Demolindo o Dogma da Santíssima Trindade

Sempre tive problemas com o conceito e a doutrina da Santíssima Trindade. Mesmo depois 20 anos como “cristão renascido”, eu continuava a não entender a coisa. Outros cristãos afirmavam que entendiam mas que era muito difícil expressar em palavras. Robert Ingersoll fez os seguintes comentários em “Ingersoll’s Works”, vol. 4, p. 266-67:

“Cristo, de acordo com a doutrina, é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, com o Pai sendo a primeira e o Espírito Santo a terceira. Cada uma dessas pessoas é Deus. Cristo é seu próprio pai e seu próprio filho. O Espírito Santo não é nem pai nem filho, mas ambos.

O filho foi gerado pelo pai, mas já existia antes de ser gerado, exatamente o mesmo antes e depois. Cristo é tão velho quanto seu pai e o pai é tão jovem quanto seu filho.

O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, mas já era igual a eles antes de proceder, ou seja, antes de existir, mas
mesmo assim ele tem a mesma idade que os outros dois.

Deste modo, se afirma que o Pai é Deus, que o Filho é Deus e que o Espírito Santo é Deus e que esses três deuses fazem um só deus. De acordo com a tabela de multiplicação celestial, um é três e três vezes um é um, e de acordo com a regra de subtração do céu, se diminuirmos dois de três, sobram três. A regra da adição também é estranha: se somamos dois a um temos apenas um. Cada um é igual a si mesmo e aos outros dois. Nunca houve nem nunca haverá algo mais completamente idiota e absurdo que o dogma da Santíssima Trindade”.

Os cristãos estão diante de um dilema. A Bíblia diz no Antigo Testamento que “Eu, eu sou Javé, e fora de mim não há nenhum Salvador” (Isaías 43:11). “A Salvação vem de Javé” (Salmos 3:9), “Pois eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, teu salvador” (Isaías 43:3). De acordo com o Antigo Testamento, só Deus pode ser o Salvador. Para que Jesus Cristo possa ser o Salvador, ele também tem que ser Deus.

Os defensores da Santíssima Trindade citam:

“Para que sejam um, como nós somos um” — João 17:22

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” — João 1:1

“Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” — João 17:21

“Eu e o Pai somos um” — João 10:30

“Quem me vê, vê o Pai” — João 14:9

“Crede-me: eu estou no Pai e o Pai em mim” — João 14:11

“Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós” — João 17:11

“Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” — Colossenses 2:9

A Bíblia tem muito mais versículos negando a Trindade que a confirmando:

“Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão só Deus” — Lucas 18:19

“Porque meu Pai é maior do que eu” — João 14:28

“Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” — João 7:16

“Meu Pai, se possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” — Mateus 26:39

“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” — Mateus 27:46

“Daquele dia e da hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, somente o Pai” — Marcos 13:32

“Que, tendo subido aos céus, está direita de Deus” — Pedro 3:22

E ainda há outros trechos, mas os que foram citados mostram bem as contradições.

Eis o dilema. Os cristãos sabem que, para Jesus ser o salvador da humanidade, ele tem que ser Deus também. É a Bíblia que diz. Se ele não é Deus, então ele não pode ser o salvador. Sua morte não teria sentido. Portanto, os cristãos inventaram a Santíssima Trindade para explicar a divindade de Cristo. Ele é homem. Ele é Deus. Ele é ambos. Ele tem que ser, para poder ser o salvador. Infelizmente, ele é, no melhor dos casos, indeciso. Às vezes ele diz que ele e Deus são um só. Às vezes ele admite que Deus sabe de coisas que ele ignora e faz coisas que ele não pode fazer. Os cristãos apelam para as coisas mais estranhas para provar o dogma da Santíssima Trindade, inclusive declarar que ele é um “mistério” e que “nós somos muito limitados para entender”. A Bíblia é a palavra perfeita e infalível de Deus? A doutrina da Santíssima Trindade que os cristãos criaram e as contradições em que ela implica gritam que “Não”! Mas então como foi que o dogma veio a existir?

As origens da doutrina da Santíssima Trindade são chocantes. Como no caso da maioria das questões históricas relativas cristandade, houve muita fraude e derramamento de sangue. Muitas vidas foram perdidas antes que o Trinitarianismo fosse enfim adotado.

Como muitos cristãos sabem, a palavra “trindade” não aparece na Bíblia. E não aparece porque é uma doutrina que evoluiu aos poucos no início do cristianismo. Foi um processo manipulado, sangrento e mortal até que finalmente se tornou uma doutrina “aceita” da Igreja.

Constantino – Começa a criação da Trindade

Flavius Valerius Constantius (c. 285-337 AD), Constantino o Grande, era filho do imperador Constâncio I. Quando seu pai morreu em 306 AD, Constantino tornou-se imperador da Bretanha, Gália (atual França) e Espanha. Aos poucos, foi assumindo o controle de todo o Império Romano.

Divergências teológicas relativas a Jesus Cristo começaram a se manifestar no império de Constantino quando dois oponentes principais se destacaram dos outros e discutiram sobre se Cristo era um ser criado (doutrina de Arius) ou não criado, e sim igual e eterno como Deus seu pai (doutrina de Atanásio).

A guerra teológica entre os adeptos de Arius e Atanásio tornou-se acirrada. Constantino percebeu que seu império estava sendo ameaçado por esta divisão doutrinal. Constantino começou a pressionar a Igreja para que as partes chegassem a um acordo antes que a unidade de seu império ficasse ameaçada. Finalmente, o imperador convocou um concílio em Nicéia, em 325 AD, para resolver a disputa.

Apenas 318 bispos compareceram, o que equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do império. Dos 318, apenas uns 10% eram da parte ocidental do império de Constantino, tornando a votação tendenciosa, no mínimo. O imperador manipulou, pressionou e ameaçou o concílio para garantir que votariam no que ele acreditava, não em algum consenso a que os bispos chegassem.

