<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	>

<channel>
	<title>Ateus do Brasil &#187; Ceticismo</title>
	<atom:link href="http://ateusdobrasil.com.br/categorias/artigos/ceticismo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://ateusdobrasil.com.br</link>
	<description>A ciência não explica tudo. A religião não explica nada.</description>
	<pubDate>Thu, 27 Nov 2008 19:28:02 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.7-almost-rc-9983</generator>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>25 Argumentos Criacionistas &#038; 25 Respostas Evolucionistas</title>
		<link>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/25-argumentos-criacionistas-25-respostas-evolucionistas/</link>
		<comments>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/25-argumentos-criacionistas-25-respostas-evolucionistas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2008 22:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>

		<category><![CDATA[Ciência]]></category>

		<category><![CDATA[Criacionismo]]></category>

		<category><![CDATA[Evolução]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ateusdobrasil.com.br/?p=366</guid>
		<description><![CDATA[Por Michael Shermer, Editor executivo da Skeptic Magazine.
O que se segue é uma lista de argumentos utilizados pelos criacionistas. Aborda principalmente os problemas que eles vêem na teoria evolucionista. Tais argumentos, embora mais discretamente, também defendem sua crença religiosa. Os argumentos e respostas foram simplificados por uma questão de espaço, mas mostram o essencial do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por <a href="mailto:mshermer@skeptic.com">Michael Shermer</a>, Editor executivo da <a href="http://skeptic.com/">Skeptic Magazine</a>.</em></p>
<p>O que se segue é uma lista de argumentos utilizados pelos criacionistas. Aborda principalmente os problemas que eles vêem na teoria evolucionista. Tais argumentos, embora mais discretamente, também defendem sua crença religiosa. Os argumentos e respostas foram simplificados por uma questão de espaço, mas mostram o essencial do debate. Eu os organizei para uso durante meu seminário sobre o assunto, com a duração de um semestre, e cabe aqui uma importante advertência: estas explicações não substituem uma leitura mais detalhada das obras disponíveis. Podem até servir para uma conversa casual, mas não para um debate formal com criacionistas bem&nbsp;preparados.</p>
<p><span id="more-366"></span>Explicações mais detalhadas podem ser encontrados em inúmeros livros como os citados a seguir, que eu usei para preparar este texto e que são um bom lugar para se&nbsp;começar:</p>
<p><em>Evolution: The History of an Idea</em> (1989) por Peter Bowler (University of California Press);<br />
<em>Science on Trial: The Case for Evolution</em> (1982) por Douglas Futuyma (Pantheon);<br />
<em>Creationism on Trial: Evolution and God at Little Rock</em> (1985) por Langdon Gilkey (Harper &amp; Row);<br />
<em>Scientists Confront Creationism</em> (1983) por Laurie Godfrey (ed.) (Norton);<br />
<em>Hen&#8217;s Teeth and Horse&#8217;s Toes</em> (1983) e <em>Bully for Brontosaurus</em> (1991) por Stephen Jay Gould (Norton);<br />
<em>The Creationists</em> (1992) por Ronald Numbers (Knopf);<br />
<em>Darwinism Defended</em> (1982) por Michael Ruse&nbsp;(Addison-Wesley).</p>
<p>Agradeço a Donald Prothero, Elie Shneour e Tom McIver, da equipe de editores da <em>Skeptic</em>, por revisar a&nbsp;lista.</p>
<p>Uma segunda advertência: céticos com frequência se envolvem em debates, alguns formais e a maioria informal, portanto seria sensato considerar as palavras de Stephen Jay Gould, que se confrontou com criacionistas em muitas ocasiões (tiradas de uma conferência na CALTECH em&nbsp;1985):</p>
<blockquote><p>Debater é uma forma de arte. Trata-se de vencer por meio de argumentos. Não se trata de descobrir a verdade. Há certas regras e procedimentos para se debater que nada têm a ver com se estabelecerem os fatos - e os criacionistas são muito bons nisto. Algumas destas regras são: nunca diga nada de bom sobre aquilo que você defende, pois dá ao oponente a chance de lhe atacar. Em vez disto, martele os pontos que lhe parecem fracos na posição de seu oponente. Eles são bons nisto e eu não creio que possa vencê-los num debate. Só consigo empatar. Nos tribunais, entretanto, eles ficam em desvantagem porque, durante um julgamento, você não pode desenvolver o assunto. Num tribunal, você tem que responder a perguntas diretas sobre as virtudes de sua crença. Nós os destruímos no Arkansas. No segundo dia de um julgamento de duas semanas, já tínhamos definido nossa&nbsp;vitória!</p></blockquote>
<table border="0">
<tbody>
<tr>
<td>
<h4><img class="size-medium wp-image-367 aligncenter" title="skeptic-25args-monster" src="http://ateusdobrasil.com.br/wp-content/uploads/2008/10/skeptic-25args-monster.gif" alt="" width="172" height="194" /></h4>
<h4>Mitos da Criação a partir da Morte de um&nbsp;Monstro</h4>
<p><em>“O mundo foi criado a partir dos pedaços de um monstro&nbsp;derrotado.”</em></p>
<p>Culturas representativas: indochineses, cabilas (África), habitantes das ilhas Gilbert, coreanos, sumério-babilônicos, gregos.</td>
<td>
<h4><img class="size-medium wp-image-369 aligncenter" title="skeptic-25args-spoken" src="http://ateusdobrasil.com.br/wp-content/uploads/2008/10/skeptic-25args-spoken.gif" alt="" width="158" height="177" /></h4>
<h4>Mitos da Criação a partir de uma Ordem&nbsp;Divina</h4>
<p><em>“O mundo surgiu por ordem de um&nbsp;deus.”</em></p>
<p>Culturas representativas: Egípcios, maias, índios maidu, hebreus, sumérios, gregos.</td>
<td>
<h4><img class="aligncenter size-full wp-image-368" title="skeptic-25args-primordial" src="http://ateusdobrasil.com.br/wp-content/uploads/2008/10/skeptic-25args-primordial.gif" alt="" width="182" height="199" /></h4>
<h4>Mitos da Criação a partir de um Casal&nbsp;Primordial</h4>
<p><em>“O mundo foi criado por meio da interação de pais&nbsp;primordiais.”</em></p>
<p>Culturas representativas: índios zufii, habitantes das ilhas Cook, gregos, índios luisciio, egípcios, taitianos.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h3>Argumentos Filosóficos e&nbsp;Respostas</h3>
<p><strong>1. O      criacionismo científico é científico e portanto deve ser ensinado nas      aulas de ciência das escolas&nbsp;públicas.</strong></p>
<ol type="1"></ol>
<p>O criacionismo científico só é científico no nome. É uma defesa mal disfarçada da crença religiosa na criação especial, portanto não tem cabimento apresentá-lo em cursos de ciência nas escolas públicas, e não merece mais atenção do que mereceriam coisas chamadas “ciência islâmica”, “ciência budista” ou “ciência cristã”. A afirmação a seguir vem do Instituto de Pesquisa Criacionista (Institute for Creation Research), que é o departamento de “pesquisa” do Christian Heritage College e estabelece as normas que são seguidas por todos os membros da faculdade e pesquisadores. Ela deixa claro quais são suas verdadeiras crenças. Não há nada de científico no “criacionismo&nbsp;científico”:</p>
<blockquote><p>Acreditamos na absoluta integridade das Sagradas Escrituras e em que foram totalmente inspiradas pelo Espírito Santo quando seus originais foram escritos por homens preparados por Deus para este objetivo. As escrituras, tanto o Antigo como o Novo Testamento, são inerrantes sobre qualquer assunto que abordem e devem ser aceitas em seu sentido natural e planejado […] todas as coisas no universo foram criadas e feitas por Deus nos seis dias da criação especial descrita no Gênesis. O relato criacionista é aceito como factual, histórico e claro, e assim é fundamental para o entendimento de cada fato e fenômeno no universo&nbsp;criado.</p></blockquote>
<p><strong>2. Nem o      criacionismo nem o evolucionismo são científicos porque “a ciência só se      ocupa do aqui-e-agora e não pode responder a perguntas sobre a história da      criação do universo e as origens da vida e do&nbsp;homem”.</strong></p>
<ol type="1"></ol>
<p>Isto, é claro, derruba o “criacionismo científico” e o argumento nº 1, mas é falso de qualquer forma, porque o fato é que a ciência lida com fenômenos do passado, como é o caso de ciências históricas como a cosmologia, geologia, paleontologia, paleoantropologia e arqueologia. Há ciências experimentais e ciências históricas, que usam metodologias diferentes, mas que se equivalem em sua capacidade de entender a causalidade, e a biologia evolucionária é uma ciência histórica válida e legítima. Se esta afirmação fosse correta, grande parte da ciência, e não apenas o evolucionismo, seria&nbsp;estéril.</p>
<p><strong>3. Já que a educação inclui aprender todos os pontos de vista sobre um assunto, é apropriado que tanto o criacionismo quanto o evolucionismo sejam ensinados lado a lado nas escolas públicas. Não fazer isto viola a filosofia da educação e a liberdade dos criacionistas, ou seja, nós temos o direito de ser ouvidos. Além disto, que mal há em se ouvir ambos os&nbsp;lados?</strong></p>
<p>Apresentar múltiplos pontos de vista sobre cada assunto certamente faz parte do processo educacional e poderia ser apropriado discutir criacionismo em aulas de religião, história e até mesmo filosofia, mas certamente não de ciência, não mais do que cursos de biologia devam abordar os mitos da criação dos índios americanos. Não tratar de tais assuntos não viola os direitos de ninguém, já que em lugar nenhum na natureza ou na constituição está dito que todos têm direito a ensinar criacionismo nas escolas públicas. Os direitos não existem na natureza. Direitos são um conceito construído por humanos para proteger certas liberdades, mas degeneraram em pedidos de privilégios especiais para praticamente cada grupo e indivíduo na América que deseja algo que não tem. E, por fim, faz muito mal ensinar “criacionismo científico” como se fosse ciência porque é uma agressão a todas as ciências, não apenas à biologia evolucionária. Se o universo e a Terra tivessem apenas 10 mil anos de idade, a cosmologia, astronomia, física, química, geologia, paleontologia etc. seriam invalidadas. O criacionismo não pode nem mesmo estar parcialmente correto. No momento em que se admite uma causa sobrenatural para o surgimento de uma única espécie que seja, todas poderiam ter sido criadas assim e as leis da natureza perderiam a utilidade e o&nbsp;sentido.</p>
<p><strong>4. Há uma espantosa correspondência entre os “fatos” da natureza e os “atos” da Bíblia. Portanto, é apropriado referenciar os livros de “criacionismo científico” à Bíblia e considerar a Bíblia como um livro de ciência, tanto quanto o livro da&nbsp;natureza.</strong></p>
<p>A verdadeira mentalidade dos criacionistas pode ser vista na citação de Henry Morris abaixo. Ele dirige o <em>Institute for Creation Research</em> e suas palavras revelam sua preferência pela fé como autoridade no caso de se encontrar qualquer evidência empírica contraditória (o que demonstra que eles não têm nenhuma metodologia&nbsp;científica):</p>
<blockquote><p>A principal razão para se insistir no Dilúvio Universal como um fato histórico e como base para a interpretação geológica é que é isto que a Palavra de Deus nos ensina! Não podemos permitir que dificuldades geológicas, reais ou imaginadas, tenham precedência sobre as claras afirmações da Bíblia e as implicações que necessariamente resultam&nbsp;delas.</p></blockquote>
<p>Seria ridículo imaginar os professores da CALTECH, por exemplo, defendendo uma crença cega deste tipo no livro de Darwin ou no de Newton no sentido de que nenhum fato discordante pudesse ter precedência sobre a autoridade do&nbsp;livro.</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong> 5.  A teoria da seleção natural é tautológica, ou seja, é uma forma de raciocínio circular. Aqueles que sobrevivem são os mais bem adaptados. Quem são os mais bem adaptados? Aqueles que sobrevivem. Da mesma forma, rochas são usadas para datar fósseis e fósseis são usados para datar rochas. A ciência não pode se basear em&nbsp;tautologias.</strong></p>
<p>Criacionistas têm uma visão muito simplista e um entendimento ingênuo de como funcionam a seleção natural e as forças geológicas. Em primeiro lugar, a seleção natural não é o único mecanismo de mudança orgânica (p.ex., Darwin escreveu um livro inteiro sobre a seleção sexual). Em segundo lugar, a genética da população mostra claramente, e com previsões matemáticas, quando a seleção natural vai provocar ou não mudanças numa população. Em terceiro lugar, é possível se fazerem previsões com base na teoria da seleção natural e então testá-las, como os geneticistas fazem no exemplo acima ou os paleontologistas fazem ao interpretar o registro fóssil. A seleção natural e a teoria da evolução são testáveis e falsificáveis. Se encontrássemos fósseis de hominídeos na mesma camada geológica que os trilobitas, por exemplo, teríamos uma evidência contra a teoria. A datação de fósseis a partir da rochas e vice-versa só pode ser feita depois que a sequência de camadas foi estabelecida. Esta sequência não é encontrada inteira em nenhum lugar porque as camadas estão interrompidas, deformadas e sempre incompletas por várias razões. Por outro lado, a ordem das camadas não é aleatória e a ordem cronológica pode ser determinada usando-se um conjunto de técnicas, sendo que os fósseis são apenas uma&nbsp;delas.</p>
<p><strong>6. “Só há duas explicações para a origem da vida e a existência do homem, das plantas e dos animais: ou resultam do trabalho de um criador ou não”. Como as evidências não sustentam a teoria da evolução (ou seja, ela está errada), o criacionismo tem que estar certo. Qualquer evidência “que não é a favor da teoria da evolução é necessariamente a favor do criacionismo”. </strong></p>
<p>Desconfie dos que dizem que “só há duas…”. Este é o clássico erro lógico conhecido como a falácia do isto-ou-aquilo, ou falácia das falsas alternativas. Se <strong>A</strong> é falso, então <strong>B</strong> tem que ser verdade. Ah é? Por que? Será que <strong>B</strong> não pode ser verdade sem depender de <strong>A</strong>? Claro que sim. Portanto, mesmo que se descubra que a teoria da evolução está totalmente errada e tudo não passou de um grande engano, isto não significa que, por mágica, o criacionismo esteja certo. Talvez haja alternativas <strong>C</strong>, <strong>D</strong> e <strong>E</strong> que ainda temos que considerar. Entretanto, há uma dicotomia verdadeira no caso de explicação natural <em>versus</em> explicação sobrenatural. Ou a vida foi criada e evoluiu por meios naturais ou não. Cientistas assumem que as causas foram naturais e os evolucionistas discutem as várias causas envolvidas, e não se tudo aconteceu por meios naturais ou&nbsp;sobrenaturais.</p>
<p><strong> 7. A teoria da evolução é a base do marxismo, comunismo, ateísmo e imoralidade e é a causa do declínio generalizado dos valores morais e da cultura da América, portanto é ruim para nossas&nbsp;crianças.</strong></p>
