Símbolos religiosos: muito mais respeito que o devido

Alfred Hrdlicka
No início de Abril, uma cena já vista várias vezes na História se repetiu em Viena, capital austríaca. O artista plástico ateu Alfred Hrdlicka, de 80 anos de idade, produziu e expôs um quadro no qual a última ceia era representada como uma bacanal gay. Na tela, Jesus e seus discípulos se masturbavam mutuamente. Para o pintor as necessidades fisiológicas de Jesus e dos seus doze amigos deviam ser aplacadas de algum modo… Mais uma vez a Igreja Católica se apressou em mexer os palitinhos para que a obra fosse imediatamente retirada da exposição na qual era exibida. A diferença entre este episódio e tantos outros semelhentes é que desta vez a ICAR tinha mesmo todo o direito de retirar a obra “do ar”. Afinal o quadro tinha sido exposto no Museu da Catedral Católica de Viena, e temos que convir que no seu galinheiro a (assim apelidada) Santa Sé tem o direito de ciscar e cacarejar como bem entender.
É bem verdade que não se sabe muito ao certo se o tal museu realmente pertence à ICAR. Se as coisas na Áustria funcionarem como no Brasil, onde grande parte das propriedades católicas são construídas, reformadas e mantidas com verbas públicas sob a desculpa esfarrapada de que fazem parte do patrimônio histórico-cultural… mas deixemos as hipóteses de lado e confiemos que o tal museu realmente era de fato e de direito da Igreja Romana. Neste caso, o episódio serve mais para lembrar as inúmeras intervenções desta instituição ultrapassada (e de seus pares: os protestantes, os judeus, os islâmicos não reagem de modo muito diferente) que têm vitimizado a criação artística contemporânea ao redor do mundo.

Obra de Márcia X retirada de exposição bancada com dinheiro público em museu público
Se na Áustria a Igreja tinha reais direitos sobre o que deveria ou não ser exposto no referido museu, o mesmo não se pode dizer sobre o caso de uma exposição de arte, realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil há exatos dois anos. “Desenhando com Terços”, obra da artista plástica brasileira Márcia X, consistia em dois terços (aquele crucifixo cheio de bolinhas que as beatas usam pra contar quantos padre-nossos faltam pra acabar a ladainha) dobrados de maneira que parecessem dois pênis se enroscando. Caía como uma luva para que se discutisse o conflito entre “santidade” cristã e sexualidade; para que se pensasse nos casos de pedofilia envolvendo párocos de todo o mundo; para que se refletisse sobre os resultados (benéficos ou não) de nossa moralidade sexual baseada em lendas religiosas e nas interpretações teológicas destas lendas. Absolutamente adequado à proposta da mostra, intitulada “Erótica”.
O Banco do Brasil não pertence à Igreja Católica. Mas a Igreja Católica não gostou, cacarejou, ciscou… e o Banco do Brasil — istituição mantida (em sua maior parte) com dinheiro de impostos, impostos pagos por brasileiros ateus, evangélicos, macumbeiros, judeus, xintoístas, kardecistas, deístas sem religião, católicos de mente aberta e (até) católicos retrógrados — baixou a cabeça, deu um pio amuado e, com medinho da velha cacarejeira, retirou a obra da exposição no Rio e ainda cancelou a turnê (os eventos do CCBB sempre passam pelas três unidades: Rio, São Paulo e Brasília; “Erótica” não foi montada em Brasília).