As igrejas cristães hoje em dia dizem que Constantino foi o primeiro imperador cristão, mas seu “cristianismo” tinha motivação apenas politica. É altamente duvidoso que ele realmente aceitasse a doutrina cristã. Ele mandou matar um de seus filhos, além de um sobrinho, seu cunhado e possivelmente uma de suas esposas. Ele manteve seu título de alto sacerdote de uma religião pagã até o fim da vida e só foi batizado em seu leito de morte.

Os Dois primeiros Terços da Trindade – O Concílio de Nicéia

A maioria dos bispos, pressionada por Constantino, votou a favor da doutrina de Atanásio. Foi adotado um credo que favorecia a teologia de Atanásio. Arius foi condenado e exilado. Vários bispos foram embora antes da votação para evitar a controvérsia. Jesus Cristo foi aprovado como sendo “uma única substância” com Deus Pai. É significativo que até hoje as igrejas ortodoxas do leste e do oeste discordem entre si quanto a esta doutrina, ainda consequência de as igrejas do oeste não terem tido nenhuma influência na “votação”.

Dois dos bispos que votaram a favor de Arius também foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos. Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito pena de morte.

O credo de Nicéia declara:

“Creio em Um só Deus, Pai Onipotente, Criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis.

E em Um só Senhor, Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todas as coisas.

Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por quem todas as coisas foram feitas…”

Mesmo com a adoção do Credo de Nicéia, os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio.

Arius e os bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi banido. Quando Constantino morreu (depois de ser batizado por um bispo arianista), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e condenou o grupo de Atanásio.

Nos anos seguintes, a disputa política continuou, até que os arianistas abusaram de seu poder e foram derrubados. A controvérsia político/religiosa causou violência e morte generalizadas. Em 381 AD, o imperador Teodósio (um trinitarista) convocou um concílio em Constantinopla. Apenas os bispos trinitaristas foram convidados a participar. 150 bispos compareceram e votaram uma alteração no Credo de Nicéia para incluir o Espírito Santo como parte da divindade. A doutrina da Trindade era agora oficial para a Igreja e também para o Estado.

Os bispos dissidentes foram expulsos da Igreja e excomungados.

O Credo de Atanásio completa a Divindade Trina

O Credo (trinitário) de Atanásio foi finalmente estabelecido (provavelmente) no século V. Não foi escrito por Atanásio mas recebeu seu nome. Este é um trecho:

“Adoramos um só Deus em Trindade… O Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus; e contudo eles não são três deuses, mas um só Deus”

Por volta do século IX, o credo já estava estabelecido na Espanha, França e Alemanha. Tinha levado séculos desde o tempo de Cristo para que a doutrina da Trindade “pegasse”. A política do governo e da Igreja foram as razões que levaram a Trindade a existir e se tornar a doutrina oficial da Igreja.

Como vocês viram, a doutrina trinitária resultou da mistura de fraude, política, um imperador pagão e facções em guerra que causaram mortes e derramamento de sangue.

A Trindade Cristã – Mais uma no Desfile de Trindades

Por que surgiu esse clamor para elevar Jesus e o Espírito Santo a posições iguais do deus judeu/cristão? Simplesmente porque o mundo pagão estava habituado a ter “três deuses” ou “trindades” como divindades. A trindade satisfazia maioria de cristãos que tinha vindo de culturas pagãs. O cristianismo não se livrou das trindades pagãs, ele as adotou assim como adotou tantas outras tradições pagãs.

Outras Trindades

O hinduísmo abraçou a divindade trina de Brahma, deus da criação; Vishnu, deus da manutenção, e Shiva, deus da destruição. Uma das muitas trindades do Egito era Hórus, Ísis e Osíris.

Os fundadores da primitiva igreja cristã não tinham idéia de que o conceito de Trindade iria surgir, ser votado por políticos, imposto por imperadores e um dia se tornaria parte integral do cristianismo moderno. Não é nenhuma surpresa que tal conceito seja “difícil” de explicar.

Há um deus cristão ou três em um? A maioria das igrejas cristãs apóia a doutrina da Trindade mas ainda há algumas que rejeitam o ensinamento. Hoje em dia, temos a liberdade de acreditar em uma possibibilidade ou outra, mas corremos o risco de sermos ridicularizados se negarmos a crença na Trindade.

Como num supermercado, você escolhe a sua religião.

Autor: Mike McClellan
Tradução: Fernando Silva
Fonte: Anzwers.org

31 Respostas para “Demolindo o Dogma da Santíssima Trindade”

  1. Realmente é uma sacola de gatos a Fé Cristã, juntaram um Imperador corrupto e sanguinário para ser o primeiro chefete Imperial Cristão, após isso ele mesmo contruiu uma trilogia sinistra que atormenta a população do Ocidente a 1650 anos, bispos corrompidos que não tinham saida a não ser concordancia ou a morte bem típico de Roma, como se diz o Imperio Romano nunca caiu aprenas travestiu-se em uma Religião hipócrita e assassina que ao longo dos séculos dizimou milhoes em nome da Fé e dos interesses Romanos

  2. Eh Fernando, a título de colaboração, espero estar certo!,
    o artigo é ótimo, impecável mesmo!, mais um aditivo, afinal a perspicácia dos manipuladores religiosos é simplesmente estupenda, veja bem, tudo começou
    com os capítulos e versículos do antigo testamento, senão vejamos: "capítulo l, versículo 26, Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme
    a nossa semelhança: … ".
    Tornou-se necessário que se fizesse a adequação, para que não houvesse discrepância entre os dois testamentos, além do relatado acima, que culminou no concilho de constantinopla, não só com a expulsão e excomungação, mas com o
    assassinato em massa dos dissidentes. Esse é sem dúvida alguma o começo dessa famigerada doutrina de justiça e de amor.

  3. RIDÍCULO ESTE SITE….

  4. Igor R

    RIDÍCULO ESTE SITE….

    Você tem algum argumento melhor do que este?
    Algum argumento que pessoas racionais possam entender?

  5. Oh meu Deus qt gente hipócrita, que nao acredita em Ti.

    Mas como o Senhor nao obriga ninguem a servi-lo, deixem eles pra lá né?

    abraços

  6. Nilian Maely

    Oh meu Deus qt gente hipócrita, que nao acredita em Ti.