<p>Neste argumento, começamos a ver que o criacionismo tem como base cultural um movimento social e político, e não científico. É por isto, em parte, que eles apelaram para o sistema legislativo numa tentativa de fazer com que o Estado imponha o ensino de sua “ciência” aos estudantes. Mas as leis não podem transformar um sistema de crenças em algo científico. Apenas os cientistas podem fazer&nbsp;isto.</p>
<p>A teoria da evolução, em particular, e a ciência, de modo geral, não são as responsáveis por estes “ismos” assim como as impressoras não são responsáveis pelo livro “Mein Kampf”, de Hitler. O fato de que a ciência da genética tenha sido usada para reforçar teorias raciais sobre a inferioridade inata de alguns grupos não significa que nós devamos abandonar o estudo da genética. Pode muito bem haver evolucionistas marxistas, comunistas, ateus e até imorais (seja lá qual for a definição de imoralidade), mas provavelmente há outros tantos evolucionistas capitalistas, teístas (ou agnósticos) e de moral inatacável. Quanto à teoria propriamente dita, pode ser usada para justificar o marxismo, o comunismo e o ateísmo, e foi, mas também tem sido usada (especialmente na América) para dar respeitabilidade científica ao liberalismo capitalista. Associar teorias científicas a ideologias políticas é um assunto perigoso e devemos ter cuidado ao fazer conexões sem evidências&nbsp;claras.</p>
<p><strong> 8. A teoria da evolução e seu amante, o humanismo secular, são, na verdade, uma religião, portanto não devem ser ensinadas nas escolas&nbsp;públicas.</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>Chamar a ciência da biologia evolucionária de religião é definir religião de uma maneira tão genérica que ela se torna totalmente sem sentido. Ciência é um conjunto de métodos criados para descrever e interpretar fenômenos observados ou inferidos, passados ou presentes, com o objetivo de se construir um corpo de conhecimentos aberto à rejeição ou confirmação. Religião — qualquer que seja — certamente não é “testável” nem “aberta à rejeição ou confirmação”. Da mesma forma, o “secular” de humanismo secular significa, por definição, “não religioso” e, portanto, não pode ser considerado religioso. As metodologias da ciência e da religião apontam em direções totalmente&nbsp;opostas.</p>
<p><strong> 9. Muitos dos principais evolucionistas são céticos quanto à teoria e a consideram problemática. Por exemplo, a teoria do equilíbrio pontuado de Stephen Jay Gould e Niles Eldredge provou que Darwin estava errado. Se os maiores evolucionistas do mundo não conseguem entrar num acordo, a coisa toda deve ser uma&nbsp;bobagem.</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>É particularmente irônico que os criacionistas tenham que citar o principal opositor ao criacionismo — Gould — nas suas tentativas de usar a ciência em seu benefício. Os criacionistas interpretam de forma errada, ou por ingenuidade ou intencionalmente, o saudável debate científico entre evolucionistas quanto aos agentes que causam as mudanças orgânicas. Eles parecem achar que esta troca normal de idéias e a natureza auto-corretiva da ciência são uma prova de que o evolucionismo está se esfarelando. Evolucionistas debatem e discutem sobre muitos detalhes, mas todos eles concordam sobre uma coisa: a evolução ocorreu. O que eles continuam debatendo é exatamente como ela ocorreu e qual a importância dos diversos mecanismos que a provocam. A teoria do equilíbrio pontuado de Eldredge e Gould é um refinamento e um aperfeiçoamento da teoria mais geral de Darwin. Ela não prova que Darwin estava errado assim como a relatividade de Einstein não prova que Newton estava&nbsp;errado.</p>
<p><strong> 10. A história da teoria da evolução em particular, e da ciência em geral, está cheia de teorias erradas e idéias derrotadas. O homem de Nebraska, o homem de Piltdown, o homem de Calaveras e o Hesperopithecus são apenas algumas das besteiras que os cientistas fizeram. Fica claro que a ciência não merece confiança e as teorias modernas não são melhores que as&nbsp;antigas.</strong></p>
<p>Mais uma vez, esta é uma confusão grosseira sobre a natureza da ciência, que está constantemente construindo novas idéias sobre as idéias do passado. A ciência não apenas muda, ela se baseia no passado e avança para o futuro. Comete muitos erros, mas a característica de auto-correção do método científico é uma das suas mais belas qualidades. Fraudes como a do homem de Piltdown ou do homem de Calaveras e erros honestos como o do homem de Nebraska e do Hesperopithecus são, mais cedo ou mais tarde, descobertos. A ciência tropeça às vezes, mas levanta a si mesma, sacode a própria poeira e segue em frente. Como disse Einstein, <em>“a ciência pode ser primitiva e infantil, mas é a coisa mais preciosa que temos”</em>. É particularmente paradoxal que os “cientistas” criacionistas usem a retórica da ciência de modo a parecerem pesquisadores sérios e, ao mesmo tempo, ataquem exatamente as virtudes da ciência que eles dizem&nbsp;ter.</p>
<p><em> </em><strong>11. Todas as causas têm efeitos. A causa de “X” tem que ser “do mesmo tipo que X”, ou seja, a causa da inteligência tem que ser inteligente. Além disto, se recuarmos no tempo em busca da causa de cada causa, é preciso concluir que vamos acabar encontrando uma primeira causa – Deus. O mesmo acontece com o movimento (todas as coisas em movimento devem ter tido um primeiro motor, um motor que não precisa de outro motor para se mover – Deus). Além disto, todas as coisas no universo têm um propósito, portanto tem que existir um projetista&nbsp;inteligente.</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>Se isto fosse verdade, então a natureza deveria ter uma causa natural, e não uma causa sobrenatural! Mas isto não é verdade: a causa de “X” não precisa ser “do mesmo tipo que X”. A “causa” da tinta verde é tinta azul misturada com amarela, e nenhuma delas é verde. Esterco animal faz as árvores frutíferas crescerem melhor. As frutas são deliciosas de se comer e, portanto, nem um pouco parecidas com esterco! Os argumentos da primeira causa e do primeiro motor, brilhantemente proferidos por São Tomás de Aquino no século 14 e ainda mais brilhantemente refutados por David Hume no século 18, são facilmente respondidos com apenas mais uma pergunta: quem ou o que causou e moveu Deus? Além disto, como Hume demonstrou, “propósito” é muitas vezes uma coisa ilusória e subjetiva. “O pássaro que madruga pega a minhoca” é uma boa idéia se você for o pássaro, mas não se você for a minhoca. Dois olhos parece ser a quantidade ideal, mas, como Richard Hardison comentou, “não seria bom ter um olho a mais na nuca e ainda um outro na ponta do dedo indicador para ajudar quando você estivesse mexendo atrás do painel de um automóvel?” Propósito é, em parte, aquilo a que estamos acostumados. A verdade é que nem tudo foi lindamente projetado e com um propósito. Mesmo sem falarmos no problema do mal, das doenças e deformidades que os criacionistas convenientemente fingem não ver, a natureza está cheia de coisas bizarras e sem propósito aparente. Os bicos dos seios masculinos e o polegar dos pandas são apenas dois exemplos do que Gould gosta de exibir como estruturas mal projetadas e sem propósito. Se Deus graciosamente projetou a vida para se encaixar perfeitamente como as peças de um quebra-cabeças, como você explica essas&nbsp;esquisitices?</p>
<p><strong> 12. Uma coisa não pode ser criada a partir do nada, dizem os cientistas. Portanto, de onde veio o material para o Big Bang? E de onde vieram as primeiras formas de vida que deram origem à evolução? A experiência de Stanley Miller, que criou aminoácidos a partir de uma “sopa” orgânica e outras moléculas biogênicas não é a criação da&nbsp;vida.</strong></p>
<p>A ciência não tem condições de responder a perguntas “definitivas” do tipo “O que havia antes do começo do universo?”, “Que horas eram antes do tempo começar?”, “De onde veio a matéria para o Big Bang?”. Estas perguntas são filosóficas ou religiosas, não científicas, e portanto não são parte da ciência. A teoria da evolução tenta entender as causas da mudança depois que o tempo e a matéria foram “criados” (seja lá o que isto signifique). Quanto às origens da vida, a bioquímica tem uma explicação bem racional e científica para a evolução de compostos inorgânicos para orgânicos, a criação de aminoácidos e a contrução de cadeias de proteínas, as primeiras e primitivas células e assim por diante (e Miller nunca afirmou ter criado vida, apenas algumas das partes que a formam). Embora estas teorias ainda tenham pontos fracos e estejam sujeitas a intensos debates científicos, já mostram que existe uma explicação razoável sobre como se avançou do Big Bang até o cérebro humano no universo que&nbsp;conhecemos.</p>
<h3>Argumentos “Científicos” e&nbsp;Respostas</h3>
<p><em> </em><strong>13. As estatísticas mostram que, à taxa atual de crescimento e considerando a população atual, havia apenas duas pessoas vivendo há, aproximadamente, 6.300 anos atrás, ou seja, 4300 a.C. Isto prova que a humanidade e a civilização são bem recentes. Se a Terra fosse mais velha, com um milhão de anos, por exemplo, após 25.000 gerações a uma taxa de crescimento de 0,5% e uma média de 2,5 crianças por família, a população de hoje seria de 10 elevado a 2.100 pessoas., o que é impossível, já que só há 10 elevado a 130 elétrons no universo&nbsp;conhecido.</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>Como Disraeli comentou (e Mark Twain repetiu), há três tipos de mentiras: “mentiras, mentiras descaradas e estatísticas”. Mas, se você quer jogar o jogo dos números, eis mais alguns: segundo esta análise, em 2.600 a.C. haveria uma população total na Terra de umas 600 pessoas. Nós sabemos com um alto grau de certeza que, em 2600 a.C., havia civilizações florescendo no Egito, Mesopotâmia, vale do rio Indo, China etc. Se, generosamente, dermos ao Egito 1/6 da população mundial, teriam sido necessários alguns milagres ou talvez a ajuda de antigos astronautas para que 60 pessoas conseguissem construir as pirâmides, sem falar em todos os outros monumentos arquitetônicos! O fato é que as populações não crescem de maneira constante. Há períodos de grande expansão e outros até com diminuição. A história da população humana antes da Revolução Industrial é uma série de momentos de crescimento e prosperidade seguidos por fome e declínio. A curva populacional está cheia de picos e vales ao longo dos milhares de anos em que a humanidade lutou para escapar da extinção, embora, em média, tenha sempre crescido, ainda que bem lentamente. Foi apenas a partir do século 19 que a taxa de crescimento se&nbsp;acelerou.</p>
<p><strong>14. A seleção natural só causa pequenas mudanças nas espécies — microevolução. As mutações que os evolucionistas usam para explicar a macroevolução são sempre prejudiciais, raras e aleatórias, e não podem ser vistas como a força que impulsiona a mudança evolucionária. </strong></p>
<p>Jamais esquecerei as quatro palavras que o biólogo evolucionista Bayard Bratstram martelava em nossos cérebros quando estudávamos na Universidade Estadual da Califórnia, em Fullerton — “Mutantes não são monstros”. O que ele queria dizer é que aquilo que o público em geral entende como mutação são as vacas de duas cabeças apresentadas em feiras rurais e coisas assim, mas não é este tipo de mutação que os evolucionistas estudam. Ninguém dirá que mutações assim são benéficas, mas a maioria das mutações são apenas pequenas aberrações genéticas ou cromossômicas que causam efeitos mínimos. Alguns destes pequenos efeitos podem ser benéficos a um organismo que vive num meio ambiente sujeito a constantes variações. Além disto, a teoria moderna da “especiação alopátrica”, sugerida por Ernst Mayr e integrada à paleontologia por Eldredge e Gould, demonstra precisamente como a seleção natural, em conjunto com outras forças e circunstâncias da natureza, pode produzir — e produz — novas&nbsp;espécies.</p>
<p><em><span style="text-decoration: underline;">Nota</span>: especiação alopátrica ou geográfica é o surgimento de novas espécies devido ao isolamento&nbsp;geográfico.</em></p>
<p><strong> 15 . Não há fósseis de transição em nenhum lugar, incluindo e especialmente humanos. O registro fóssil inteiro é uma coisa embaraçosa para os evolucionistas. Os neandertais, por exemplo. Não passam de esqueletos doentes — artrite, deformações por desnutrição etc., o que explica as pernas arqueadas, supercílio saliente e esqueleto maior. E o Homo Erectus e o Autralopithecus são apenas&nbsp;macacos.</strong></p>
<p>Os criacionistas sempre citam o famoso trecho de “A origem da espécies”, de Darwin, onde ele pergunta: “Por que então todas as formações geológicas e todos os estratos não são ricos em formas intermediárias? O certo é que a geologia não revela nenhuma cadeia orgânica com uma progressão perfeitamente gradual e talvez seja esta a mais grave objeção que possa ser anteposta à minha teoria”. Uma resposta é que exemplos de fósseis transicionais foram descobertos em abundância desde a época de Darwin. Basta pesquisar em qualquer texto sobre paleontologia. Uma segunda resposta foi fornecida em 1972 por Eldredge e Gould, quando eles mostraram que lacunas no registro fóssil não indicam falta de dados sobre uma mudança lenta e gradual. Na verdade, isto é evidência de mudanças súbitas em determinadas ocasiões. Usando a “especiação alopátrica” de Mayr, onde populações “fundadoras” pequenas e instáveis ficam isoladas na periferia de populações maiores, eles mostraram que a mudança relativamente rápida nestas pequenas populações cria novas espécies, mas deixa para trás poucos fósseis, quando deixa. O processo de fossilização ocorre raramente. Ele quase não existe durante esses tempos de especiação rápida. A falta de fósseis é uma evidência de que a mudança foi rápida, e não uma falta de evidência de evolução&nbsp;gradual.</p>
<p><strong> 16. A Segunda Lei da Termodinâmica prova que a evolução não pode ter ocorrido, já que o universo e a vida se movem do caos para a ordem e do simples para o complexo, o oposto exato da entropia prevista pela Segunda&nbsp;Lei.</strong></p>
<p>Em primeiro lugar, em qualquer escala de tempo que não seja a maior de todas — 600 milhões de anos de vida sobre a Terra — as espécies não evoluem do simples para o complexo e a vida não se move assim tão simplesmente do caos para a ordem. A história da vida é toda marcada por começos fracassados, experiências que falharam, pequenas extinções e extinções em massa, e recomeços caóticos. Não se parece nem um pouco com aquelas figuras coloridas das revistas que mostram a vida evoluindo da primeira célula viva até os humanos. Entretanto, mesmo numa escala maior de tempo, a Segunda Lei permite esta mudança porque a Terra está dentro de um sistema que recebe energia externa do Sol continuamente. Enquanto o Sol brilhar, a vida poderá continuar progredindo e evoluindo, da mesma forma que os automóveis podem ser protegidos da corrosão, hambúrgueres podem ser aquecidos no forno e muitas outras coisas que parecem violar a Segunda Lei e a entropia podem continuar existindo. Mas, assim que o Sol se apagar, a entropia voltará a aumentar e a vida acabará. A Segunda Lei da Termodinâmica se aplica a sistemas fechados e isolados. Como a Terra recebe um fluxo constante de energia do Sol, a entropia deve diminuir e a ordem aumentar (mesmo que o Sol esteja caminhando para o fim durante este processo). Deste modo, a Terra não é exatamente um sistema fechado e a vida pode evoluir sem violar a lei natural. Além disto, pesquisas recentes sobre a teoria do caos mostram que a ordem pode ser e é gerada espontaneamente a partir de um caos aparente, sem violar a Segunda Lei da Termodinâmica. A evolução não contraria a Segunda Lei da Termodinâmica assim como não se contraria a lei da gravidade quando se dá um&nbsp;pulo.</p>
