Um exercício simples que permite aferir a importância dos ritos na formação da identidade de um grupo social é tomar como exemplo as organizações militares. Caso um civil se infiltrasse em um quartel disfarçado como um de seus conscritos seria desmascarado em seus primeiros contatos com militares verdadeiros, mesmo que portasse documentos e uniformes absolutamente autênticos da corporação. Isto porque nenhum civil domina a extensa ritualística oficial e extra-oficial que orienta todas as interações sociais na caserna, com ritos específicos a serem cumprido junto aos pares, superiores e subordinados. Mesmo que nosso civil infiltrado decorasse os regulamentos disciplinares aplicáveis, seria denunciado por desconhecer as regras não escritas – mas tão válidas quanto – que estabelecem as diferenças sutis que há, por exemplo, entre a continência prestada a um sargento e a prestada a um oficial graduado, diferenças estas não definidas em nenhum manual militar, mas prontamente conhecidas e reconhecidas por todos os membros daquela comunidade, desde o último recruta até o general-comandante.
Ritos são mais frequentemente apontados em irmandades iniciáticas, como a Maçonaria, cujas especulações sobre o que fariam com certo bode despertam risos nos maçons e escândalo nos crentes. Mas os ritos estão presentes em todos os estratos de qualquer sociedade, sendo fator primordial para estabelecimento da coesão do grupo.
Fica claro que é necessário entender os ritos de um grupo para entender os mecanismos de interação e coesão de seus membros. Como o objetivo deste Pequeno Manual é entender os crentes, é necessário entender seus ritos. E os crentes são muito ritualísticos, embora muitos não admitam isto.
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18 de julho de 2005,
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