    Hipócrita ou sincera?
    E por que você não acredita em Alá ou Krishna? Você é hipócrita, também?

    Mas como o Senhor nao obriga ninguem a servi-lo, deixem eles pra lá né? abraços

    Tchau.

  7. sabe porque eu nao acredito neste deuses? porque eles nunca existiram a Biblia nao cita a existencia deles, e muito menos a historia.

  8. Nilian Maely

    sabe porque eu nao acredito neste deuses? porque eles nunca existiram a Biblia nao cita a existencia deles, e muito menos a historia.

    Quer dizer que a Bíblia é o único livro que interessa? Se não está na Bíblia então não existe?
    A Bíblia é só um livro. Há milhões de outros. E a história não fala de Jesus, fala dos cristãos.
    A vida de Jesus só é considerada verdadeira na Bíblia, não nos livros de história.
    Os outros deuses e suas vidas e milagres são contados em outros livros e também na Bíblia.
    Leia sobre Moisés e sua disputa com os sacerdotes egípcios.

  9. Nilian,
    Obrigado por aumentar a minha coleção de besteiras crentes.
    Ela está crescendo rápido desde que você começou a postar aqui.

  10. Salve, Fernando. Como vai vc? Tudo em paz?

    Queria saber da Nilian Maley se o deus dela é o deus Toshiba. Aquele que é melhor que os deuses dos outros. É?
    Só o fantasmão dela é que existe? Os outros não? Povinho idiota. Enganados até hoje. Era só consultar o oráculo Nilian, que eles seriam dirigidos pro verdadeiro deus! O dela, claro.

    Abraço, Fernando. E continue na missão de abrir a cabeça desses agerinados acéfalos, apesar de que a única coisa que vc deve encontrar lá dentro não sirva nem como esterco. Coisa que eu acho impossível, mas…. Milagres acontecem, afinal, "nosso deus" é poderoso!! Né, não?

  11. Maurício,

    Abraço, Fernando. E continue na missão de abrir a cabeça desses agerinados acéfalos, apesar de que a única coisa que vc deve encontrar lá dentro não sirva nem como esterco. Coisa que eu acho impossível, mas…. Milagres acontecem, afinal, "nosso deus" é poderoso!! Né, não?

    Ser crente não é um sinal de burrice. A maioria de nós vem de famílias religiosas e só se desconverte depois de uma certa idade.

    O que eu acho ridículo são os fundamentalistas, que se acham no direito de impor suas crendices aos outros, e os crentes que, depois de ter contacto com argumentos ateus, fingem que não viram nada e continuam repetindo as mesmas besteiras.

    Ninguém é obrigado a mudar, a abandonar a fé se esta lhe ajuda a viver, mas deveriam ter a inteligência de admitir que a fé é tudo o que têm, que não podem provar nada, que a Bíblia é um livro confuso e contraditório.

    Deveriam parar de citar a Bíblia como se fossem palavras mágicas e como se os ateus a levassem a sério. Deveriam parar de citar suas "maravilhosas experiências pessoais com Deus" como se pudessem transmitir alguma coisa aos outros ou provar o que dizem.

    Deveriam parar de atacar os ateus e os seguidores das outras religiões como se eles estivessem fazendo alguma coisa errada de propósito e como se os crentes pudessem provar que é errado, quando, na verdade, nem conseguem provar que o deus deles existe.

    Eles têm que entender que o deus deles é só mais um deus, que o cristianismo é apenas mais uma religião, que o modo deles de ver as coisas é só mais um entre tantos. Devem parar de se considerar os donos da verdade, os eleitos que sabem o que é certo ou errado, o centro do mundo.

  12. mas que tanta besteira
    inves de ficar inventndo tnto
    hipocricia
    vai estudar um pouco

  13. Fabio
    Você tem toda razão o estudo é fundamental em nossas vidas, pois, nos tira das trevas da ignorância, e, nos enseja vislumbrar o quanto nos é maléfico as supertições em que vivemos sem ele. A coisa que mais sinto é não ter pensado nisto uns trinta anos atrás, hoje certamente o meu universo seria bem mais amplo.
    Abraços

  14. Weiner Assis Gonçalves

    Fabio
    Você tem toda razão o estudo é fundamental em nossas vidas, pois, nos tira das trevas da ignorância, e, nos enseja vislumbrar o quanto nos é maléfico as supertições em que vivemos sem ele. A coisa que mais sinto é não ter pensado nisto uns trinta anos atrás, hoje certamente o meu universo seria bem mais amplo. Abraços

    Você ainda não morreu. E se viver até os 101? Dá tempo para muita coisa, se a saúde permitir.

  15. Amigo Fernando Silva
    Obrigado pelo incentivo, mas, conscientemente não quero chegar lá, só se o instinto de conservação da espécie me obrigar.
    Um forte abraço com admiração.

  16. Boa noite a todos!

    Peço licença para inserir meu comentário também. Gostaria de falar-lhes umas poucas palavras, na condição de ex-ateu dos 12 aos 30 anos. Esclareço que minha intenção:

    NÃO é de converter ou convencer ninguém;

    NÃO é dizer que vocês estão errados.

    Pelo contrário, vou dizer que vocês estão CERTOS em relação a vários aspectos. Questionar, estudar e debater só traz vantagens. Traz luz a nosso entendimento.

    Quando vocês questionam a Santíssima Trindade e consideram-na uma contradição, uma idéia difícil de ser aceita, não é à toa. Tem alguma razão. Pode ser porque a idéia é extramamente difícil de se entender. Ou pode ser que ela seja falsa mesmo, opinião que compartilho com vocês.

    Neste portal há outras contradições apontadas, e com razão. Acho que evemos pesquisar o porquê dessas contradições e usar a inteligência, o bom senso e todas as formas apropriadas de interpretação de texto (histórica, sistemática e teleológica, p. ex.).

    Vocês acreditariam se eu dissesse que as contradições que vocês apontam são também apontadas por uma religião cristã? Caso não conheçam, trata-se do espiritismo (kardecista), para o qual não existem: a SANTÍSSIMA TRINDADE, os MILAGRES, o CÉU, o PURGATÓRIO e o INFERNO.