<p><strong> 17. Até mesmo a mais simples forma de vida é complexa demais para ter surgido aleatóriamente. Considere um organismo simples constituído de apenas 100 partes. Matematicamente, há 10 elevado a 158 possíveis maneiras de se combinarem as partes. Não há moléculas suficientes no universo para atingir este número ou tempo desde o início do universo para que todas essas possíveis combinações ocorram até mesmo numa forma de vida tão simples, quanto mais num ser humano. O próprio olho humano sozinho já é difícil de se explicar por meio de uma evolução aleatória. Equivale a um macaco conseguir digitar Hamlet ou mesmo apenas “to be or not to be”. Não acontecerá por&nbsp;acaso.</strong></p>
<p>A seleção natural não é “aleatória” nem funciona com base no “acaso”. A seleção natural preserva o que dá certo e elimina os erros. O olho evoluiu de uma única célula sensível à luz até o complexo olho de hoje em dia através de centenas, talvez milhares de passos intermediários, muitos dos quais ainda existem na natureza. Para que o macaco conseguisse digitar as 13 primeiras letras do monólogo de Hamlet por sorte, seriam necessárias 26 elevado a 13 tentativas. Isto é 16 vezes o tempo que decorreu desde o início do sistema solar. Porém, se cada letra correta é preservada e cada letra incorreta é eliminada, o processo ocorre muito mais rápido. Quanto mais rápido? Richard Hardison criou um programa de computador que selecionava as letras, mantendo as certas e eliminando as erradas, e só foram necessárias 335,2 tentativas para se chegar à sequência de letras TOBEORNOTTOBE. O computador levou menos de 90 segundos para isto. A peça inteira de Shakespeare pode ser “montada” em uns 4,5&nbsp;dias!</p>
<p><strong> 18. A separação hidrodinâmica durante o Dilúvio explica a aparente sequência de fósseis ao longo dos estratos geológicos. Os organismos mais simples e ignorantes morreram no mar e estão nas camadas inferiores, enquanto que os mais complexos, inteligentes e rápidos morreram em locais mais&nbsp;elevados.</strong></p>
<p>Será que nem um único trilobita flutuou até um estrato superior? Será que nem um único cavalo burro estava na praia e se afogou num estrato inferior? Nenhum pterodáctilo voador conseguiu chegar acima da camada do Cretáceo? Não houve nenhum ser humano idiota que não tentou fugir da chuva? Falando de argumentos absurdos, tente imaginar como um barco de 150m de comprimento por 25m de largura e 15m de altura conseguiria abrigar dois indivíduos de cada uma das espécies na Terra, algo entre 10 a 100 milhões delas. Isto é um problema até para os criacionistas, portanto eles alegam que só havia 30.000 espécies, sendo que o resto se desenvolveu a partir deste grupo inicial, o que faz dos criacionistas os maiores defensores da evolução rápida! Além disto, como você alimentaria 60.000 animais por 371 dias? Pior ainda, como você impediria que 60.000 animais devorassem uns aos outros? E o pior de tudo, quem cuidava da&nbsp;limpeza?</p>
<p><strong> 19. As técnicas de datação dos evolucionistas estão erradas, não merecem confiança e chegam a resultados aleatórios. Elas dão a falsa impressão de que a Terra é muito antiga quando, na verdade, ela não tem mais que 10 mil anos, o que já foi demonstrado pelo Dr. Thomas Barnes, da Universidade do Texas, em El Paso. Ele provou que a meia-vida do campo magnético da Terra é de 1.400&nbsp;anos.</strong></p>
<p>Em primeiro lugar, o argumento do campo magnético de Barnes assume erradamente que o decaimento do campo magnético é linear quando, na verdade, a geofísica demonstra que ele flutua ao longo do tempo. Além disto, chega a ser engraçado ver como os criacionistas descartam sem maiores comentários todas as técnicas de datação exceto aquelas que parecem confirmar suas crenças. Acontece que as várias técnicas de datação já provaram não apenas ser bastante confiáveis como também confirmam os resultados umas das outras. Por exemplo, as datações obtidas usando-se diferentes elementos em uma mesma rocha indicam todas a mesma&nbsp;antiquidade.</p>
<p><strong> 20. A classificação dos organismos acima do nível das espécies é arbitrária e inventada por humanos. A taxonomia não prova&nbsp;nada.</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>A ciência da classificação é, sem dúvida, uma criação do homem, assim como todas as ciências. Entretanto, o agrupamento dos organismos não tem nada de arbitrário, ainda que haja alguma subjetividade envolvida. O objetivo básico da cladística é fazer com que a taxonomia não seja subjetiva. A classificação hierárquica dividida em itens e sub-itens é uma das principais fontes de evidências de que houve uma evolução. Não há nada arbitrário, por exemplo, em se classificar humanos e chimpanzés em separado. Ninguém confunde um com o outro. Um teste interessante desta afirmação é perceber que culturas diferentes chegam às mesmas conclusões. Por exemplo, biólogos ocidentais e nativos da Nova Guiné identificam os mesmos tipos de pássaros como sendo espécies separadas. Tais agrupamentos realmente existem na&nbsp;natureza.</p>
<p><strong> 21. Se a evolução fosse gradual, não deveria haver lacunas entre as espécies, tornando a classificação (taxonomia)&nbsp;impossível.</strong></p>
<p>A evolução nem sempre é gradual. Com frequência, ela é esporádica. E os evolucionistas nunca disseram que não deveria haver lacunas. As lacunas não provam o criacionismo assim como períodos não documentados da história humana não provam que civilizações surgiram de&nbsp;repente.</p>
<p><strong> 22. “Fósseis vivos” como o celacanto e o caranguejo-ferradura (límulo) provam que toda a vida foi criada de uma só vez. </strong></p>
<p>Neste caso, o que dizer de todas as espécies extintas? Foram erros de Deus? Fósseis vivos (organismos que não mudaram por milhões de anos) apenas indicam que eles se adaptaram de uma tal forma ao seu meio ambiente estático e sem mudanças que não precisaram mudar&nbsp;mais.</p>
<p><strong> 23. O problema das estruturas incompletas refuta completamente a seleção natural: uma nova estrutura que se desenvolve lentamente ao longo do tempo não representaria uma vantagem para o organismo no início ou nos estágios intermediários, e sim apenas quando já estivesse totalmente desenvolvida, o que só acontece por meio de criação divina. Por exemplo: de que servem 5% de uma asa ou 55%? Para ser útil, tem que ser tudo ou&nbsp;nada.</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>Uma asa incompleta pode ser alguma outra coisa completa, como um regulador térmico para répteis ectotérmicos (que dependem de fontes externas de calor). E não é verdade que uma coisa em seus estágios iniciais seja completamente inútil. É melhor ter visão parcial que cegueira completa. É uma vantagem ser capaz de planar, mesmo que você não consiga um vôo totalmente&nbsp;controlado.</p>
<p><strong> 24. Estruturas homólogas (a asa do morcego, a nadadeira da baleia, o braço humano) são uma prova do design&nbsp;inteligente.</strong></p>
<p>É claro que, se apelarem para milagres e intervenções divinas, os criacionistas podem selecionar e escolher qualquer coisa na natureza como prova da ação de Deus e então ignorar o resto. Por outro lado, as estruturas homólogas não fazem nenhum sentido se partirmos do princípio de que Deus criou tudo do jeito que é hoje. Por que uma baleia deveria ter os mesmos ossos em sua nadadeira que um homem tem em seu braço ou um morcego em sua asa? Não há nenhum motivo. Um designer inteligente poderia fazer bem melhor que isto. Pelo contrário, estas estruturas similares indicam uma ancestralidade comum seguida de modificações, e não uma criação&nbsp;divina.</p>
<p><strong>25. “A Bíblia é o registro da Palavra de Deus … tudo o que ela afirma é histórica e cientificamente verdadeiro. O Dilúvio universal descrito no Gênesis foi um evento histórico, e com efeito e extensão mundiais. Nós somos uma organização de homens de ciência cristãos que aceitam Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. A narrativa da criação divina de Adão e Eva como um homem e uma mulher e sua posterior queda em pecado são a base para nossa crença na necessidade de um Salvador para toda a&nbsp;humanidade”.</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>Uma tal declaração de fé é claramente religiosa, e não científica. Isto não a torna necessariamente errada, só que o criacionismo científico é, na verdade, criacionismo religioso e, desta forma, ultrapassa a barreira que separa religião e Estado. Em escolas particulares fundadas e/ou controladas por criacionistas, é direito deles ensinar a suas crianças o que quer que seja que eles queiram. Entretanto, querer que o Estado force os professores a ensinar uma doutrina religiosa como se fosse científica é irracional e&nbsp;oneroso.</p>
<!-- boo-widget start -->
					<script type="text/javascript">
					bb_keywords = "Evolução";
					bb_bid  = "4220";
					bb_lang  = "pt-BR";
					bb_name = "custom";
					bb_width = "570";
					bb_limit = "5";
					</script>
					<script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
					<!-- boo-widget end -->]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/25-argumentos-criacionistas-25-respostas-evolucionistas/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A ciência é baseada na fé?</title>
		<link>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/a-ciencia-e-baseada-na-fe/</link>
		<comments>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/a-ciencia-e-baseada-na-fe/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Apr 2008 18:48:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alenônimo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>

		<category><![CDATA[Ciência]]></category>

		<category><![CDATA[Evolução]]></category>

		<category><![CDATA[Método Científico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ateusdobrasil.com.br/?p=208</guid>
		<description><![CDATA[Não.
Ah, você quer detalhes? Então&#160;tá.
Se você ler quaisquer baboseiras anti-científicas que existem por aí, mais cedo ou mais tarde muitas irão alegar que a ciência é baseada na fé tanto quanto uma religião. Por exemplo, o famigerado site americano Answers in Genesis tem isto a dizer sobre&#160;ciência:
Muito do problema surge dos diferentes pontos de partida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não.</p>
<p>Ah, você quer detalhes? Então&nbsp;tá.</p>
<p>Se você ler quaisquer baboseiras anti-científicas que existem por aí, mais cedo ou mais tarde muitas irão alegar que a ciência é baseada na fé tanto quanto uma religião. Por exemplo, o famigerado site americano Answers in Genesis <a title="Are We Anti-Science? - Answers in Genesis" href="http://www.answersingenesis.org/get-answers/features/anti-science">tem isto a dizer</a> sobre&nbsp;ciência:</p>
<blockquote><p>Muito do problema surge dos diferentes pontos de partida de nossa divergência com os Darwinistas. Todo mundo, cientista ou não, precisa começar suas buscas por conhecimento com algum axioma improvável — alguns acreditam <em>a priori</em> em como devem ser feitos as experiências e deduzir outras verdades. Este ponto de partida, seja ele qual for, só pode ser aceito pela fé; eventualmente, em cada sistema de crença, haverá algum pressuposto fundamental improvável para o raciocínio (já que uma regressão infinita é&nbsp;impossível).</p></blockquote>
<p>Isto está <em>completamente</em> errado. Isto mostra (sem surpresa alguma) uma profunda ignorância  de como a ciência funciona. Ciência <em>não é</em> baseada na fé, e aqui está o&nbsp;porquê.</p>
<p><span id="more-208"></span>O método científico faz uma, e apenas uma, assunção: o Universo obedece uma série de regras. É isto. Há um corolário, e este é que se o Universo segue estas regras, então estas regras podem ser deduzidas observando como o Universo se comporta. Isto se segue naturalmente; se ele obedece as regras, então as regras devem ser reveladas por este&nbsp;comportamento.</p>
<p>Um exemplo bem simples: nós vemos objetos girando em torno do Sol. O movimento parece seguir certas regras: as órbitas são sessões cônicas (elipses, círculos, parábolas, hipérbolas), os objetos se movem mais rapidamente quando estão mais perto do Sol, se eles se moverem rápido demais eles escapam para sempre, e assim por&nbsp;diante.</p>
<p>A partir destas observações, nós podemos aplicar equações matemáticas para descrever esses movimentos, e então usá-los para prever matematicamente onde um determinado objeto estará em uma data futura. Adivinhem só? <em>Funciona.</em> E funciona tão bem que nós podemos mandar sondas à objetos bilhões de quilômetros de distância e ainda assim  acertar o alvo com uma precisão fenomenal. Isto suporta a nossa conclusão de que a matemática está correta. Isto, portanto, implica <em>fortemente</em> que o Universo está seguindo suas próprias regras, e que nós podemos&nbsp;descobrí-las.</p>
<p>Agora, é claro que este foi um exemplo bem simples, e que não se pretende ser completo, mas ele nos dá uma idéia de como isso funciona. Agora pense nisto: o computador onde você está lendo isto surgiu inteiramente por causa da ciência. os circuitos são o resultado final de décadas, séculos de exploração em como a eletricidade funciona e como as partículas quantum funcionam. O monitor é um triunfo da engenharia científica, mesmo que seja um CRT ou um LCD de tela plana. O mouse pode usar um LED, ou uma simples combinação de bolinha-com-roda. O teclado usa molas, o sistema wireless usa tecnologia de rádio, os alto-falantes usam eletromagnetismo. [1. A ironia do Answering in Genesis estar denegrindo a ciência em um <em>website</em> é até&nbsp;engraçada.]</p>
<p>Olhe ao redor. Carros, aviões, edifícios. iPods, livros, roupas. Agricultura, desentupimento, esgoto. Lâmpadas, aspiradores de pé, fornos. Estes são todos produtos da pesquisa científica. Se você vê sua TV quebrar, você pode rezar para que ela espontaneamente volte a funcionar melhor, mas minha aposta estaria na verdade em alguém que aprendeu em como consertá-la baseado em princípios científicos e&nbsp;engenharia.</p>
<p>Todo o conhecimento que nós acumulamos através de milênios se unem em uma harmoniosa sinfonia da ciência. Nós não estamos advinhando aqui: esta coisa foi designada usando conhecimentos anteriores desenvolvidos de maneira científica sobre séculos. <em>E funciona.</em> Tudo isso serve para suportar nossa assunção sujacente de que o Universo obedece regras que nós podemos&nbsp;deduzir.</p>