Nossa Senhora de Merda, do cartunista austríco Gehard Hederer
Outros exemplos parecidos, nos quais a Igreja berra mais alto e faz com que vozes discordantes se calem são vistos à baciada na história recente da censura intelectual. Seja um carnavalesco carioca ou um cartunista austríaco: ninguém que toque no ego infladíssimo da santa e imaculada representação de Cristo na Terra se mantém ileso. Aprendemos nos livros de História que o INDEX foi aposentado, mas na prática não é bem assim. Muitos livre-pensadores, bem intencionados, caem no discurso da Igreja de que “se deve respeito aos símbolos religiosos”. Sim se deve, eu não discuto isso: eu respeito os símbolos religiosos. Por exemplo: acho que os católicos devam continuar tendo o direito de publicar e ler aquele símbolo religioso no qual está escrito que o mundo foi feito em sete dias; que as adúlteras devem ser apedrejadas até a morte; que o destino dos homossexuais, das prostitutas e dos capados é torrar eternamente em um lago de fogo (sem que morram); entre tantas outras coisas engraçadas. Mas fazê-los aceitar que o mesmo direito que eles tem de pregar suas asneiras é o direito que temos de questionar e criticar tais asneiras (e até rir delas) é que é o busilis.
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Seu texto ficou uma droga, Daniel Reynaldo. Você não tá muito habituado a escrever, não é?
Eu andei dando umas corrigidas. É falta de educação ficar pegando as imagens dos outros sites, então subi elas para o nosso site (com o tamanho mais ou menos corrigido). Também adicionei um pouquinho de formatação.
Mas, acima de tudo, seu texto é um tanto desleixado e algumas colocações suas lhe fazem parecer uma criança birrenta reclamando da Igreja Católica. Não precisa ser assim.
Ah! Não tenha medo de usar palavrões quando eles se referem a nomes, como a imagem da Nossa Senhora de Merda. Esse é mesmo o nome da imagem, dado pelo autor. Portanto não é ofensa de nossa parte.
Apesar da opinião acima, gostei do texto
Pra não ficar apensa na Igreja Católica, deixo também a lembrança mais recente da proibição do Carro do Holocausto da Viradouro devido a pressão da Comunidade Judaica…
Entramos sempre na corrente de que "minha religião é mais importante do que o resto do mundo e o que me agredir deve ser proibido"… abr@ços
Sendo a biblia um símbolo religioso, que dizer então de:
A Bíblia não é a palavra de deus!…
Quem afirma é um exegeta, biblista, consagrado professor de Teologia da Universidade Católica Portuguesa,
Doutor Rev. Joaquim Carreira das Neves, hoje, num frente a frente com colaboradores do Portal Ateu. http://embusteiros.blogspot.com/2008/04/bblia-no-palavra-de-deus.html
Apesar das duas opiniões acima eu dou o braço a torcer, Alenônimo: o texto estava mesmo bem fraquinho. Na ânsia de postar alguma coisa eu acabei metendo os pés pelas mãos e descarregando mais raiva do que razão (muito embora minha raiva estivesse repleta de razão). Quanto à formatação: “mea culpa, mea maxima culpa”: eu não consegui me enturmar como o sistema WP (estou acostumado com o Blogspot, em muitas coisas eu travei por aqui; de qualquer maneira não devia ter publicado sem antes ter avisado a você para que fossem feitas as correções).
Quanto às suas considerações, Álvaro, eu concordo. Tanto que comentei que outros grupos religiosos costumam agir de maneira parecida com a ICAR.
Abrasivus, foi como eu disse. Nem todo religioso é retrógrado, só que retrógrados berram bem mais alto e acabam dando fama ao grupo todo. Abraços.
No WP é possível deixar o texto para que os outros editores revisem, aconselhável em caso de críticas ou textos mais elaborados. Embora eu já tinha conhecimento sobre o caso, foi bom publicar sobre isso.
A idéia do texto até que é interessante, mas a execução foi muito ruim.
O primeiro exemplo citado é horrível. Um cara tenta expor uma obra de arte ofensiva em um museu que pertence à ICAR. Ela tava sim no direito de remover tal imagem e isso não é motivo para crítica alguma.
Nos outros casos aconteceu algo similar. A obra de Márcia X nem era tão ofensiva, mas era uma falta de respeito com os religiosos. O Banco do Brasil tem todo o direito de querer evitar faltar com respeito com uma boa parcela das pessoas. A outra obra caracteriza a Nossa Senhora de Merda, o que também é de certa maneira ofensivo.
Deveriam ser pego os casos de obras que não tocassem no assunto religioso dessa maneira, mas que mesmo assim foram censurados. Se fosse censurado algo apenas por ser sobre o ateísmo ou o homossexualismo, por exemplo. Isso sim seria um problema grave em relação ao laicismo.
Mais exemplos do que poderia ser dito… vamos ver… a recusa do IBGE em citar o número de ateus no país, o projeto de lei proibindo questionar o holocausto, aquele carro alegórico sobre o holocausto que foi censurado também, o pastor que chutou a santa e quase foi linchado, etc.
Daniel, eu sei que você tem potencial para fazer melhor. Por que não tenta escrever um outro texto?
Um exemplo de intromissão da ICAR:
Puseram uma estátua do Exu dos Ventos, protetor das estradas, à beira de uma estrada na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Era apenas um monte de ferros retorcidos e era preciso ler a placa para saber do que se tratava.
O cardeal do Rio mandou que a prefeitura removesse a estátua, alegando que era uma ofensa aos brasileiros. Talvez tenha se esquecido da enorme estátua de um deus qualquer no topo de uma montanha, de onde é visível a grande parte dos cariocas.
seus cornos viados filho da put retardados
Mas perae amigo "negao", a que você está se referindo?
Negao,
Pare de xingar, vou tirar o espelho, viu?