    Se alguém se interessa seriamente pelas questões relativas à religião e ao ateísmo deve considerar a hipótese de ler o Livro dos Espíritos.

    Se o espiritismo baseia-se na existência de Deus, é lógico que tudo o que ele pregar não fará sentido a um ateu. Será? Convido-os a uma leitura séria, ignorando, por hora, a questão da existência ou não de Deus. Após a leitura de todo o livro, perguntem a si mesmo: tem lógica toda essa teoria?

    Se acharem que existe uma lógica razoável, poderão avançar mais um pouco com os livros O Céu e o Inferno, e A Gênese. Esses 3 livros citados foram organizados por Allan Kardec. Acho que os outros 2 livros que ele organizou, O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo não ajudarão, pois aquele trata dos fenômenos mediúnicos e o este é composto de trechos do Novo Testamento comentados à luz dos ensinamentos espíritas.

    Abraços!

  17. Syllas
    Nos livros de Kardec, chamados Codificação Espírita, já os lí, contudo, nos mesmos não existem uma explicação racional no que tange o sofrimento nas diversas esferas, senão vejamos: 1° - do reino mineral para o reino vegetal, o mineral cede suas moléculas para o vegetal, com isso acarreta perdas para ele; 2° - do vegetal para o animal, os parametros são os mesmo, contudo, os vegetais têm uma sensibilidade superior; 3° - do animal para o animal, essa absoção é feita, em quase sua totalidade, com horrores inimagináveis, a vida sendo consumida em vida, tanto no micro, quanto no macro, aqui trato tão somento de irracionais para irracionais, pois nós racionais, agimos da mesma maneira, ora consumimos vegetais, ora animais.
    Se bem me lembro, a justificativa, tanto no reino mineral, vegetal e animal irracional, o sofrimento faz parte de seu ciclo evolutivo, pergunto, você faria seu animal de estimação sofrer para evoluir? Quanto nós os animais racionais a explicação é que nos sofremos resgatando débitos passados, lei da causa e efeito, ação e reação, digamos que isto seja realidade, cada um colhe o que plantou, muito bem, digamos hipoteticamente que Adão e Eva existiram e que tiveram Caim e Abel, pelo relato bíblico Abel não matou ninguém, qual a razão dele ter sido morto por Caim? Veja bem, como um ser perfeito, como deveria ser deus, criar tantas imperfeições e sofrimentos, se bastava (veja a prece Caritas) um simples pensamento dele e nada de ruim existiria, alias, nunca teria existido, pois ele é unisciênte. Além do mais, não acreditamos na existência de cristo, apenas um mito como os demais mitos de culturas diferentes. A grande problemática religiosa é a ausência de uma história que não deixasse dúvidas, a falta de evidência, os tropêços nas tentativas de justificar o injustificável.
    Tornei-me descrente pelo fato de não sentir-me a vontade com a religiosidade, cada uma puxando sardinha para a sua própria lata e denegrindo as demais, inclusive taxando-as de pertecentes (dos espíritas então nem se fala) ao demônio.
    No aguardo de maiores e melhores esclarecimentos, receba meus sinceros votos de estima.

  18. Syllas,
    Já estou cansado de debater com espíritas. Eles são mais tolerantes que os crentes, é verdade, e não saem destruindo os templos dos outros, mas não gosto da atitude espírita de dizer que, se uma criança inocente está sofrendo, é porque mereceu devido a algo que fez em uma vida passada.

    Os espíritas dizem que os espíritos foram criados ignorantes e sem pecado, mas que, com o tempo, foram tomando decisões e cometendo erros e agora têm que pagar por eles.

    Daí eu argumento que alguém inocente não pode ser acusado de cometer um erro porque não sabia que era um erro. Se persistir em cometer erros, tudo bem, mas não da primeira vez.

    Daí os espíritos apelam para o livre arbítrio (embora admitam que às vezes Deus interfere nas suas escolhas) ou dizem que, para evoluir, é preciso ter mérito - e é preciso sofrer para ter mérito - ou que, sem passar por várias vidas e muito sofrimento, o espírito não aprende nem evolui.

    E eu pergunto: se eu não pedi para nascer nem para passar por milhares ou milhões de reencarnações e muito sofrimento, onde está meu livre arbítrio?
    Por que Deus já não nos criou perfeitos e evoluídos? Por que nos fazer sofrer tanto para só então nos recompensar?

    Daí eles dizem: o espiritismo é a melhor explicação para a aparente injustiça do universo e todo o sofrimento que vemos. E daí? Pode ser uma explicação, mas quem garante que é a verdadeira?

  19. Syllas,

    Se acharem que existe uma lógica razoável, poderão avançar mais um pouco com os livros O Céu e o Inferno, e A Gênese. Esses 3 livros citados foram organizados por Allan Kardec. Acho que os outros 2 livros que ele organizou, O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo não ajudarão, pois aquele trata dos fenômenos mediúnicos e o este é composto de trechos do Novo Testamento comentados à luz dos ensinamentos espíritas.

    Não achamos que tem lógica. E eu poderia lembrar o racismo de Kardec, que diz que os espíritos mais evoluídos se encarnam nos europeus, uma raça mais bonita e mais inteligente, e os menos evoluídos, nos africanos que, segundo ele, são inferiores mental e fisicamente.

    Daí alguns espíritas dizem que “é assim mesmo e pronto, aceite; um dia as raças inferiores evoluirão, portanto não há injustiça” e outros dizem que Kardec se enganou ou que os espíritos que falaram com ele se enganaram, mas eu pergunto: Kardec não era (ou recebia) o “Espírito da Verdade”? Como ele poderia se enganar? Se os espíritos se enganaram antes, não estariam enganados agora também?

  20. Prezado Weiner, boa noite!

    Inicialmente, gostaria de agradecer a atenção, a cordialidade e o interesse.