<p>Há buracos nesse conhecimento? <em>Claro que sim.</em> A ciência não tem todas as respostas. Mas a ciência é uma ferramenta, um poder que seus detratores nunca parecem&nbsp;compreender.</p>
<p><em>Ciência não é simplismente um banco de dados de conhecimento.</em> É um método, uma maneira de <strong>encontrar</strong> este conhecimento. Observar, hipotetizar, predizer, observar, revisar. Ciência é provisória; ela está sempre aberta a melhorias. Ciência está até mesmo sujeita a sí própria. Se o método em sí não funcionar, nós podemos ver isso. Nossos computadores não iriam funcionar (Ok, péssimo exemplo), nossas sondas espaciais não sairiam do chão, nossos produtos eletrônicos não iriam funcionar, nossa medicina não iria funcionar. Mesmo assim, todas essas coisas na verdade funcionam, espetacularmente bem. Ciência é uma checagem em sí mesma, e é por isso que possui a impressionante e poderosa maneira de entender a&nbsp;realidade.</p>
<p>E é bem aqui onde a ciência e a religião se separam. <strong>Ciência <em>não é</em> baseada na fé.</strong> Ciência é baseada em <strong>evidências</strong>. Nós temos evidências de que funciona, uma imensidão delas, bilhões de peças individuais que se encaixam juntas em uma tapeçaria de realidade. <em>Esta</em> é a diferença crucial. Fé, como é interpretada pela maioria das religiões, não é baseada em evidências, e é geralmente mantida rigidamente mesmo <em>apesar</em> das evidências em contrário. Em muitos casos, fé é até mesmo reforçada quando evidência em contrário são&nbsp;encontradas.</p>
<p>Dizer que precisamos aceitar a ciência como fé é de uma ignorância tamanha em como ela funciona que somente pode ser proferida por alguém que é absurdamente ignorante em como a própria realidade&nbsp;funciona.</p>
<p>Da próxima vez que alguém tentar te dizer que a ciência é tão baseada em fé quanto as religiões, ou que a evolução é uma religião, mande-os para cá. Talvez a evidência da ciência pode elucidá-los. Talvez não; é difícil dissuadir alguém de uma posição na qual elas mesmo não raciocinaram. Mas na próxima vez em que eles estiverem em um computador, talves eles irão ter uma visão um pouquinho mais crítica sobre o assunto, e se perguntarão se seu funcionamento é um milagre, ou o resultado de mentes brilhantes sobre muitas gerações minando sobre a metodologia&nbsp;científica.</p>
<p><span>Fonte: <a href="http://www.badastronomy.com/bablog/2008/02/18/is-science-faith-based/">Is science faith based?</a> do <a href="http://www.badastronomy.com/">Bad Astronomy Blog</a><br />
Tradução: <a title="Alenônimo.com.br" href="http://alenonimo.com.br/">Alenônimo</a><br />
</span></p>
<!-- boo-widget start -->
					<script type="text/javascript">
					bb_keywords = "Método Científico";
					bb_bid  = "4220";
					bb_lang  = "pt-BR";
					bb_name = "custom";
					bb_width = "570";
					bb_limit = "5";
					</script>
					<script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
					<!-- boo-widget end -->]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/a-ciencia-e-baseada-na-fe/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>O Grande Desafio Tântrico</title>
		<link>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/o-grande-desafio-tantrico/</link>
		<comments>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/o-grande-desafio-tantrico/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 21:52:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alenônimo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>

		<category><![CDATA[Epic Fail]]></category>

		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<category><![CDATA[Tantra]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ateusdobrasil.com.br/?p=196</guid>
		<description><![CDATA[Em 3 de Março de 2008, em um show de TV popular da Índia, Sanal Edamaruku, presidente da Rationalist International, desafiou o mais “poderoso” tântrico (mago negro) da Índia a demonstrar seus poderes nele. Este foi o início de um experimento sem precedentes. Depois que todas as entoações de mantra (palavras mágicas) e cerimônias de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 3 de Março de 2008, em um show de TV popular da Índia, Sanal Edamaruku, presidente da Rationalist International, desafiou o mais “poderoso” tântrico (mago negro) da Índia a demonstrar seus poderes nele. Este foi o início de um experimento sem precedentes. Depois que todas as entoações de mantra (palavras mágicas) e cerimônias de tantra falharam, o tântrico decidiu matar Sanal Edamaruku com a “cerimônia de destruição definitiva” na TV ao vivo. Sanal Edamaruku concordou e sentou no altar do ritual de magia negra. A India TV viu sua audiência subir feito um&nbsp;foguete.</p>
<p>Tudo começado, quando Uma Bharati (ex-ministra do estado de Madhya Pradesh) acusou seus oponentes políticos em uma declaração pública de usarem poderes tântricos para lhe infligir dano. Na verdade, dentro de poucos dias, a azarada senhora perdeu seu tio favorito, acertou a porta de seu carro contra sua cabeça e encontrou suas pernas cobertas com feridas e&nbsp;bolhas.</p>
<p>A India TV, um dos maiores canais hindus de televisão com alcance nacional, convidou Sanal Edamaruku para uma discussão sobre “Poderes Tântricos versus Ciência”. Pandit Surinder Sharma, que alega ser o tântrico dos maiores políticos e é muito bem conhecido por seus shows de televisão, representou o outro lado. Durante a discussão, o tântrico mostrou uma massa de farinha de trigo com uma forma humana, passou uma linha em volta em formato de laço e a apertou. Ele alegou que ele poderia matar qualquer pessoa que quisesse dentro de três minutos usando magia negra. Sanal o desafiou a tentar e&nbsp;matá-lo.</p>
<p><span id="more-196"></span>O tântrico tentou. Ele entoou seus mantras: “Om lingalingalinalinga, kilikili…” Mas seus esforços não mostraram qualquer impacto em Sanal — nem dentro de três minutos, e nem depois de cinco. O tempo foi extendido e extendido de novo. O programa da discussão original deveria ter acabado aqui, mas o “plantão” do desafio tantra foi tomando conta de toda a grade da&nbsp;programação.</p>
<p>Agora o tântrico mudou sua técnica. Ele começou a espirrar água no Sanal e a brandir uma faca na frente dele. Algumas vezes ele movia a lâmina por todo o seu corpo. Sanal não se mexeu. Então ele tocou a cabeça de Sanal com suas mãos, esfregando e enrugando todo o seu cabelo, pressionando sua testa, colocando sua mão sobre seus olhos, pressionando seus dedos contra suas têmporas. Quando ele começou a pressionar cada vez mais forte, Sanal o lembrou de que ele deveria usar apenas magia negra, sem atacá-lo   força para nocauteá-lo. O tântrico começou uma nova rodada: água, faca, dedos, mantras. Mas Sanal continuou parecendo muito saudável e até se&nbsp;divertindo.</p>
<p>Depois de quase duas horas, o âncora declarou a falha do tântrico. Ele, não querendo admitir a derrota, tentou dar a desculpa de que um deus muito forte ao qual Sanal estivesse adorando o estivesse protegendo. “Não, eu sou ateu”, disse Sanal Edamaruku. Finalmente, o tântrico humilhado tentou salvar sua pele alegando que havia uma magia negra especial infalível para destruição definitiva, que poderia, entretanto, ser feita apenas   noite. Má sorte novamente, pois ele não conseguiu se safar com isso mas sim foi desafiado a provar sua alegação naquela mesma noite em um programa “de plantão” ao&nbsp;vivo.</p>
<p>Durante as próximas três horas, a <em>India TV</em> colocou no ar anúncios para <em>O Grande Desafio Tântrico</em> que chamaram centenas de milhões de pessoas aos seus aparelhos de&nbsp;TV.</p>
<p>O encontro aconteceu debaixo de uma noite de céu aberto. O tântrico e seus dois assistentes estavam atiçando uma fogueira e olhavam compenetrados em suas chamas. Sanal estava de bom humor. Assim que a mágica definitiva fosse invocada, não haveria caminho de volta, alertou o tântrico. Dentro de dois minutos, Sanal iria ficar maluco, e um minuto depois ele gritaria de dor e morreria. Ele não queria salvar sua vida antes que fosse tarde demais? Sanal riu, e a contagem regressiva começou. Os tântricos entoavam seus “Om lingalingalingalinga, kilikilikili…” seguidos por cataratas de palavras e sons que mudavam   toda hora. A velocidade aumentou histericamente. Eles jogaram todos os tipos de ingredientes mágicos nas chamas que produziam diversas cores, sons de chiados e estalos e uma fumaça branca. Enquanto entoava, o tântrico chegou perto de Sanal, moveu suas mãos na frente dele e o tocou, mas foi chamado a recuar de volta pelo âncora. Depois das tentativas anteriores do tântrico de usar a força contra Sanal, ele foi avisado para tomar distância e evitar de encostar em Sanal. Mas o tântrico “esquecia” dessa regra de novo e de&nbsp;novo.</p>
<p>Agora o tântrico escreveu o nome de Sanal em um pedaço de papel, o rasgou em pequenos pedaços, mergulhou-os dentro de um caldeirão com óleo de manteiga borbulhante e os jogou dramaticamente nas chamas. Nada aconteceu. Cantando e cantando, ele jogou água em Sanal, esfregou um punhado de penas de pavão sobre sua cabeça, jogou sementes de mostarda no fogo e outras coisas mais. Sanal riu, nada aconteceu, e o tempo estava acabando. Com somente mais sete minutos até a meia-noite, o tântrico decidiu usar sua arma definitiva: a massaroca de farinha de trigo. Ele a amassou e pulverizou com ingredientes misteriosos, então pediu para que Sanal a tocasse. Sanal o fez, e a grande magia final começou. O tântrico furou brutalmente agulhas na massa, então a cortou ferozmente com uma faca e tacou seus pedaços na fogueira. Naquele momento, Sanal deveria ter entrado em pânico. Mas não entrou. Ele riu. Quarenta segundos mais, contados pelo âncora, vinte, dez, cinco…&nbsp;acabou!</p>
<p>Milhões de pessoas devem ter proferidos suspiros de alívio na frente de suas TVs. Sanal estava muito bem vivo. O poder Tantra falhou miseravelmente. Tântricos haviam criado uma atmosfera tão assustadora que, mesmo quem sabia que magia negra não tinha fundamento, poderia entrar em pânico, comentou um cientista durante o programa. Necessita-se de enorme coragem e confiança para desafiá-los a colocar sua própria vida em risco, ele disse. Ao fazê-lo, Sanal Edamaruku quebrou o feitiço, e removeu muito do medo de todos os que testemunharam este&nbsp;triunfo.</p>
<p>Naquela noite, uma das superstições mais perigosas e difundidas na Índia sofreu um golpe&nbsp;severo.</p>
<p><strong>Fonte:</strong> <a href="http://www.rationalistinternational.net/article/2008/20080310/en_1.html">Rationalist International<br />
</a><strong>Tradução:</strong> <a href="http://www.rationalistinternational.net/article/2008/20080310/en_1.html"></a><a href="http://alenonimo.com.br/">Alenônimo</a></p>
<!-- boo-widget start -->
					<script type="text/javascript">
					bb_keywords = "Epic Fail";
					bb_bid  = "4220";
					bb_lang  = "pt-BR";
					bb_name = "custom";
					bb_width = "570";
					bb_limit = "5";
					</script>
					<script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
					<!-- boo-widget end -->]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/o-grande-desafio-tantrico/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Falácias Astrológicas</title>
		<link>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/falacias-astrologicas/</link>
		<comments>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/falacias-astrologicas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Jan 2007 23:44:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alenônimo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ateusdobrasil.local/artigos/ceticismo/falacias_astrologicas.php</guid>
		<description><![CDATA[Em todos os jornais, é lugar-comum encontrar uma coluna de Astrologia; em programas televisivos e de rádio, são chamados especialistas sobre o assunto para expressarem suas “gabaritadas” opiniões, sejam elas sobre a carreira de um artista ou sobre o futuro econômico do país. Mas afinal, a astrologia é digna de crédito? Esse misticismo que adora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em todos os jornais, é lugar-comum encontrar uma coluna de Astrologia; em programas televisivos e de rádio, são chamados especialistas sobre o assunto para expressarem suas “gabaritadas” opiniões, sejam elas sobre a carreira de um artista ou sobre o futuro econômico do país. Mas afinal, a astrologia é digna de crédito? Esse misticismo que adora se travestir de ciência, costuma utilizar o <a href="/artigos/ceticismo/logica_falacias.php#tradicao">“apelo a antiguidade”</a> para se auto-afirmar como um sistema sólido. Como se a idade de uma crença tivesse alguma relação com sua&nbsp;veracidade.</p>
<p>Acreditando que planetas, satélites e estrelas influenciam na personalidade, humor e no “destino” das pessoas, a astrologia assume lugar de destaque como uma das pseudociências mais populares. É realmente lastimável que a esmagadora maioria dos seus adeptos nunca questionou a obscura metodologia adotada por ela.<span id="more-17"></span></p>
<p>Em primeiro lugar devo constatar que constelações são apenas falsos padrões, atribuições arbitrárias de formas, a um número qualquer de estrelas, de acordo com sua visualização aqui da Terra. Como o padrão é arbitrário, onde alguns povos viram um Urso outros identificaram um desenho totalmente diferente. Essas estrelas não têm relação entre si senão a que impomos a elas, pois distam dezenas de anos-luz uma das outras, e algumas nem mais existem, chegando até nós apenas sua luminosidade. Sendo o universo dinâmico, a posição relativa entre as estrelas muda com o tempo, por isso, se os mesmos povos que identificaram animais e heróis no céu pudessem visualizá-lo nos dias de hoje, provavelmente encontrariam outras&nbsp;configurações.</p>
<p>A hipótese de que os desenhos criados por nós ao ligar pontos luminosos do firmamento atuem em nossas vidas é, no mínimo, infundada. Analogamente poderíamos defender que as pessoas que são atingidas pela chuva de uma nuvem com formato de coelho, se tornariam mais ágeis e férteis, ou que uma mulher ao conceber um menino sob uma pedra de formato fálico garantiria sua virilidade, pois todas as duas hipóteses se apóiam em alicerces similares aos da&nbsp;astrologia.</p>
<p>Agora falemos dos planetas. Para a sociedade greco-romana os planetas representavam deuses, e foi associando os astros  s divindades que surgiram os nomes destes. Mercúrio tem o período sinódico (tempo que planeta leva para voltar ao seu ponto de partida, visto da Terra) mais curto, fora relacionado com o veloz mensageiro dos deuses, Hermes em grego. A cor avermelhada de Marte lhe rendeu o batismo com o nome do deus da Guerra, Ares em grego. Vênus é um dos corpos celestes mais bonitos e brilhantes, também conhecida como jóia do céu e estrela da manhã, por sua exuberância merecera ser chamada pelo nome da deusa da beleza e do amor, Afrodite em grego. Júpiter o maior de todos os planetas tem o nome do maior de todos os deuses, Zeus em grego. Saturno pela lentidão de sua órbita foi associado ao deus do tempo, Chronos em grego. Os efeitos astrológicos destes planetas são muito similares ou os mesmos que se atribuíam aos seus respectivos deuses correspondentes, tornando a astrologia tão ligada   mitologia grega quanto o cristianismo aos&nbsp;evangelhos.</p>
