar-se com sua própria consciência – a certeza íntima de que faz aquilo que considera certo, pois a ele é imposto preocupar-se também com a consciência do grupo – o que a congregação considera certo, sem o que corre o risco de provocar escândalo em seus pares e assim, nos termos da sentença bíblica lavrada em Lucas 17, ser por eles lançado ao mar com uma pedra de moinho atada ao pescoço, mesmo que metaforicamente.

Crentes não podem fazer coisas que escandalizem outros crentes, o que é um problema sério para eles, uma vez que alguns crentes se escandalizam com tudo e com qualquer coisa, restringindo muito o universo comportamental dos irmãos de crença que se encontram ao alcance de seus vigilantes olhos.

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