    Caro amigo Weiner, não me lembro de os livros organizados por Kardec abordarem a questão da qual você falou, relativamente aos minerais, vegetais e animais irracionais. Lembro-me de ter lido o interessantíssimo assunto num dos livros de André Luiz, mas não me lembro da necessidade do “sofrimento” no processo evolutivo dos demais reinos. A questão da evolução nos outros reinos não é algo tranqüilo de se entender ou de se aceitar totalmente, em minha modestíssima opinião de estudante. Tenho problemas de entendimento, principalmente, quanto à parte que se refere aos minerais. A literatura espírita preocupa-se, quase que exclusivamente, com o homem. Ensina o porquê do sofrimento das pessoas, mas não conheço nenhuma obra — talvez exista — que explique o dos animais.

    Quanto à história da criação bíblica, juntamente com várias outras passagens do Velho Testamento, são de veracidade questionável, motivo pelos quais nos concentramos no Novo Testamento. Moisés viveu aproximadamente em 1250 a.C. O VT foi escrito para um povo semibárbaro, com uma linguagem apropriada a sua pouca evolução. Para ilustrar, veja se fazem sentido os versículos 16 e 17 do capítulo 4 de Gênesis: Caim conhece sua mulher. Mas de onde veio essa mulher?

    Por outro lado, sabemos que o “Homo sapiens” teve um começo, com uma ou mais matrizes. Como se explica o sofrimento desses indivíduos recém-chegados à Terra? Há hoje uma população invisível maior que o número de pessoas encarnadas. Naquela época, os espíritos dos homens os precederam na chegada à Terra, vindos de outros mundos onde viveram e contraíram débitos.

    Por que Deus não nos criou sem imperfeições ou sofrimentos? A resposta óbvia é simples, mas não satisfaz: porque não o quis. Insistindo na questão, poderíamos perguntar: mas por que Ele quis que fosse como é? Entendo que ele nos fez imperfeitos e sujeitos ao esforço, ao trabalho e ao estudo para podermos evoluir e sentir o prazer da vitória em cada conquista; para que, ao chegarmos ao nível máximo de perfeição (quando não sofreremos mais), saibamos dar valor à vida que tivemos e a todas as vicissitudes pelas quais passamos e vencemos. Acredito que o sofrimento seja necessário para que saibamos o preço de nos desviar das leis divinas (não matar, não roubar etc.) e possamos corrigir nossa conduta. Imagine se você fosse criado perfeito, sem ter nada para fazer. Seria um tédio mortal, se o espírito morresse; seria pior então, pois seria um tédio eterno! Para evitar essa situação absurda, quando chegarmos à perfeição máxima, receberemos máximos poderes de comandar um exército de subordinados, para cuidarmos da vida dos seres em evolução que nos serão confiados. Teremos prazer em cuidar deles.

    Quanto à ausência de registros históricos a respeito de Jesus, acredito que seja devido ao elitismo que sempre norteou e ainda norteia a História e os historiadores. Você já teve curiosidade de saber como viviam as pessoas comuns no passado, como faziam a higiene, como namoravam? Eu já, mas os historiadores só se preocupavam com a vida dos nobres e daqueles em posição de comando, mesmo que fossem as mais sórdidas pessoas. Acredito que Jesus tenha sido ignorado pela História porque era um zé-ninguém, sem título, posição ou riqueza. Acredito que mesmo os historiadores da época que souberam de sua popularidade e importância podem tê-lo ignorado por puro preconceito. Ou preconceito social ou preconceito religioso, por pertencerem a outras religiões, conflitantes com o cristianismo nascente. Um bom exemplo são os judeus, que desde aquela época até hoje não acreditam que Jesus é o Messias prometido das Escrituras, e aguardam sua vinda.

    Tornei-me descrente pelo fato de não sentir-me a vontade com a religiosidade, cada uma puxando sardinha para a sua própria lata e denegrindo as demais, inclusive taxando-as de pertecentes (dos espíritas então nem se fala) ao demônio.

    Caro Weiner, infelizmente vivemos o mesmo fenômeno em todas as agremiações da vida social: nossa religião é melhor que a dos outros, os outros partidos políticos são todos de corruptos, o time do vizinho só tem pessoas insuportáveis etc. Acho que devemos procurar os melhores grupos, aqueles com os quais nos afinamos e ajudar a melhorá-los, pois sempre terão algo a ser corrigido. O espiritismo respondeu de forma satisfatória várias questões que eu tinha e que me incomodavam as respostas que eu recebia, quando as recebia. Não responde a todas as minhas dúvidas, mas reconheço também que não posso nem tenho capacidade de querer saber tudo. Nenhuma religião te satisfaz após ter se informado a respeito delas? Fique sem religião, mas tomo a liberdade de sugerir que você cultive as virtudes e os valores nobres da vida, pois não há algo dentro de nós dizendo que devemos ser corretos?

    Abraços fraternos!

  21. x

  22. Syllas,

    Quanto à ausência de registros históricos a respeito de Jesus, acredito que seja devido ao elitismo que sempre norteou e ainda norteia a História e os historiadores. Você já teve curiosidade de saber como viviam as pessoas comuns no passado, como faziam a higiene, como namoravam? Eu já, mas os historiadores só se preocupavam com a vida dos nobres e daqueles em posição de comando, mesmo que fossem as mais sórdidas pessoas. Acredito que Jesus tenha sido ignorado pela História porque era um zé-ninguém, sem título, posição ou riqueza.

    Flávio Josefo, historiador que nasceu algum tempo depois de Cristo, escreveu uma obra enorme onde dedicou páginas e mais páginas a ladrões de galinha e capítulos inteiros a reis.
    Há um trecho sobre Jesus nas cópias feitas por cristãos (não temos mais os originais). O trecho fala rapidamente sobre Jesus e muda de assunto, embora diga que ele tinha sido um grande sujeito.
    Esse trecho parece ser uma fraude, mas o que eu quero mostrar é que um historiador como Flávio Josefo não falava só dos poderosos.
    Se Jesus tivesse existido, teria merecido muitas páginas nos livros dele.

    Além disto, segundo a Bíblia Jesus tinha uma casa, sabia ler e escrever e frequentava a alta sociedade. Ia a casamentos de gente rica, tinha amigos ricos, não via nada de mais em se lavar os pés com óleos caros etc.