<p>Os planetas descobertos depois, que não podem ser vistos a olho nu, também receberam nomes de deuses gregos. Embora já não tivesse nenhuma carga mística, era desejável manter algum padrão. Plutão, por exemplo, é o mais afastado do Sol (exceto por determinados anos de sua órbita, quando fica   frente de Netuno), recebendo menor incidência de luz. Para simbolizar seu aspecto sombrio foi escolhido o deus do mundo subterrâneo, dos mortos, das trevas, Hades em grego. O mais intrigante é que novamente temos um efeito astrológico análogo ao efeito simbólico da divindade grego-romana. Indivíduos com essa regência seriam mais misteriosos, tenderiam ao ocultismo e talvez até tivessem afinidade literária pelo romantismo mal-do-século. Como podemos ver até agora, a cientificidade da astrologia é&nbsp;nula.</p>
<p>Muitos de nós já ouvimos o argumento <q>A Lua influencia as marés dos oceanos, como nosso corpo tem 70% de água nos influencia também.</q> Poderia ser persuasivo num primeiro segundo, mas alguém já viu o poderoso efeito lunar em copos d&#8217;água e pratos de sopa? Piscinas talvez? Isso acontece porque a lua afeta apenas massas não confinadas de água. O astrônomo Kepler de Souza O. Filho resume em algumas palavras como funciona este mecanismo: <q>A idéia básica da maré provocada pela Lua, por exemplo, é que a atração gravitacional sentida por cada ponto da Terra devido   Lua depende da distância do ponto   Lua. Portanto a atração gravitacional sentida no lado da Terra que está mais próximo da Lua é maior do que a sentida no centro da Terra, e a atração gravitacional sentida no lado da Terra que está mais distante da Lua é menor do que a sentida no centro da Terra. Portanto, em relação ao centro da Terra, um lado está sendo puxado na direção da Lua, e o outro lado está sendo puxado na direção contrária. Como a água flui muito facilmente, ela se ‘empilha’ nos dois lados da Terra, que fica com um bojo de água na direção da Lua e outro na direção contrária.</q> Por isso não há efeito de maré em uma região com volume tão pequeno quanto o de uma bacia, de uma piscina ou até mesmo de um açude, pois distintos pontos dessas regiões estão praticamente eqüidistantes do astro atrator, sofrendo uma força de maré, constante em todo o volume de líquido e, portanto, incapaz de deformá-lo. Um outro ponto importante é lembrar que a força gravitacional é proporcional a massa, mas inversamente proporcional ao quadrado da distância, <q>Qualquer movimento trivial, como se levantar de uma cadeira, ou simplesmente caminhar pela rua, produz uma aceleração milhões de vezes maior do que a provocada pela gravidade da Lua</q>, lembra o astrofísico Vítor&nbsp;D&#8217;Ávilla.</p>
<p>Mesmo que sejamos insistentemente lembrados das marés pelos astrólogos, fenômeno correlacionado com a gravidade, as influências dos astros não se dão por essa força. Ao calcular o horóscopo, eles adotam que Marte produz o mesmo efeito astrológico quando está do mesmo lado do Sol que a Terra e quando está do outro lado do Sol, cinco vezes mais distante. Se a distância não é considerada nos cálculos, por que não levar as outras galáxias, quasares e etc? Também não depende da massa, pois a massa de Júpiter é 318 vezes a da Terra, já Plutão tem 0,18% da massa da Terra. O que também não é considerado nos cálculos. Se não depende da massa por que não relevar asteróides, cometas e os satélites de outros planetas? Se não depende da massa nem da distância não tem nenhuma relação com a gravidade. Aliás, não dependendo da distância não tem nenhuma relação com qualquer força conhecida pela&nbsp;Física.</p>
<p>Outro fato de extrema relevância é que a forma mais popular desta pseudociência, a vista nos horóscopos dos jornais, é praticamente a mesma de Ptolomeu do século 2 <abbr title="depois de Cristo">d.C.</abbr>, inclusive com a Terra no centro do Sistema Solar. Ignorando completamente a precessão dos equinócios, que moveu os pontos de equinócio e solstício para o oeste cerca de 30 graus nos últimos 2.000 anos. Devido   precessão dos equinócios, o Sol atualmente cruza Áries de 18 de abril a 12 de maio, Touro de 13 de maio a 20 de junho, Gêmeos de 21 de junho a 19 de julho, Câncer de 20 de julho a 9 de agosto, Leão de 10 de agosto a 15 de setembro, Virgem de 16 de setembro a 30 de outubro, Libra de 31 de outubro a 22 de novembro, Escorpião de 23 de novembro a 28 de novembro, Ofiúco de 29 de novembro a 16 de dezembro, Sagitário de 17 de dezembro a 18 de janeiro, Capricórnio de 19 de janeiro a 15 de fevereiro, Aquário de 16 de fevereiro a 11 de março e Peixes de 12 de março a 17 de abril. Ou seja, cerca de 83% das pessoas nem ao menos são do signo que acham que&nbsp;são.</p>
<p>Por que então uma significativa parcela da população tende a imaginar que os signos traçam corretamente a personalidade dos indivíduos? Isso se deve principalmente ao <strong>Efeito Forer</strong>, também conhecido como validação subjetiva. O psicólogo B.R. Forer descobriu que as pessoas tendem a aceitar descrições vagas e gerais de personalidades como unicamente aplicáveis a si próprios sem perceber que a mesma descrição pode ser aplicada a quase qualquer pessoa. Por exemplo: <q>Tem necessidade de que as outras pessoas gostem de você e o admirem, mas é critico consigo mesmo. Embora tenha algumas fraquezas, é geralmente capaz de compensá-las. Tem ainda capacidades não utilizadas, que ainda não usou em seu proveito. Disciplinado e com autocontrole por fora, tende a ser inseguro no íntimo. Por vezes tem sérias dúvidas se tomou a decisão correta ou se agiu corretamente. Prefere uma certa mudança e variedade e não gosta de restrições e limitações. Tem também orgulho no seu modo de pensar independente; e não aceita afirmações de outrem sem prova satisfatória. Mas descobriu que não é bom ser franco demais ao revelar-se aos outros. Por vezes é extrovertido, afável e sociável, enquanto noutras vezes é introvertido e reservado. Algumas das suas aspirações tendem a ser irrealistas.</q> Esta análise de personalidade foi dada a vários estudantes do curso de Psicologia, fingindo-se tratar de um diagnóstico particular. Foi pedido aos alunos que dessem uma nota de 0 a 5, dizendo quão perfeita é a descrição. A média foi 4,26. Num outro experimento similar com 20 adolescentes do sexo feminino de escolas públicas, a média foi 8,3, numa escala de 0 a&nbsp;10.</p>
<p>Geoffrey Dean inverteu os perfis astrológicos de 22 pessoas, ou seja, substituiu as frases do horóscopo por outras que significavam o oposto. Ainda assim, as pessoas continuaram a afirmar que os perfis se adequavam a elas em 95% dos casos, a mesma freqüência das pessoas que receberam os horóscopos corretos. <em>(Dean, G. Does Astrology Need to be True? Part 1: A Look at the Real Thing, Skeptical Inquirer, 11,&nbsp;166,1987)</em>.</p>
<p>Devemos recordar que a maioria de nós tem um pouco de uma infinidade de adjetivos. Nós não nos resumimos a uma lógica binária “é” ou “não é”, “sim” ou “não”, “racional” ou “emocional”. Dificilmente alguém não tem em sua personalidade um certo grau de teimosia, impulsividade, simpatia, entre inúmeras outras características. Ficando muito fácil convencer uma pessoa de que conseguimos&nbsp;descrevê-la.</p>
<p>Dezenas de outros testes foram realizadas para apurar a eficácia da astrologia. O psicólogo Bernard Silverman, da Michigan State University, estudou o casamento de 2978 casais e o divórcio de 478 casais, comparando com as previsões de compatibilidade ou incompatibilidade dos horóscopos e não encontrou qualquer correlação. Pessoas “incompatíveis” casam-se e divorciam-se com a mesma freqüência que as&nbsp;“compatíveis”.</p>
<p>O físico John McGervey, da Case Western University, estudou as biografias e datas de nascimento de 6.000 políticos e 17.000 cientistas e não encontrou qualquer correlação entre a data de nascimento e a profissão, prevista pela&nbsp;astrologia.</p>
<p>Um teste duplo-cego da astrologia foi proposto e executado pelo físico Shawn Carlson, do Lawrence Berkeley Laboratory, Universidade da Califórnia. Grupos de voluntários forneceram informações para que uma organização astrológica bem estabelecida produzisse um horóscopo completo da pessoa, que também preenchia um questionário de personalidade completo, pré-estabelecido de comum acordo com os astrólogos. Estes tinham previsto antecipadamente que a taxa de acerto deveria ser maior do que 50%, mas, em 116 testes, a taxa de acerto foi de 34%, sendo que a taxa esperada pelo acaso neste teste em especial era de 33%! Os resultados foram publicados no artigo <em>A Double Blind Test of Astrology, S. Carlson, 1985, Nature, Vol. 318, p.&nbsp;419</em>.</p>
<p>Os astrônomos Roger Culver e Philip Ianna, autores do livro <em>Astrology: True or False, (1988, Prometheus Books)</em>, registraram as previsões publicadas de astrólogos famosos e suas organizações por cinco anos. Das mais de 3.000 previsões específicas, envolvendo muitos políticos, atores e outras pessoas notórias, somente 10% se&nbsp;concretizaram.</p>
<p>Na revista <em>Personality and Individual Differences</em>, 21(3), páginas 449-454 em 1996, foi exposto um trabalho de G. Dean que demonstrava que as diferenças de personalidade entre gêmeos idênticos não podem ser previstas através da&nbsp;astrologia.</p>
<p>Mesmo textos como esse não são capazes de erradicar a crença neste esoterismo sem sentido. Afinal seríamos influenciados por forças que não dependem da massa dos planetas nem de sua distância, mas sim do seu valor simbólico na mitologia grega. E esse efeito se daria no momento do nascimento. Por que não na concepção? Por que os nove meses de gestação são irrelevantes, importando apenas o momento do nascimento? Enquanto a mídia proliferar essas crendices bobas, não houver acesso a educação e não se desenvolver o pensamento crítico, os charlatões não morrerão de fome. Se existem mais coisas entre o céu e a terra, do que sonha nossa vã filosofia? Possivelmente, mas nenhuma delas é explicada pela&nbsp;Astrologia.</p>
<div class="textinfo"><strong>Autor:</strong> Leonardo Vasconcelos<br />
<strong>Nota:</strong> Quando este artigo foi escrito, Plutão ainda era considerado um planeta.</div>
<!-- boo-widget start -->
					<script type="text/javascript">
					bb_keywords = "Ceticismo";
					bb_bid  = "4220";
					bb_lang  = "pt-BR";
					bb_name = "custom";
					bb_width = "570";
					bb_limit = "5";
					</script>
					<script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
					<!-- boo-widget end -->]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/falacias-astrologicas/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Cinco grandes Equívocos sobre Evolução</title>
		<link>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/cinco-grandes-equivocos-sobre-evolucao/</link>
		<comments>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/cinco-grandes-equivocos-sobre-evolucao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Jan 2007 23:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alenônimo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ateusdobrasil.local/artigos/ceticismo/cinco_equivocos.php</guid>
		<description><![CDATA[Boa parte da razão dos argumentos criacionistas contra a evolução poderem ser tão persuasivos é por não lidarem com evolução, mas em vez disso argumentarem contra uma série de noções equivocadas que as pessoas estão certas em considerarem ridículas. Os criacionistas erroneamente crêem que seu conhecimento sobre evolução é o que a teoria diz realmente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Boa parte da razão dos argumentos criacionistas contra a evolução poderem ser tão persuasivos é por não lidarem com evolução, mas em vez disso argumentarem contra uma série de noções equivocadas que as pessoas estão certas em considerarem ridículas. Os criacionistas erroneamente crêem que seu conhecimento sobre evolução é o que a teoria diz realmente, e querem baní-la. Mas na verdade, eles nem mesmo tocaram no assunto de evolução.<span id="more-16"></span></p>
<p>(a situação em geral não melhora com a educação científica de baixa qualidade. Até mesmo muitos calouros nas faculdades de <a rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Biologia">Biologia</a> não entendem a teoria da&nbsp;evolução.)</p>
<p>As cinco proposições abaixo parecem ser os equívocos mais comuns baseados numa versão espantalho criacionista da evolução. Se você ouvir alguém fazendo qualquer uma delas, há excelentes chances dessa pessoa não conhecer suficientemente sobre a verdadeira teoria da evolução para formar uma opinião&nbsp;instruída:</p>
<ul class="bloco">
<li><a href="#1">A evolução nunca foi&nbsp;observada.</a></li>
<li><a href="#2">A evolução viola a 2ª Lei da&nbsp;Termodinâmica.</a></li>
<li><a href="#3">Não há fósseis&nbsp;transicionais.</a></li>
<li><a href="#4">A teoria da evolução diz que a vida surgiu, e prosseguiu evoluindo por&nbsp;acaso.</a></li>
<li><a href="#5">A evolução é apenas uma teoria, nunca foi&nbsp;provada.</a></li>
</ul>
<p>Abaixo se explica o porquê dessas afirmações estarem erradas. De forma breve e em algo simplificada; consulte as referências indicadas ao final para maior&nbsp;aprofundamento.</p>
<h3 id="1">“A evolução nunca foi&nbsp;observada”.</h3>
<p>Os biólogos definem a evolução como a mudança no conjunto de genes de uma população ao decorrer do tempo. Um exemplo é o dos insetos desenvolvendo resistência a pesticidas num período de poucos anos. Mesmo a maioria dos criacionistas reconhece que a evolução nesse nível é um fato. O que eles não reconhecem é que essa taxa de evolução é o bastante para produzir toda diversidade de todos os seres vivos a partir de um ancestral&nbsp;comum.</p>
<p>A origem de novas espécies pela evolução também foi observada, tanto em laboratório quanto na natureza. Veja, por exemplo Weinberg, J.R., V.R. Starczak, and D. Jorg, 1992, <q>Evidence for rapid speciation following a founder event in the laboratory.</q> Evolution 46: 1214-1220. A seção <q>Observed Instances of Speciation</q> (“Ocorrências de especiação observadas”), nos arquivos do talk.origins, apresenta vários exemplos&nbsp;adicionais.</p>
<p>Mesmo sem essas observações diretas, seria um engano dizer que a evolução não foi observada. A evidência não é limitada a ver algo acontecendo diante de seus olhos. A evolução permite fazer previsões sobre o que nós esperaríamos ver no registro fóssil, anatomia comparada, seqüências genéticas, distribuição geográfica de espécies, etc., e essas previsões foram verificadas diversas vezes. O número de observações corroborando a evolução é&nbsp;arrebatador.</p>
<p>O que não foi observado é um animal abruptamente transformando-se em um outro radicalmente diferente, como um sapo transformando-se em uma vaca. Isso não é um problema para a evolução pois não é proposto nada nem remotamente parecido com isso. Na verdade, se alguma vez observássemos um sapo transformar-se numa vaca, isso seria uma evidência muito forte contra a&nbsp;evolução.</p>
<h3 id="2">“A evolução viola a 2ª Lei da&nbsp;Termodinâmica.”</h3>
