Como sabemos é costume pais contarem aos filhos na idade mais inocente de nossas vidas que um certo Papai Noel existe. Este seria um bom velhinho de barbas brancas que andaria em um trenó voador, distribuiria presentes no Natal para as crianças boazinhas e mora no pólo norte. Então os meninos escrevem cartas para o velhinho fazendo o pedido e se esforçam para se comportar bem o ano inteiro para merecerem o presente, o que é ótimo para os pais que inventaram a lenda.
Mas um dia, entre os 8 e os 10 anos, a criança já tem intelectualidade suficiente para somar dois mais dois e começar a desconfiar da existência do ser imaginário. Eis alguns dos questionamentos infantis mais comuns:
- Porque Papai Noel não responde minhas cartinhas?
- Como ele consegue visitar todas as casas do mundo em um única noite?
- Porque nunca o vejo quando ele entra em casa?
- Como ele desce pela chaminé sendo tão gordo?
- Porque meninos pobres não recebem presentes do Papai Noel?
- Porque a barba do Papai Noel que eu vi era falsa?
Os pais acabam se cansando e revelam enfim criança o que ela acabaria descobrindo: Papai Noel não existe!
Eis aí o começo de nosso exercício. Imagine que os pais não quisessem que seus filhos descobrissem esta verdade, para que assim tivessem mais controle sobre seu comportamento, através da ameaça:
— Se você não se comportar, não ganha presente no Natal!
Ora, isto seria impossível pois com o crescimento a criança desenvolve raciocínio lógico e adquire conhecimento que a levará a descobrir que Papai Noel não existe. Então será necessário implementar salvaguardas em seu cérebro que a impedirão de chegar a esta conclusão. Estas salvaguardas seriam como cadeados que fechariam as portas da mente e impediriam que elas se abrissem para a verdade. Estive pensando em quais salvaguardas seriam estas e cheguei s conclusões abaixo:
O primeiro problema é a contestação. Ela leva ao questionamento, investigação e consequentemente verdade. A primeira saída é evitar a contestação com a seguinte salvaguarda:
— Se não acreditar em Papai Noel de todo coração não ganha presente!
O segundo problema é a referência física. Referências físicas são comprováveis e passíveis de ser desmentidas. Uma das referências físicas é o Pólo Norte. Imagine se o menino cresce e resolve ir para o Pólo Norte visitar Papai Noel? Para evitar isso, vamos tirar Papai Noel do Pólo Norte e colocá-lo em um lugar não físico:
— Papai Noel mora na Dimensão do Natal que não fica neste mundo!
O terceiro problema é que outra pessoa também queira controlar seu filho usando o Papai Noel que você inventou. Não se aflija, há uma solução, é só implementar a terceira salvaguarda:
— Papai e Mamãe são os únicos representantes de Papai Noel na Terra!
O quarto problema é alguém inventar outra criatura (Mula-sem-cabeça, por exemplo), a fim de fugir da terceira salvaguarda. Tá ficando difícil, hein? Mas a solução é simples:
— Papai Noel é único e insubstituível. Qualquer outro é falso, mau e mentiroso!
O quinto problema é caso seu filho resolva comprovar a teoria (ficando acordado na noite do Natal para ver se Papai Noel aparece, por exemplo). Aí entra a última e mais eficiente salvaguarda:
— Duvidar de Papai Noel é falta gravíssima! Se duvidar ganha um grande castigo!
Há outras salvaguardas, mas estas são as mais importantes. Com elas seu filho acreditará em Papai Noel para sempre, pois sua capacidade de raciocínio acerca do assunto foi suprimida impedindo a mais leve dúvida. Ele evitará até ouvir ou ler qualquer contestação da existência do mito. Ele vai até lutar com todas suas forças para defendé-lo (afinal ele não quer um grande castigo), e irá se comportar bem o ano inteirinho (para ganhar o presente). E mais, os filhos dele serão devotos ainda mais fervorosos (desta vez até os pais acreditam!).
Peraí, pintou problema! Não apareceu presente no Natal! Aí o filho corre de volta para Papai e Mamãe:
— Pai! Mãe! É Natal e Papai Noel não entregou presentes pros meus filhos! Por quê?
Ih! Sujou! Bem que vocês podiam dizer a verdade, afinal ele já é um homem crescido, mas… Como ele reagiria ao saber que foi enganado por tantos anos? Como ele criaria os filhos dele sem Papai Noel? Sendo ele um Papai-Noelista fervoroso, como viveria sem seu mito?
É… Não dá mais pra contar a verdade. A coisa já está muito séria. O que fazer? Só resta impôr mais uma salvaguarda final, aí vai:
— Agora Papai Noel só dá presente depois que a gente morre!
Tags: Críticas

2 comments
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10 de Abril de 2007 at 1:34 pm
Luiz Guilherme Amaral
Opa! Como assim ‘Papai Noel não Existe’? A Coca-Cola ganha milhões com ele! Lógico que ele existe!
Brincadeiras parte, é complicado você comparar Papai Noel com deus. Papai Noel é uma figura infanitl, criada para alimentar sonhos de crianças, ser o mote principal para o comércio mundial. Já deus é uma enganação total que corrompe jovens e adultos com mitificações grosseiras, leis que não servem para nada e para criar religiosos tontos. Apesar de ambos serem ilusões, o Papai Noel é bem mais legal como mito do que deus. Papai Noel não joga gafanhoto em quem não come direitinho.