    Mais aqui:
    http://ateusdobrasil.com.br/artigos/contradicoes/jesus_incomodo_silencio_historia.php

  23. Prezado Fernando,

    Agradeço, inicialmente, a atenção recebida.

    Confesso que fiquei surpreso com seu conhecimento de termos e assuntos
    espíritas. Mas seus questionamentos revelam dúvidas, revelam que quem
    te falou deles ou o texto que você leu não os explicou em profundidade.
    Se me permite, tentarei esclarecer alguns pontos. O melhor seria, sem
    dúvida, que você se dispusesse a ler com atenção o LIVRO DOS ESPÍRITOS.
    Até mesmo para refutar com mais firmeza os pontos com os quais não
    concorda.

    (…) mas não gosto da atitude espírita de dizer que, se
    uma criança inocente está sofrendo, é porque mereceu devido a algo que
    fez em uma vida passada.

    Bem, imagino que sua insatisfação diga respeito ao fato de uma criança
    não ter lembrança ou consciência de atos errados que fez em vidas
    passadas. Realmente é um mecanismo que parece injusto à primeira vista.
    Mas — dizem os espíritos evoluídos — esse mecanismo funciona, pois as
    pessoas guardam tudo no perispírito, que abriga o subconsciente. Assim,
    as pessoas não sabem por que sofrem, no estado normal de vigília, mas
    seus espíritos registram a punição e a relacionam aos atos errados do
    passado, em um nível mais profundo de percepção.

    Os espíritas dizem que os espíritos foram criados
    ignorantes e sem pecado, mas que, com o tempo, foram tomando decisões e
    cometendo erros e agora têm que pagar por eles.
    Daí eu argumento que alguém inocente não pode ser acusado de cometer um
    erro porque não sabia que era um erro. Se persistir em cometer erros,
    tudo bem, mas não da primeira vez.

    Permita-me outro aparte. Um inocente sabe sim que comete seu primeiro
    erro, pois temos um código moral que nos diz o que é certo e o que é
    errado em nossa consciência.

    Daí os espíritos apelam para o livre arbítrio (embora
    admitam que às vezes Deus interfere nas suas escolhas) ou dizem que,
    para evoluir, é preciso ter mérito - e é preciso sofrer para ter mérito
    - ou que, sem passar por várias vidas e muito sofrimento, o espírito
    não aprende nem evolui.

    Acreditamos no livre-arbítrio limitado, sujeito a leis inderrogáveis.
    Assim, ele não significa total liberdade; significa margem para tomar
    decisões, dentro de certos limites. Uma das leis a que estamos
    subordinados é a lei do progresso. Por mais que queiramos não evoluir,
    evoluiremos; se quisermos regredir, não será possível; se quisermos
    ficar estacionados, não agüentaremos resistir muito tempo — aí sim,
    sofreremos — contra as condições que nos impelem ao avanço.

    E eu pergunto: se eu não pedi para nascer nem para passar
    por milhares ou milhões de reencarnações e muito sofrimento, onde está
    meu livre arbítrio?

    Segundo nos ensinam os mentores espirituais, não apenas pedimos, mas às
    vezes IMPLORAMOS para nascer de novo e — acredite — para sofrer, pois
    sabemos, quando desencarnados, que o sofrimento e o amor são as duas
    formas de quitarmos nossos débitos, sem o qual não evoluiremos para
    chegar na felicidade plena final.

    Por que Deus já não nos criou perfeitos e evoluídos? Por
    que nos fazer sofrer tanto para só então nos recompensar?

    Veja, por favor, minha opinião a respeito na resposta ao companheiro
    Weiner.

    Daí eles dizem: o espiritismo é a melhor explicação para a
    aparente injustiça do universo e todo o sofrimento que vemos. E daí?
    Pode ser uma explicação, mas quem garante que é a verdadeira?

    Agora você está ABSOLUTAMENTE CERTO! Quem garante que a explicação é
    verdadeira? Neste ponto, cada um tem suas próprias razões para
    acreditar ou não acreditar. Saberemos após morrermos. Se não acordamos,
    é porque você está certo; se acordarmos, o espiritismo está certo.
    Concorda?

    Peço licença para narrar brevemente o que
    aconteceu comigo: mesmo durante meus 18 anos de descrença em Deus,
    nunca ficou resolvida a questão da existência dos espíritos. Eu não
    sabia se acreditava, mas admitia a possibilidade de eles existirem.
    Passei a acreditar neles quando aconteceram fenômenos mediúnicos dentro
    de minha própria casa, com pessoa de minha família, que eu tinha
    certeza de que não fazia simulação.

    O próximo passo foi ler o LIVRO DOS ESPÍRITOS nos dias em que eu
    pedalava na bicicleta ergométrica da academia, pois não suportei ler as
    revistas de fofocas nem a TV a cabo. Ele abriu meus horizontes e passou
    a responder a diversas dúvidas e questionamentos que eu sempre tivera.

    Por fim, veio a crença em Deus, pelo fato de já acreditar nos
    ensinamentos dos espíritos evoluídos — chamados coletivamente de
    ESPÍRITO DA VERDADE — e por achar coerentes e lógicos os
    argumentos 
    expostos.

    Imagino que você, assim como eu antes, acredita que toda a complexidade
    que rege o cosmos, toda a sua harmonia e suas leis são espontâneas,
    isto é, não foram criadas por ninguém, ou, em outras palavras, vieram
    do “nada”. Ora, isso é o mesmo que atribuir ao “nada” o poder mágico de
    criar tudo o que existe. Assim, como conclusão inevitável, o “nada” é o
    verdadeiro criador de todas as coisas, o que contraria a hipótese de
    que nada
    criou nada.

    Bem, insisto: minha intenção não é tentar converter ou entrar em
    debates intermináveis. É apenas mostrar que eu também via inúmeras
    contradições nas organizações religiosas e nas pífias teorias
    teológicas; sentia uma insatisfação ao ter questionamentos e dúvidas
    não respondidos por ninguém ou respondidos insatisfatoriamente; e
    resignava-me com a injustiça de o “destino” nos conceder um breve
    período de vida, constituído de nascimento, alimentação, crescimento,
    estudo, trabalho, procriação e extinção definitiva com a morte, sem
    nada aproveitar para depois, um completo desperdício de nosso esforço
    para estudar, por exemplo. Então, para que nascer?