<p>Isso demonstra mais desconhecimento sobre termodinâmica que sobre evolução. A segunda lei da termodinâmica diz: <q>Não é possível um processo cujo único resultado seja a transferência de energia de um corpo mais frio para outro mais quente</q> [Atkins, 1984, The Second Law, pg. 25]. Você deve estar coçando sua cabeça e imaginando o que isso tem a ver com evolução. A confusão começa quando a segunda lei é colocada de maneira equivalente: <q>a entropia de um sistema fechado não pode diminuir</q>. Entropia é uma indicação de energia inutilizável e geralmente (mas não sempre) corresponde  s noções intuitivas de desordem e aleatoriedade. Criacionistas então interpretam erroneamente a segunda lei dizendo que as coisas invariavelmente progridem da ordem&nbsp;desordem.</p>
<p>De qualquer forma, eles negligenciam o fato de que a vida não é um sistema fechado. O sol provê energia mais que suficiente. Se um tomateiro maduro pode ter mais energia utilizável que a semente da qual ela cresceu, por que alguém deveria esperar que a próxima geração de tomates também não pudesse ter mais energia utilizável? Criacionistas  s vezes tentam contornar isso afirmando que a informação carregada pelos seres vivos os permite criar ordem. De qualquer modo, não apenas a vida é irrelevante para a segunda lei, mas ordem vinda da desordem é comum em sistemas não-vivos também. Flocos de neve, dunas de areia, tornados, estalactites, gradações de leitos fluviais, e relâmpagos são apenas alguns exemplos de ordem proveniente de desordem na natureza; nenhum requer um programa inteligente para alcançar tal ordem. Em qualquer sistema de alguma importância com um elevado fluxo de energia, você quase certamente encontrará ordem surgindo em algum lugar no sistema. Se a ordem vinda da desordem violasse a segunda lei da termodinâmica, por que seria um fato tão comum na&nbsp;natureza?</p>
<p>O argumento da termodinâmica contra a evolução mostra conhecimento equivocado tanto sobre evolução quanto sobre termodinâmica, já que um entendimento claro do funcionamento da evolução deveria revelar grandes falhas nesse argumento. A evolução diz que os organismos reproduzem-se com apenas pequenas mudanças entre as gerações (a prole é do mesmo tipo, pode-se dizer). Por exemplo, animais poderão ter membros um pouco mais longos ou curtos, finos ou grossos, claros ou escuros, que os de seus pais. Ocasionalmente, a mudança poderá levar a ter quatro ou seis dedos em vez de cinco. Uma vez que as diferenças aparecem, a teoria da evolução diz que poderá haver diferenciação no sucesso reprodutivo. Por exemplo, talvez animais com membros longos sobrevivam de forma a ter prole mais numerosa que indivíduos de membros mais curtos. Todos esses processos podem ser observados hoje. Eles obviamente não violam nenhuma lei da&nbsp;física.</p>
<h3 id="3">“Não há fósseis&nbsp;transicionais”.</h3>
<p>Um fóssil transicional parece ser de um organismo intermediário entre duas linhagens, por ter algumas das características da linhagem <strong>A</strong>, e algumas das características da linhagem <strong>B</strong>, e provavelmente algumas características entre as duas. Fósseis transicionais podem ocorrer entre grupos de qualquer nível taxonômico, como espécies, ordens, etc. Idealmente, o fóssil transicional deverá ser encontrado entre os estratos da primeira ocorrência da linhagem ancestral e a primeira ocorrência da linhagem descendente, mas a evolução também prevê a ocorrência de alguns fósseis com morfologia transicional ocorrendo depois das duas linhagens. Não há nada na história da evolução que diz que uma forma intermediária (ou qualquer organismo, que é o que importa) pode ter apenas uma linha de descendentes, ou que a própria forma intermediária tem que se extinguir quando evolui uma linha de&nbsp;descendentes.</p>
<p>Dizer que não há fósseis transicionais é simplesmente falso. A <a rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paleontologia">Paleontologia</a> tem progredido um pouquinho desde que <q>A origem das espécies</q> foi publicado, descobrindo milhares de fósseis transicionais, tanto por definições restritivas temporalmente quanto por menos restritivas. No registro fóssil permanecem lacunas, e sempre haverá; erosão e a raridade das condições favoráveis para fossilização tornam isso inevitável. Também, transições podem ocorrer em uma pequena população, em uma pequena área e/ou em um período relativamente curto de tempo; quando temos qualquer uma dessas condições, as chances de se encontrar os fósseis transicionais cai. Ainda assim, há muitas instâncias em que existem excelentes seqüências de fósseis transicionais. Alguns exemplos notáveis são as transições de réptil a mamífero, de animais terrestres para baleias primitivas, e dos ancestrais humanos ao homem. Para muitos outros exemplos, veja as perguntas freqüentes sobre fósseis transicionais (&#8221;the transitional fossils FAQ&#8221;) nos arquivos do <a href="http://talkorigins.org/">talk.origins</a>, e veja <a href="http://geo.ucalgary.ca/%7Emacrae/talk_origins.html">talk.origins newsgroup</a> para imagens de alguns grupos de&nbsp;invertebrados.</p>
<p>A noção enganosa da inexistência de fósseis transicionais é perpetuada em parte por um modo comum de se pensar sobre categorias. Quando as pessoas pensam sobre categorias como “cão” ou “formiga”, freqüentemente acredita-se de forma subconsciente que há limitações bem definidas ou que são formas imutáveis ideais (para filósofos, o ideal platônico) que definem as categorias. Essa linha de pensamento leva as pessoas a declararem que Archaeopteryx é “100% ave”, quando é claramente uma mistura de características de aves e répteis (de fato até com mais características reptilianas do que avianas). Na verdade, as categorias são feitas pelo homem e artificiais, a natureza não se restringe a seguí-las, e não as&nbsp;segue.</p>
<p>Alguns criacionistas afirmam que a hipótese do equilíbrio pontuado foi proposta (por Eldredge e Gould) para explicar as falhas no registro fóssil. Na verdade, foi proposta para explicar a relativa raridade de formas transicionais, não sua ausência total, e para explicar porque a especiação parece ocorrer relativamente rápido em alguns casos, gradualmente em outros, e não ocorrer em alguns períodos em algumas espécies. De forma alguma se nega que fósseis transicionais existem. O fato é que tanto Gould quanto Eldredge são oponentes declarados do&nbsp;criacionismo.</p>
<div class="citacao">
<p class="frase"><q>Mas os paleontologistas descobriram ótimos exemplos  de formas intermediárias e seqüenciais, mais que o suficiente para convencer qualquer cético imparcial da realidade da genealogia concreta da vida.</q></p>
<p class="autor">Stephen Jay Gould, na Natural History, maio de&nbsp;1994.</p>
</div>
<h3 id="4">“A teoria da evolução diz que a vida surgiu, e prosseguiu evoluindo por&nbsp;acaso”.</h3>
<p>Provavelmente não há outra declaração que seja melhor indicação que o argumentador não compreende evolução. A sorte certamente tem seu lugar na evolução, mas esse argumento ignora completamente a participação da seleção natural, e seleção é extremamente oposto   aleatoriedade. A aleatoriedade, na forma de mutações, gera variação genética, o que é o material bruto sobre o qual trabalha a seleção natural. Daí, a seleção natural separa determinadas variações. Aquelas que conferem maior sucesso reprodutivo ao seus portadores (e a aleatoriede assegura que algumas mutações benéficas serão inevitáveis) são mantidas, e as variações menos bem sucedidas são removidas. Quando o ambiente muda, ou quando os organismos mudam para um ambiente diferente, diferentes variações são selecionadas, levando eventualmente a diferentes espécies. Mutações nocivas usualmente desaparecem rapidamente, então elas não interferem no processo de acúmulo de mutações&nbsp;benéficas.</p>
<p>A abiogênese (a origem da vida) também não é devida puramente ao acaso. Átomos e moléculas arranjam-se não de maneira aleatória, mas de acordo com suas propriedades químicas. No caso de átomos de carbono especialmente, isso significa que moléculas complexas certamente formam-se espontaneamente, e elas podem influenciar umas  s outras a criar ainda mais moléculas complexas. Uma vez que se forma uma molécula que é aproximadamente auto-replicante, a seleção natural irá guiar a formação de replicadores cada vez mais eficientes. O primeiro objeto auto-replicante não precisa ser tão complexo quanto a célula moderna ou mesmo uma estrutura de DNA. Algumas moléculas auto-replicantes realmente não tem toda essa complexidade (como as moléculas&nbsp;orgânicas).</p>
<p>Algumas pessoas ainda argumentam que é tremendamente improvável para uma determinada molécula auto-replicante formar-se em determinado ponto (apesar deles não declararem essas especificidades, elas estão implícitas nos cálculos). Isso é verdade, mas havia oceanos de moléculas trabalhando no problema, e ninguém sabe quantas possíveis moléculas auto-replicantes poderiam ter sido a primeira, Um cálculo das improbabilidades da abiogênese é insignificante a menos que reconheça a imensa amplitude de materiais iniciais da qual o primeiro replicador pode ter se formado, as inúmeras prováveis formas diferentes que o primeiro replicador poderia ter tido, e o fato de muito da construção da molécula auto-replicante ter sido não-aleatório para&nbsp;começar.</p>
<h3 id="5">“A evolução é apenas uma teoria, nunca foi&nbsp;provada.”</h3>
<p>Primeiro, devemos clarificar o que “evolução” significa. Como tantas outras palavras, tem mais de um significado. Sua definição estritamente biológica é “a mudança de freqüências dos alelos no decorrer do tempo”. Por essa definição, a evolução é um fato incontestável. A maioria das pessoas parece associar “evolução” principalmente com ancestralidade comum, a teoria de que toda a vida originou-se de um mesmo descendente. Muitas pessoas acreditam que há evidência para chamar isso de fato, também. De qualquer modo, ancestralidade comum ainda não é a teoria da evolução, mas apenas uma fração disso (e parte de várias teorias bem diferentes também). A teoria da evolução não apenas diz que a vida evoluiu, mas também inclui mecanismos, como mutações, seleção natural, e deriva genética, nas explicações de como a vida&nbsp;evoluiu.</p>
<p>Chamar a teoria da evolução de “apenas uma teoria” é, estritamente falando, verdadeiro, mas a idéia que isso tenta passar é completamente errada. O argumento apóia-se numa confusão entre o que “teoria” significa no uso informal e em um contexto específico. Uma teoria, no sentido científico, é <q>um coerente grupo de proposições gerais usado como princípios de explicações para uma classe de fenômenos</q> [Random House American College Dictionary]. O termo não implica em caráter provisório ou falta de certeza. Geralmente teorias científicas diferem de leis científicas apenas pelas leis poderem ser expressas mais brevemente. Em ser uma teoria implica-se autoconsistência, concordância com as observações, e&nbsp;utilidade.</p>
<p>(O criacionismo falha em ser uma teoria principalmente pelo último ponto: faz poucas ou nenhuma previsão do que se esperaria encontrar, então não pode ser utilizado para nada. No que faz previsões falseáveis, elas provam ser&nbsp;falsas.)</p>
<p>Falta de provas não é uma fraqueza, também. Pelo contrário, alegar infalibilidade para uma conclusão é um sinal de extrema arrogância. Nada no mundo real foi alguma vez rigorosamente provado, nem algum dia será. Prova, no sentido matemático, é possível apenas se você tem o luxo de definir o universo em que você está operando. No mundo real, devemos lidar com níveis de certeza baseados em evidência observada. Quanto melhor a evidência que tivermos para algo, mais certeza damos a isso; quando há evidência suficiente, consideramos algo como um fato, ainda que não se tenha 100% de&nbsp;certeza.</p>
<p>O que a evolução tem é o que qualquer boa alegação científica tem — evidências, aos montes. A evolução é validada por uma vasta gama de observações nos campos da genética, anatomia, ecologia, comportamento animal, paleontologia, e outros. Se você deseja desafiar a teoria da evolução, você deve levar em conta essas evidências. Você deve saber se as evidências apontadas erroneamente são irrelevantes ou se elas se adequam melhor   outra teoria. Claro, para fazer isso, você deve conhecer tanto a teoria quanto suas&nbsp;evidências.</p>
<h3>Conclusão</h3>
<p>Esses não são os únicos equívocos sobre evolução, de maneira alguma. Outros enganos comuns incluem como a tecnologia de datação geológica funciona, implicações para a moralidade e religião, o significado de “uniformitarismo”, e muitas mais. Levar em conta todas essas objeções seria&nbsp;impossível.</p>
<p>Mas vejamos: há cerca de cem anos, cientistas, que eram então na maioria criacionistas, olharam para o mundo para tentar descobrir como Deus fez as coisas. Esses criacionistas chegaram a conclusões de uma Terra que já era antiga e de espécies se originando através da evolução. Desde então, milhares de cientistas têm estudado a evolução com ferramentas cada vez mais sofisticadas. Muitos desses cientistas têm excelente conhecimento das leis da termodinâmica, como fósseis são interpretados, etc., e encontrar uma alternativa melhor   evolução iria levá-los a fama e fortuna. Às vezes o trabalho deles desafia nossa compreensão de detalhes significantes de como a evolução opera, mas a teoria da evolução continua tendo essencialmente concordância unânime das pessoas que trabalham com&nbsp;ela.</p>
<div class="textinfo"><strong>Autor:</strong> Mark Isaak<br />
<strong>Tradução:</strong> <a href="http://biociencia.org/novo/index.php?option=com_content&#038;task=view&#038;id=33&#038;Itemid=65">Danniel Soares Costa</a><br />
<strong>Links Originais:</strong> <a href="http://talkorigins.org/faqs/faq-misconceptions.html">talk.origins</a> e <a href="http://biociencia.org/index.php?option=com_content&#038;task=section&#038;id=8&#038;Itemid=47">Projeto Evoluindo</a></div>
<!-- boo-widget start -->
					<script type="text/javascript">
					bb_keywords = "Ceticismo";
					bb_bid  = "4220";
					bb_lang  = "pt-BR";
					bb_name = "custom";
					bb_width = "570";
					bb_limit = "5";
					</script>
					<script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
					<!-- boo-widget end -->]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/cinco-grandes-equivocos-sobre-evolucao/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A Evolução está Definitivamente Comprovada?</title>
		<link>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/a-evolucao-esta-definitivamente-comprovada/</link>
		<comments>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/a-evolucao-esta-definitivamente-comprovada/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Jan 2007 23:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alenônimo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ateusdobrasil.local/artigos/ceticismo/evolucao_esta_comprovada.php</guid>
		<description><![CDATA[Podemos então afirmar com toda certeza que a Evolução está completamente&#160;provada?