    Encontrei uma fonte de água fresca para saciar minha sede de saber,
    minha sede de respostas, que aplacou minha crise existencial.

    E eu poderia lembrar o racismo de Kardec, que diz que os
    espíritos mais evoluídos se encarnam nos europeus, uma raça mais bonita
    e mais inteligente, e os menos evoluídos, nos africanos que, segundo
    ele, são inferiores mental e fisicamente.

    Desconheço e desconfio dessa afirmação atribuída a Kardec, como
    reproduzida acima. Pode citar a fonte (livro, edição, página), por
    favor? De pronto, achar que a raça africana é inferior mental e
    fisicamente é ilógico! Nunca vi um estudo indicando tal coisa. Ambas
    as raças, européia e africana, são Homo sapiens; logo, as diferenças
    não podem ser grandes. A única diferença que vi relatada até hoje é a
    quantidade de neurônios de um cérebro de homem e o de uma mulher.

    Conheço uma afirmação de Kardec como sendo pertencente a uma raça mais
    bonita que a raça negra, em seu livro Obras Póstumas. Acho que,
    considerando-se as exceções,
    tal afirmação é correta. Acredito até que os próprios negros, embora a
    contragosto, concordem também. Esclareço que acho-me despido
    de preconceito contra os negros. Tenho outros preconceitos, reconheço,
    mas esse, arrisco-me, perante minha consciência, a dizer que não. Sou
    considerado branco, mas eu gostaria de ser bem mais moreno.

    Não sei se Kardec disse que os africanos eram menos evoluídos que os
    europeus, mas isso é um fato (tomado em termos gerais, insisto). Os
    africanos,
    naquela época (1860), viviam em tribos. É lógico que eram menos
    evoluídos que os europeus nos costumes sociais, nos ritos religiosos,
    nas artes, na técnica (iniciava-se a Revolução Industrial), na
    economia. Uma pessoa da classe média, que more em um grande centro,
    estude, trabalhe e saiba operar uma série de aparelhos é mais evoluída
    que um indígena de uma tribo amazônica com pouco contato com a
    civilização. Acreditamos que um espírito pouco evoluído irá nascer em
    uma raça/comunidade pouco evoluída e vice-versa. É lógico que há
    exceções: existem mendigos que são espíritos muito mais evoluídos que
    os empresários e madames que passam na sua frente.

    um dia as raças inferiores evoluirão, portanto não há
    injustiça

    Sim, é verdade. Não é justo? Cada indivíduo e cada raça com seu próprio
    tempo de evolução. Não sabemos quando fomos criados. E uns evoluem mais
    rapidamente que outros. Daí a diferença de evolução entre as pessoas e
    raças.

    Kardec se enganou ou que os espíritos que falaram com ele
    se enganaram, mas eu pergunto: Kardec não era (ou recebia) o “Espírito
    da Verdade”? Como ele poderia se enganar? Se os espíritos se enganaram
    antes, não estariam enganados agora também?

    Que eu saiba, ele não era médium ostensivo, isto é, com faculdades
    mediúnicas evidentes. Que eu saiba, ele não tinha o dom da psicofonia
    nem da psicografia, isto é, não “recebia” nenhum espírito. Sua
    mediunidade consistia numa fortíssima intuição, tenho certeza
    disso. As mensagens que ele reproduzia eram recebidas de médiuns
    espalhados pelo mundo todo; ele as compilava e julgava sua idoneidade.

    Os espíritos podem falar mentiras e coisas absurdas sim, exatamente
    como nós,
    encarnados. Assim sempre foi, assim sempre será. Kardec já nos advertia
    acerca das comunicações falsamente atribuídas a outros espíritos, bem
    como meios de avaliar sua veracidade.

    Peço desculpas se me excedi ou se fui inconveniente. Obrigado pela
    oportunidade e mando um cordial abraço!

  24. Caro Fernando,

    É realmente estranho o Flávio Josefo não ter falado sobre Jesus. Por que será? Não sei.

  25. Sobre Nilian Maely, acima. Citando: “Oh meu Deus qt gente hipócrita, que nao acredita em Ti.
    Mas como o Senhor nao obriga ninguem a servi-lo, deixem eles pra lá né? Abraços”

    Essa me surpreendeu: já entrou “cantarolando”, desistindo de qualquer argumentação.
    O mais notável é ela própria aconselhar-se a “deixar pra lá”, não seguir o próprio conselho, dar-se o trabalho de se cadastrar e escrever ao site. Seria caso de tratamento?

  26. Syllas,

    Desconheço e desconfio dessa afirmação atribuída a Kardec, como
    reproduzida acima. Pode citar a fonte (livro, edição, página), por
    favor? De pronto, achar que a raça africana é inferior mental e
    fisicamente é ilógico!

    Neste link

    http://clubecetico.org/forum/index.php/topic,14591.0.html

    há um debate entre ateus e espíritas, um dos quais defende a idéia de que negros são inferiores em tudo.
    O texto espírita é o “Perfectibilidade da raça negra” e vários trechos são citados no debate.

    Permita-me outro aparte. Um inocente sabe sim que comete seu primeiro
    erro, pois temos um código moral que nos diz o que é certo e o que é
    errado em nossa consciência.

    Uma pessoa boa não faz coisas más nem decide fazer uma coisa má, pois até a decisão já seria má. Se ela toma essa decisão, então não era boa.
    Se um espírito é inocente, não pode ser culpado por fazer algo errado, a menos que faça de novo.
    Se temos um código moral em nossa consciência, então já nascemos sabendo o que é certo e errado. Não somos inocentes e já nascemos bons ou maus. E quem já nasce mau não tem culpa por ser mau.

    Segundo nos ensinam os mentores espirituais, não apenas pedimos, mas às vezes IMPLORAMOS para nascer de novo e — acredite — para sofrer, pois sabemos, quando desencarnados, que o sofrimento e o amor são as duas formas de quitarmos nossos débitos, sem o qual não evoluiremos para chegar na felicidade plena final.