Depende:
Se considerarmos o seu grau de aceitação e eficiência sim! Num sentido frouxo da palavra “prova”, não há nenhum motivo sensato para se duvidar do fato de que tenha ocorrido o processo evolutivo. A razão primordial, como eu já disse, é a total falta de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Podemos então afirmar com toda certeza que a Evolução está completamente&nbsp;provada?</p>
<p>Depende:</p>
<p>Se considerarmos o seu grau de aceitação e eficiência sim! Num sentido frouxo da palavra “prova”, não há nenhum motivo sensato para se duvidar do fato de que tenha ocorrido o processo evolutivo. A razão primordial, como eu já disse, é a total falta de opção de uma explicação comparável. As dúvidas são quanto aos processos que o conduziram através dos tempos.<span id="more-15"></span></p>
<p>Já se considerarmos como comprovação uma evidência indiscutível capaz de por fim a qualquer discussão, ou uma prova definitiva como quer o <a href="http://www.drdino.com/">Creation Science Evangelism</a>, que oferece U$ 250.000,00 para quem der uma prova da evolução, então a resposta claramente é&nbsp;não.</p>
<p>Não há como colocar na mesa uma evidência física, única e definitiva do processo evolutivo, assim como de nenhum fato histórico, de nenhum evento em local remoto ou mesmo do fato de existirem 6 bilhões de pessoas na Terra. Além do que, ao contrário do senso comum, não existem “provas” em Ciência. Estas são privilégio da Matemática e da&nbsp;Lógica.</p>
<p>O site referido acima sabe muito bem disso; eu também posso exigir que alguém me traga uma prova de que a Terra é esferóide e que orbita em torno do Sol, uma prova física inquestionável. Se eu não aceitar documentos, cálculos, teorias, dados ou qualquer informação, e exigir apenas um prova concreta, tal se torna&nbsp;impossível.</p>
<p>No entanto a ciência pode apresentar amostras de <acronym title="Ácido Desoxirribonucleico">DNA</acronym>, fósseis transicionais, reconstituições paleontológicas, testes de antiguidade, experiências controladas de geração de aminoácidos etc. como evidências da&nbsp;evolução.</p>
<p>Mas nem isso poderia ser apresentado se alguém exigisse uma prova da criação. Como eu já disse antes, nem mesmo a Arca de Noé, os esqueletos dos Nefilins, evidências do Dilúvio, muito menos a crença de que todas as espécies de seres vivos foram criadas em 6&nbsp;dias.</p>
<p>Mesmo assim, é preciso admitir que a evolução também não é algo que se possa demonstrar com facilidade e, sendo assim, porque então crer&nbsp;nela?</p>
<h3>Por que acreditar na&nbsp;Evolução?</h3>
<p>Pelo simples fato de que, até agora, é a única escolha sensata. Para demonstrar isso, usemos uma&nbsp;analogia:</p>
<p>Vamos supor que você esteja repousando num banco de praça, de onde tem ampla e descoberta visão de tudo a sua frente. Você pode ver então uma padaria fechada, mas com uma bela vitrine, e lá dentro um suculento pão. Do lado de fora, há um mendigo evidentemente faminto a fitar o pão e, no chão ao lado dele, uma pedra de tamanho e peso correspondentes a pelo menos uns 3&nbsp;kg.</p>
<p>Você se distrai por um instante e ouve o som de um vidro se quebrando; quando volta a atenção   cena, observa um buraco na vitrine, vê a pedra lá dentro, percebe que o pão desapareceu e vê o mendigo batendo em&nbsp;retirada.</p>
<p>Você não viu o fato em si, mas sabe que nenhuma outra pessoa poderia passar no local no breve instante em que você se distraiu e, sendo assim, qual a sua conclusão? Vejamos 3&nbsp;alternativas:</p>
<blockquote><p>O mendigo pegou a pedra no chão e a usou para quebrar a vitrine, roubou o pão e saiu&nbsp;correndo.</p></blockquote>
<blockquote><p>A pedra levitou, sozinha, se atirou no vidro e desintegrou o pão sem deixar vestígios. O mendigo assustado, fugiu&nbsp;correndo.</p></blockquote>
<blockquote><p>A pedra se teletransportou para o interior da vitrina, que se quebrou sozinha. O pão desapareceu tendo sido roubado por duendes comedores de pão num piscar de olhos. O mendigo continua ali, só que se tornou invisível, e o homem correndo que parece o mendigo na verdade é um pequeno sapo que assumiu forma&nbsp;humana.</p></blockquote>
<p>Qual dessas “possibilidades” parece ser a mais&nbsp;sensata?</p>
<p>É assim que ocorre com a evolução. É a única opção razoável. Ela só nunca fora proposta antes do século XIX pela falta de conhecimento sobre como funciona a natureza. É como se durante a maior parte da história humana, ninguém soubesse que uma pedra não pode se mover sozinha, que uma pessoa faminta faz qualquer coisa por comida, que o pão é comestível, que nada pode desaparecer no ar subitamente sem deixar rastros ou que sapos não podem se transformar em pessoas&nbsp;etc.</p>
<p>Sem esses conhecimentos, seria razoável considerar as outras duas opções para explicar o que aconteceu na vitrine da&nbsp;loja.</p>
<p>Ninguém pôde “ver” o processo de evolução, mas todas as evidências apontam indiscutivelmente para&nbsp;ela.</p>
<p>Há a distribuição geográfica das espécies ao redor do mundo e o modo como elas se diferenciam de acordo com o local. Há a comparação do desenvolvimento fetal, as moléculas de DNA, as mutações, os fósseis&nbsp;etc.</p>
<p>Por outro lado, como pergunto no texto <strong><a href="http://evo.bio.br/LAYOUT/QuestoesSimples.html">Questões que o Criacionismo não Responde</a></strong>, que evidências temos de que um evento tão espetacular e sobrenatural como a criação do Universo em 6 dias tenha ocorrido? De que Josué tenha parado o Sol sobre Jericó? De que todas as pessoas do mundo passaram a falar línguas diferentes em um só dia? De que tenha havido o Êxodo? De que que qualquer coisa na Bíblia não passe de mitos e lendas e alguns fatos históricos triviais? Ou mesmo de que Jesus Cristo tenha existido e, ainda por cima,&nbsp;ressuscitado?</p>
<p>Se abraçamos uma religião e as questões de fé, podemos não ter motivos para duvidar de fenômenos que não possam ser provados, mas, se entramos no campo da ciência, que possui uma vasta gama de realizações e descobertas concretas, porque confrontá-la com nada mais do que uma coletânea de&nbsp;lendas?</p>
<p>Se quisermos ser felizes, podemos colocar nossa emoção em primeiro lugar, mas por que continuar a usá-la, e não a razão e a experimentação, quando a questão se trata de compreender um fenômeno da natureza que pode ser estudado&nbsp;fisicamente?</p>
<p>Não quero aqui bradar contra a crença em si, mas com a insistência em usá-la em áreas onde ela não costuma dar bons resultados. Todos sabemos dos benefícios psicológicos e práticos de uma satisfação pessoal, de um objetivo claro na vida, de uma palavra de conforto ou de um grupo de amigos, coisas que a religião pode nos dar melhor do que a&nbsp;ciência.</p>
<p>Mas, se consertamos carros, construímos casas, fazemos cirurgias, desenvolvemos vacinas, olhamos as estrelas com telescópios, examinamos células com microscópios, desvendamos o genoma humano, escavamos fosséis ou observamos o comportamento dos animais, convenhamos que crenças, orações e livros sagrados não costumam&nbsp;ajudar.</p>
<p>O cristianismo é a maior religião do mundo, a mais bem sucedida. A Bíblia é o livro mais disseminado de todos os tempos. A maioria dos católicos não deixou de ser católico quando a Igreja declarou ser o Gênesis uma alegoria, nem mesmo ninguém deixa de professar uma religião devido   imprecisão científica de suas&nbsp;crenças.</p>
<p>Por que insistir numa batalha perdida e sem qualquer&nbsp;utilidade?</p>
<p>Insistir em usar a Bíblia como manual de ciência, como faz Henry Morris e Cia. não é glorificá-la, e sim tentar extrair dela um conteúdo que ela jamais pretendeu ter. E insistir em expô-la ao&nbsp;ridículo.</p>
<p>O Cristianismo só tem a perder com o <strong>Criacionismo “científico” Bíblico</strong>. Além de prejudicial   ciência, em especial ao ensino escolar, ele presta um enorme deserviço   religião. Ele desnecessariamente expõe a religião num campo no qual ela não tem qualquer desenvoltura. É como pegar um pianista famoso e insistir em fazê-lo jogar futebol declarando ser ele o melhor jogador do mundo. É apenas&nbsp;ridicularizá-lo.</p>
<p>Não precisamos de evidências para abraçar uma crença, basta acreditar, mas crença ou fé alguma irá fazer aviões voarem, pessoas se comunicarem a milhares de quilômetros, extrair cálculos renais, explicar como funciona o universo ou como a vida&nbsp;surgiu.</p>
<p>Já passou definitivamente da hora de se deixar a ciência em paz e a Religião em seu devido lugar. Chega de obscurantismo e falsidade. Milhares de pessoas do mundo rezando com bíblias na mão não irão impedir que uma pessoa morra de apendicite. Serão necessários médicos para operá-la e remover esse órgão vestigial, que só tem função em espécies&nbsp;ancestrais.</p>
<p>A religião pode operar milagres na psique humana, mas nada fará no mundo físico. Ela não irá parar a rotação do planeta, fazer o mar se abrir ou remover&nbsp;montanhas.</p>
<p>Se nossa tecnologia conseque detectar o eco do Big-Bang, os mapas genéticos da humanidade e os pontos fracos do vírus HIV, não faz mais sentido insistir em usar crenças e lendas como paradigma&nbsp;atual.</p>
<p>Além do <strong>Evolucionismo</strong> e do <strong>Criacionismo</strong>, há uma outra explicação para a existência da vida na Terra, em especial para a existência humana, que costuma ser chamada de <strong>Antropologia Gnóstica</strong> ou <strong>Teosófica</strong>, ao qual gosto de me referir como&nbsp;<strong>Involucionismo</strong></p>
<p>Tal visão é, insisto, mais racional do que o Criacionismo, incorrendo em menos contradições lógicas, mas é tão ou mais fantástica e totalmente desprovida de evidências. Se consideramos o Criacionismo aceitável mesmo sem nada concreto, por que não considerar essa&nbsp;também?</p>
<p>Por que, também, já que devemos dar voz a todos com pretensas credenciais científicas, não abrir espaço nas escolas para os <strong>Raelianos</strong>, que têm até envolvimento na famosa empresa francesa Clonaid, uma vez que eles têm também uma teoria “científica” de que a vida na Terra foi criada por ETs? Porque não deixá-los apresentar as mil e uma “evidências” da <strong>Ufologia</strong> que muitos declaram ser&nbsp;Ciência?</p>
<p>Será que os Criacionistas, em nome de seu pretenso tratamento igualitário para Evolução e Criação nas escolas, também concordariam em que nas mesmas fossem ensinados outros Criacionismos de outras&nbsp;religiões?</p>
<p>E por que eles precisam ocupar tempo nas escolas se já podem ocupar o tempo que quiserem em suas igrejas e programas de TV e podem controlar totalmente tudo que suas crianças lêem, vêem e aprendem fora da&nbsp;escola?</p>
<p>Pode ter sido válido e útil, num determinado contexto social, que uma criança acredite que foi trazida por uma cegonha. Bem mais simples do que explicar algo sobre a fecundação e a gestação, e mais aceitável no âmbito de uma sociedade sexualmente moralista. Mas um dia a criança terá que crescer, e conhecer a verdade. Ou terá relações sexuais sem nem saber que podem resultar numa&nbsp;gravidez.</p>
<p>Um dia a humanidade foi criança e não tinha conhecimento sobre o funcionamento da natureza, assim como tinha medo de bruxas e demônios de toda espécie. Nessa época, explicações fantásticas podiam ser válidas. Mas a humanidade cresceu, ela&nbsp;<strong>evoluiu</strong>!</p>
<p>É mais do que hora de encarar a verdade de&nbsp;frente.</p>
<div class="textinfo"><strong>Autor:</strong> Marcus Valerio XR<br />
<strong>Data:</strong> 03/11/2001<br />
<strong>Fonte:</strong> <a href="http://evo.bio.br/LAYOUT/Comprova.html">Evolução x Criacionismo </a></div>
<!-- boo-widget start -->
					<script type="text/javascript">
					bb_keywords = "Ceticismo";
					bb_bid  = "4220";
					bb_lang  = "pt-BR";
					bb_name = "custom";
					bb_width = "570";
					bb_limit = "5";
					</script>
					<script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
					<!-- boo-widget end -->]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/a-evolucao-esta-definitivamente-comprovada/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Um Dragão na Minha Garagem</title>
		<link>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/um-dragao-na-minha-garagem/</link>
		<comments>http://ateusdobrasil.com.br/artigos/ceticismo/um-dragao-na-minha-garagem/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Jan 2007 23:36:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alenônimo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ateusdobrasil.local/artigos/ceticismo/dragao_garagem.php</guid>
		<description><![CDATA[“[A] mágica, devemos lembrar, é uma arte que requer colaboração entre o artista e seu&#160;público.”
E. M. Butler, The myth of the magus&#160;(1948)

— Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha&#160;garagem.
Suponhamos (estou seguindo uma abordagem de terapia de grupo proposta pelo psicólogo Richard Franklin) que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“[A] mágica, devemos lembrar, é uma arte que requer colaboração entre o artista e seu&nbsp;público.”</p>
<p class="right"><strong>E. M. Butler</strong>, <em>The myth of the magus</em>&nbsp;(1948)</p>
<p><span id="more-13"></span></p></blockquote>
<p class="bloco">— Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha&nbsp;garagem.</p>
<p>Suponhamos (estou seguindo uma abordagem de terapia de grupo proposta pelo psicólogo Richard Franklin) que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que&nbsp;oportunidade!</p>
<p class="bloco">— Mostre-me — você&nbsp;diz.</p>
<p>Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de&nbsp;dragão.</p>
<p class="bloco">— Onde está o dragão? — você&nbsp;pergunta.</p>
<p class="bloco">— Oh, está ali — respondo, acenando vagamente. — Esqueci de lhe dizer que é um dragão&nbsp;invisível.</p>
<p>Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do&nbsp;dragão.</p>
<p class="bloco">— Boa idéia — digo eu —, mas esse dragão flutua no&nbsp;ar.</p>
<p>Então você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo&nbsp;invisível.</p>
<p class="bloco">— Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de&nbsp;calor.</p>
<p>Você quer borrifar o dragão com tinta para tomá-lo&nbsp;visível.</p>
<p class="bloco">— Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai&nbsp;aderir.</p>
<p>E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação especial de por que não vai&nbsp;funcionar.</p>
<p>Ora, qual é a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? Se não há como refutar a minha afirmação, se nenhum experimento concebível vale contra ela, o que significa dizer que o meu dragão existe? A sua incapacidade de invalidar a minha hipótese não é absolutamente a mesma coisa que provar a veracidade dela. Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. O que estou pedindo a você é tão-somente que, em face da ausência de evidências, acredite na minha&nbsp;palavra.</p>
<p>A única coisa que você realmente descobriu com a minha insistência de que há um dragão na minha garagem é que algo estranho está se passando na minha mente. Você se perguntaria, já que nenhum teste físico se aplica, o que <em>me</em> fez acreditar nisso. A possibilidade de que foi sonho ou alucinação passaria certamente pela sua cabeça. Mas, nesse caso, por que eu levo a história tão a sério? Talvez eu precise de ajuda. Pelo menos, talvez eu tenha subestimado seriamente a falibilidade&nbsp;humana.</p>
<p>Apesar de nenhum dos testes ter funcionado, imagine que você queira ser escrupulosamente liberal. Você não rejeita de imediato a noção de que há um dragão que cospe fogo na minha garagem. Apenas deixa a idéia cozinhando em banho-maria. As evidências presentes são fortemente contrárias a ela, mas, se surgirem novos dados, você está pronto a examiná-los para ver se são convincentes. Decerto não é correto de minha parte ficar ofendido por não acreditarem em mim; ou criticá-lo por ser chato e sem imaginação — só porque você apresentou o veredicto escocês de “não&nbsp;comprovado”.</p>
<p>Imagine que as coisas tivessem acontecido de outra maneira. O dragão é invisível, certo, mas aparecem pegadas na farinha enquanto você observa. O seu detector infravermelho lê dados fora da escala. A tinta borrifada revela um espinhaço denteado oscilando   sua frente. Por mais cético que você pudesse ser a respeito da existência dos dragões — ainda mais dragões invisíveis —, teria de reconhecer que existe alguma coisa no ar, e que de forma preliminar ela é compatível com um dragão invisível que cospe fogo pelas&nbsp;ventas.</p>