    Mas aí já existimos. Estou falando de nem existir, de nem ser criado. Ou de ser criado e ter a opção de não ter que evoluir nem sofrer. Se só temos opções limitadas e já definidas pelo criador, então não é livre arbítrio, é uma escolha entre opções impostas.

    Imagino que você, assim como eu antes, acredita que toda a complexidade que rege o cosmos, toda a sua harmonia e suas leis são espontâneas, isto é, não foram criadas por ninguém, ou, em outras palavras, vieram do “nada”. Ora, isso é o mesmo que atribuir ao “nada” o poder mágico de
    criar tudo o que existe. Assim, como conclusão inevitável, o “nada” é o verdadeiro criador de todas as coisas, o que contraria a hipótese de que nada criou nada.

    Pelo contrário: eu não tenho explicação. A diferença é que fico sem ela. Outras pessoas não suportam ficar sem saber e inventam deuses.

    resignava-me com a injustiça de o “destino” nos conceder um breve período de vida, constituído de nascimento, alimentação, crescimento, estudo, trabalho, procriação e extinção definitiva com a morte, sem nada aproveitar para depois, um completo desperdício de nosso esforço para estudar, por exemplo. Então, para que nascer?

    Não é um completo desperdício: tudo o que fazemos se destina a tornar melhor nossa vida - enquanto durar. Para que nascer? Sei lá, apenas nascemos. E podemos viver sem essa resposta.

  27. Syllas,

    É realmente estranho o Flávio Josefo não ter falado sobre Jesus. Por que será? Não sei.

    Talvez seja porque o Jesus dos evangelhos não existiu. Talvez um homem ou vários tenham fundado o cristianismo, mas eram homens comuns e não foram registrados pela história. Eram alguns dos milhares de rebeldes crucificados pelos romanos naquela época.

  28. Prezado Fernando,

    Fui ao link dos céticos e vi vários trechos pinçados do artigo
    (não chequei sua fidelidade). Assim dá para distorcer qualquer artigo,
    de acordo com os interesses da pessoa. Dê, por favor, uma leitura do
    artigo completo: http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/revista-espirita-1862.pdf
    (abril de 1862).

    Não achei o texto racista. Mas para se chegar a esse entendimento é
    necessário o conhecimento dos princípios da doutrina espírita, sem o
    qual levará ao falso entendimento e à conclusão de racismo.

    Acho que Kardec, em função do estágio da ciência de sua época, pecou ao
    não considerar a mutação genética como fator de evolução das espécies.

    Um abraço!

  29. Syllas,

    Fui ao link dos céticos e vi vários trechos pinçados do artigo
    (não chequei sua fidelidade). Assim dá para distorcer qualquer artigo,
    de acordo com os interesses da pessoa.

    Eu gostaria que você me mostrasse onde está a distorção.

    Dê, por favor, uma leitura do artigo completo: http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/revista-espirita-1862.pdf (abril de 1862).

    Já li há anos. Não mudei de idéia.

    Não achei o texto racista. Mas para se chegar a esse entendimento é necessário o conhecimento dos princípios da doutrina espírita, sem o qual levará ao falso entendimento e à conclusão de racismo.

    Dizer que os negros são inferiores e recebem espíritos inferiores porque os espíritos evoluídos só se encarnam em corpos bonitos é racismo. Dizer que os negros não têm a mesma capacidade intelectual dos europeus é racismo.

    Acho que Kardec, em função do estágio da ciência de sua época, pecou ao não considerar a mutação genética como fator de evolução das espécies.

    Não houve mutação significativa em 130 anos que justificasse estas afirmações.

    Kardec estava errado, ponto final. Se ele errou num ponto, pode ter errado em outros.

  30. Isso de atribuir “espírito” aos seres humanos e “princípio vital” aos outros animais é típico de nossa arrogância. Claro, nós escrevemos esses livros, não os outros animais. Dizemos tudo o que queremos e acreditamos no que queremos acreditar. Nesse caso, Chardin parece mais equilibrado, atribuindo espíritos proporcionalmente evoluídos a todos os seres vivos. É mais coerente.

  31. Presado Syllas, meu cordial bom dia!
    Meu atraso em sua resposta, foi involuntário, sinto muito.
    O interesse em nossos comentários, pelo que tudo indica, é recíproco e visam à busca de um melhor entendimento e de conhecimentos intelectuais.
    Olha, tenho buscado incessantemente entender a razão da nossa existência, e sinceramente, as explicações religiosas, estão muito longe de serem dignas de confiança, por tudo que tenho estudado a respeito das mesmas. Por outro lado, observei que seu enfoque se restringe ao da doutrina espírita, a diversificação é salutar e nos mostra ângulos tanto convergentes como divergentes.
    Quanto à bíblia, apenas um livro de estória, de seres místicos e de fábulas, em sua maior parte. Através de estudos, pesquisas e comparações, concluí que não é digna de crédito, e que a figura de Jesus Cristo é irreal e cópias de outros filhos de outros deuses. Assim, o expoente máximo do novo testamento, como descrito ali, nunca existiu, o que torna as doutrinas embasadas nele irreais.
    Enfim, não acredito em deidade alguma, e muito menos nesse Deus que dizem ser dotado da perfeição absoluta, o alfa e ômega, criador de tudo, só as imperfeições existentes são as maiores provas da minha conclusão. Do perfeito não pode sair o imperfeito, mesmo seu pensamento, que é ele mesmo, é perfeito.
    Diferentemente de você, não preciso buscar no pretenso mundo sobrenatural por respostas, elas estão aqui mesmo, precisamos, tão somente, aprendermos a interpretá-las. Acredito ser bem mais racional que a existência de tudo é eterna e infinita, bem como, o que existe hoje é apenas o resultados das transformações que se desenrolam no tempo eterno e no espaço infinito, em todo o sempre e para sempre.
    Meu caro Syllas, nós os não religiosos, somos éticos, amamos os nossos próximos, e ouso a dizer, são os ateus, representados por 95% dos cientistas, que trazem os maiores e melhores benefícios ao ser humano.
    Um forte abraço, carinhosamente.

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