<p>Agora outro roteiro: vamos supor que não seja apenas eu. Vamos supor que vários conhecidos seus, inclusive pessoas que você tem certeza de que não se conhecem, lhe dizem que há dragões nas suas garagens — mas, em todos os casos, a evidência é enlouquecedoramente impalpável. Todos nós admitimos nossa perturbação quando ficamos tomados por uma convicção tão estranha e tão mal sustentada pela evidência física. Nenhum de nós é lunático. Especulamos sobre o que isso significaria, caso dragões invisíveis estivessem realmente se escondendo nas garagens em todo o mundo, e nós, humanos, só agora estivéssemos percebendo. Eu gostaria que <strong>não</strong> fosse verdade, acredite. Mas talvez todos aqueles antigos mitos europeus e chineses sobre dragões não fossem mitos&nbsp;afinal…</p>
<p>Motivo de satisfação, algumas pegadas compatíveis com o tamanho de um dragão são agora noticiadas. Mas elas nunca surgem quando um cético está observando. Outra explicação se apresenta: sob exame cuidadoso, parece claro que podem ter sido simuladas. Outro crente nos dragões aparece com um dedo queimado e atribui a queimadura a uma rara manifestação física do sopro ardente do animal. Porém, mais uma vez, existem outras possibilidades. Sabemos que há várias maneiras de queimar os dedos além do sopro de dragões invisíveis. Essa “evidência” — por mais importante que seja para os defensores da existência do dragão — está longe de ser convincente. De novo, a única abordagem sensata é rejeitar em princípio a hipótese do dragão, manter-se receptivo a futuros dados físicos e perguntar-se qual poderia ser a razão para tantas pessoas aparentemente normais e sensatas partilharem a mesma delusão&nbsp;estranha.</p>
<p>A mágica requer cooperação tácita entre o público e o mágico um abandono do ceticismo, ou o que é  s vezes descrito como a suspensão voluntária da descrença. Segue-se imediatamente que, para compreender a mágica, para expor o truque, devemos parar de&nbsp;colaborar.</p>
<p>Como se pode fazer algum progresso nesse assunto aflitivo, controverso e carregado de emoções? Os pacientes poderiam se acautelar contra terapeutas prontos a deduzir ou confirmar raptos por alienígenas. Os que tratam de seqüestrados poderiam explicar a seus pacientes que as alucinações são normais, e que o abuso sexual na infância é desconcertantemente comum. Poderiam lembrar que nenhum cliente deixa de ser contaminado pelos alienígenas na cultura popular. Poderiam tomar um cuidado escrupuloso para não influenciar sutilmente a testemunha. Poderiam ensinar ceticismo a seus clientes. Poderiam recarregar os seus próprios estoques escassos dessa&nbsp;mercadoria.</p>
<p>Os supostos raptos por alienígenas perturbam muitas pessoas e em mais de uma forma. O tema é uma janela para a vida interior de nossos companheiros. Se muitos informam falsamente terem sido raptados, isso é causa para preocupação. Mas muito mais preocupante é o fato de que muitos terapeutas aceitam esses relatos ao pé da letra sem dar a devida atenção   sugestionabilidade dos clientes e  s deixas inconscientes de seus&nbsp;interlocutores.</p>
<p>Surpreende-me que psiquiatras e outros profissionais que têm pelo menos algum treinamento científico, que conhecem as imperfeições da mente humana, descartem a idéia de que essas histórias poderiam ser uma espécie de alucinação, ou um tipo de memória mascarada. Fico ainda mais surpreso com as afirmações de que a história de rapto por alienígenas representa a verdadeira magia, é um desafio   nossa ligação com a realidade ou constitui o fundamento para uma visão mística do mundo. Ou, como a questão é proposta por John Mack: <em>“Há fenômenos importantes o suficiente para justificar uma pesquisa séria, e a metafísica do paradigma científico dominante no Ocidente talvez seja inadequada para fundamentar plenamente essa pesquisa”</em>. Numa entrevista para a revista <em>Time</em>, ele continua: <em>“Não sei por que há tanto entusiasmo pela procura de uma explicação física convencional. Não sei por que as pessoas têm tanta dificuldade em simplesmente aceitar o fato de que alguma coisa inusitada está se passando […]. Perdemos todos aquela capacidade de conhecer um mundo além do físico.”</em><a href="http://#nota1"><sup>1</sup></a></p>
<p>Mas sabemos que as alucinações nascem da privação sensorial, das drogas, da doença e da febre alta, da falta de sono do tipo REM, de mudanças na química do cérebro, e assim por diante. E, ainda que, junto com Mack, tomemos os casos ao pé da letra, os seus aspectos extraordinários (passar através das paredes e coisas afins) são mais facilmente atribuíveis a algo bem inserido no reino do “físico” tecnologia alienígena avançada — do que&nbsp;bruxaria.</p>
<p>Um amigo meu afirma que a única pergunta interessante sobre o paradigma do rapto por alienígenas é: “Quem está enganando quem?”. O cliente está enganando o terapeuta, ou vice-versa? Eu não concordo. Primeiro, há muitas outras perguntas interessantes sobre as histórias de rapto por alienígenas. Segundo, essas duas alternativas não são mutuamente&nbsp;exclusivas.</p>
<p>Alguma coisa sobre casos de seqüestro por alienígenas instigava a <em>minha</em> memória há anos. Por fim, lembrei. Era um livro de 1954 que eu tinha lido na universidade, <em>Thefifty-minute hour</em>. O autor, um psicanalista chamado Robert Lindner, fora convocado pelo Laboratório Nacional de Los Alamos para tratar um jovem e brilhante físico nuclear, cuja pesquisa secreta para o governo estava começando a sofrer interferências de seu sistema delusório. Como se veio a saber, o físico (a quem foi dado o pseudônimo de Kirk Allen) levava uma outra vida além de construir armas nucleares: segundo suas confidências, no futuro distante ele pilotava (ou ia pilotar — os tempos verbais ficam um pouco confusos) espaçonaves interestelares. Ele gostava de aventuras estimulantes e jactanciosas em planetas de outras estrelas. Era o “senhor” de muitos mundos. Talvez o chamassem de capitão Kirk. Ele não conseguia apenas se “lembrar” dessa outra vida; podia também entrar nela sempre que quisesse. Pela forma correta de pensar, por <em>desejar</em>, ele se transportava pelos anos-luz e pelos&nbsp;séculos.</p>
<blockquote><p>“De certa maneira, eu não conseguia entender que, simplesmente por desejar que assim fosse, eu tivesse atravessado as imensidões do espaço, vencido as barreiras do tempo e me incorporado — literalmente me transformado — nesse eu distante e futuro… Não me peça explicações. Não sei, embora Deus saiba que&nbsp;tentei.”</p></blockquote>
<p>Lindner achou-o inteligente, sensível, agradável, cortês e perfeitamente capaz de lidar com os problemas do cotidiano humano. Mas — ao refletir sobre as emoções de sua vida entre as estrelas — Allen começou a se sentir um pouco entediado com a sua existência na Terra, mesmo que ela envolvesse a construção de armas de destruição em massa. Quando admoestado pelos seus supervisores no laboratório por andar distraído e imerso em devaneios, ele pediu desculpas; tentaria, assegurou-lhes, passar mais tempo neste planeta. Foi quando eles entraram em contato com&nbsp;Lindner.</p>
<p>Allen escreveu 12 mil páginas sobre as suas experiências no futuro e dezenas de tratados técnicos sobre a geografia, a política, a arquitetura, a astronomia, a geologia, as formas de vida, a genealogia e a ecologia dos planetas de outras estrelas. Os títulos das seguintes monografias nos dão uma idéia do material: “O original desenvolvimento do cérebro dos crisópodes de Srom Norba X”, “O culto e os sacrifícios ao fogo em Srom Sodrat II”, “A história do Instituto Científico Intergalático” e “A aplicação da teoria do campo unificado e a mecânica do impulso estelar para a viagem espacial”. (Este último é o que eu gostaria de examinar; afinal, Allen gozava da reputação de ter sido um físico de primeira categoria.) Fascinado, Lindner leu os textos com&nbsp;atenção.</p>
<p>Allen não hesitou em apresentar seus textos a Lindner ou em discuti-los de forma detalhada. Imperturbável e intelectualmente formidável, ele parecia não estar aceitando nem um centímetro do auxílio psiquiátrico de Lindner. Quando tudo o mais falhou, o psiquiatra tentou algo&nbsp;diferente:</p>
<blockquote><p>“Tentei […] evitar que ele tivesse de algum modo a impressão de que eu estava competindo com ele para lhe provar que era psicótico, de que se tratava de uma luta decisiva sobre a questão de sua sanidade mental. Em vez disso, como era óbvio que tanto o seu temperamento como a sua educação eram científicos, decidi tirar partido da única qualidade que ele tinha demonstrado durante toda a sua vida […] a qualidade que o impelia para a carreira científica: a sua curiosidade […]. Isso significava […] que, pelo menos por enquanto, eu ‘aceitava’ a validade de suas experiências […]. Num repentino lampejo de inspiração, ocorreu-me que, para afastar Kirk de sua loucura, era necessário que eu entrasse na sua fantasia a fim de poder, nessa posição, liberá-lo da&nbsp;psicose.”</p></blockquote>
<p>Lindner apontava certas contradições aparentes nos documentos e pedia que Allen as resolvesse. Isso exigia que o físico voltasse a entrar no futuro para encontrar as respostas. Obedientemente, Allen aparecia na sessão seguinte com um documento esclarecedor, escrito com a sua letra clara. Lindner se viu esperando ansiosamente por cada entrevista, para ser mais uma vez seduzido pela visão de abundância de vida e inteligência na galáxia. Entre si, os dois foram capazes de resolver muitos problemas de&nbsp;incoerência.</p>
<p>Foi então que aconteceu uma coisa estranha: “Os materiais da psicose de Kirk e o calcanhar-de-aquiles da minha personalidade se encontraram e se engrenaram como o mecanismo de um relógio”. O psicanalista tomou-se um conspirador a favor da delusão de seu paciente. Começou a rejeitar as explicações psicológicas da história de Allen. Até que ponto temos certeza de que não podia ser verdade? Ele se viu defendendo a noção de que era possível entrar em outra vida, a de um viajante espacial no futuro distante, por um simples esforço de&nbsp;vontade.</p>
<blockquote><p>“Num ritmo surpreendentemente rápido […] áreas cada vez maiores da minha mente foram invadidas pela fantasia […]. Com o auxílio intrigado de Kirk, eu estava participando de aventuras cósmicas, partilhando a alegria da arrebatadora história fantástica que ele tinha&nbsp;tramado.”</p></blockquote>
<p>Mas, finalmente, aconteceu algo ainda mais estranho: preocupado com o bem-estar de seu terapeuta, e reunindo admiráveis reservas de integridade e coragem, Kirk Allen confessou: ele inventara toda a história. O problema tinha raízes na sua infância solitária e em suas relações fracassadas com as mulheres. Ele apagara parcialmente e depois esquecera a fronteira entre a realidade e a imaginação. Inserir os detalhes plausíveis e tecer uma rica tapeçaria sobre outros mundos era desafiador e inebriante. Mas ele lamentava ter induzido Lindner a trilhar esse caminho de&nbsp;prazeres.</p>
<p class="bloco">— Por quê — perguntou o psiquiatra —, por que você fingiu? Por que continuou a me&nbsp;dizer…?</p>
<p class="bloco">— Porque sentia que tinha de agir assim — replicou o físico. — Porque sentia que era isso o que você queria que eu&nbsp;fizesse.</p>
<p>Lindner explicou que ele e Kirk haviam trocado de&nbsp;papéis</p>
<blockquote><p>“e, num desses desenlaces surpreendentes que transformam o meu trabalho na atividade imprevisível, maravilhosa e compensadora que é, a loucura que partilhamos entrou em colapso […]. Empreguei a racionalização do altruísmo clínico para fins pessoais, e assim caí na armadilha que aguarda todos os psicoterapeutas incautos […]. Até Kirk Allen entrar na minha vida, nunca duvidara de minha própria estabilidade. Sempre pensara que as aberrações mentais eram para os outros […]. Essa presunção me cobre de vergonha. Mas agora, quando escuto o paciente na minha cadeira atrás do divã, sou mais sábio. Sei que minha cadeira e o divã são separados apenas por uma linha tênue. Sei que não passa afinal de uma combinação mais feliz de acasos o que determina, em última análise, quem deve deitar no divã e quem deve sentar atrás&nbsp;dele.”</p></blockquote>
<p>Por esse relato, não sei ao certo se Kirk Allen verdadeiramente enganava as pessoas. Talvez apenas sofresse de alguma desordem de caráter que o fazia sentir prazer em inventar charadas   custa dos outros. Não sei até que ponto Lindner pode ter embelezado ou inventado parte da história. Embora ele tenha escrito sobre “participar” e “entrar” na fantasia de Allen, não há nenhuma sugestão de que imaginava ter viajado para o futuro distante e tomado parte em grandes aventuras interestelares. Da mesma forma, John Mack e os outros terapeutas de raptos por alienígenas não sugerem ter sido seqüestrados; apenas seus pacientes o&nbsp;foram.</p>
<p>E se o físico não tivesse confessado? Lindner teria se convencido, sem nenhuma dúvida, de que era realmente possível passar para uma era mais romântica? Teria declarado que começou o trabalho como cético, mas acabou sendo convencido pelo mero peso das evidências? Teria feito propaganda de si mesmo como um especialista em ajudar viajantes espaciais do futuro que ficam encalhados no século XX? A existência dessa especialidade psiquiátrica encorajaria os outros a levar a sério fantasias ou delusões dessa espécie? Depois de alguns casos semelhantes, Lindner teria resistido impacientemente a todos os argumentos do tipo “Seja razoável, Bob” e deduzido que estava penetrando num novo nível de&nbsp;realidade?</p>
<p>Seu treinamento científico ajudou a salvar Kirk Allen da loucura. Houve um momento em que terapeuta e paciente trocaram de papéis. Gosto de pensar que, nesse caso, o paciente salvou o terapeuta. Talvez John Mack não tenha sido tão&nbsp;felizardo.</p>
<p>Consideremos um meio bem diferente de encontrar alienígenas — a busca de inteligência extraterrestre por meio do rádio. Em que isso difere da fantasia e da pseudociência? Em Moscou, no início dos anos 60, alguns astrônomos soviéticos deram uma entrevista coletiva   imprensa para anunciar que a intensa emissão de rádio de um misterioso objeto distante chamado CTA-102 estava variando regularmente, como uma onda sinusoidal, com um período de mais ou menos cem dias. Nenhuma fonte periódica distante fora encontrada até então. Por que eles convocaram uma entrevista coletiva   imprensa para anunciar uma descoberta tão misteriosa? Porque achavam que tinham detectado uma civilização extraterrestre de imensos poderes. Sem dúvida, por uma razão dessas vale a pena convocar uma coletiva. A notícia tornou-se logo uma sensação nos meios de comunicação, e o grupo de rock The Byrds chegou até a compor e gravar uma canção a respeito. [“CTA-102, estamos aqui captando você./ Os sinais nos dizem que você está aí./ Podemos ouvi-los em alto e bom&nbsp;som…”.]</p>
<p>Emissão de rádio proveniente de CTA-102? Certamente. Mas o que <em>é</em> CTA-102? Hoje sabemos que é um quasar distante. Na época, a palavra “quasar” nem sequer fora cunhada. Ainda não sabíamos muito bem o que eram quasares; e há mais de uma explicação mutuamente exclusiva para eles na literatura científica. Ainda assim, nenhum astrônomo hoje em dia — inclusive os envolvidos naquela entrevista coletiva   imprensa de Moscou — afirma seriamente que um quasar como o CTA-102 seja uma civilização extraterrestre a bilhões de anos luz com acesso a níveis imensos de poder. Por que não? Porque temos explicações alternativas das propriedades dos quasares que são coerentes com as leis físicas conhecidas e que não invocam a vida alienígena. Os extraterrestres representam uma hipótese de última instância. Só a empregamos quando tudo o mais&nbsp;falha.</p>
<p>Em 1967, cientistas britânicos encontraram uma fonte intensa de rádio muito mais próxima, acendendo e apagando-se com precisão espantosa, com um período constante de dez ou mais números significativos. O que era isso? O primeiro pensamento foi que se tratava de uma mensagem endereçada a nós, ou talvez algum sinal de regulagem e navegação para as naves espaciais que atravessam o espaço entre as estrelas. Os cientistas até lhe deram, entre si, na Universidade de Cambridge, a designação desvirtuada de LGM-1 — sendo LGM a sigla inglesa para homenzinhos&nbsp;verdes.</p>
<p>Entretanto, foram mais sábios que seus colegas soviéticos. Não deram uma entrevista coletiva. Logo ficou claro que aquilo que estavam observando era o que agora se chama pulsar, o primeiro pulsar, o pulsar da nebulosa do Caranguejo. E o que é um pulsar? Um pulsar é o estado final de uma estrela maciça, um sol encolhido até o tamanho de uma cidade, que não é mantido, como as outras estrelas, pela pressão de gás, nem pela degeneração dos elétrons, mas por forças nucleares. É, em certo sentido, um núcleo atômico de mais ou menos dezesseis quilômetros de extensão. Ora, eu sustento que essa noção é pelo menos tão bizarra quanto a de um sinal de navegação interestelar. A resposta para o que é um pulsar tem de ser algo muitíssimo estranho. Não é uma civilização extraterrestre. É outra coisa: mas algo que nos abre os olhos