Arquivo da Categoria “Críticas”

Por que eu não perco meu tempo lendo a Bíblia

Publicado em 22 de novembro de 2009,  por Alenônimo

Sem Bíblia

Eu não li a Bíblia inteira. Na verdade, creio ter lido somente até a metade do Levítico, pois achava que poderia ajudar-me a ter melhores discussões com os cristãos. Eu conheço a maioria das histórias e citações famosas apenas por viver em uma cultura predominantemente cristã. Ei, aprendi sobre o Êxodo assistindo aos Simpsons!

Não acho que isso seja surpreendente, já que cresci em um ambiente “católico não-praticante”. A maioria dos próprios cristãos nunca lei a Bíblia toda. Mas sempre que eu entro em uma discussão com algum religioso e ele descobre que sou ateu, suas primeiras palavras são “Bem, você leu a Bíblia?” Alguns ateus ficam tão chateados com essa pergunta que chegam a lê-la todinha só para postá-la na Internet (com os devidos comentários).

Sempre me falam que ler a Bíblia é uma experiência de mudança de vida e que eu vou me convencer plenamente da existência de Deus, Jesus, o Espírito Santo e talvez até unicórnios. Também me falam que quando eu cito uma passagem estranha da Bíblia, que eu simplesmente a tirei do contexto e que só entenderia a Bíblia lendo-a toda.

Mas, na verdade, não tenho nenhuma disposição para ler a Bíblia inteira. Não vou fingir que eu a li nem que lê-la seja algo realmente importante.

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O show da fé e suas implicações

Publicado em 25 de agosto de 2009,  por Alenônimo

Culto Evangélico

Texto bacana de Diogo Moyses sobre os programas religiosos na TV aberta. Merece ser lido na íntegra, mas deixo aqui um pedaço interessante.

Contra a programação de cunho religioso, no entanto, parecem estar os dois argumentos mais relevantes.

O primeiro é o fato da religião ser uma manifestação essencialmente privada, o que faz com que os telespectadores tenham o direito a que este tipo de conteúdo não invada a sua casa. Se entramos em templos ou igrejas por iniciativa própria, não parece correto que estes entrem em nossas casas sem a nossa autorização.

O segundo está ligado ao fato do Estado brasileiro ser laico, ou seja, não religioso. As concessões de televisão são públicas, outorgadas pelo Estado, o que faz com que estas não possam ser utilizadas para esse tipo de proselitismo, inclusive para evitar que se configure o favorecimento a esta ou aquela crença. O argumento é bastante forte, praticamente incontestável do ponto de vista jurídico e regulatório.

Mas o fato é que nada disso é observado no Brasil, como se a presença maciça das religiões fosse algo natural.

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O que há de verdade no relato do Êxodo?

Publicado em 12 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

Êxodo

Como é possível que 2 milhões de israelitas ¹ tenham sobrevivido por 40 anos no deserto do Sinai, junto com seus animais e carregados com o tesouro dos egípcios ²?

A região, até hoje, e mesmo com a tecnologia moderna, mal consegue sustentar uns 50 mil beduínos (no máximo; os números são imprecisos e variam de 5 a 50 mil), sendo que muitos deles vivem em cidades.

A arqueologia encontrou sinais de povos caçadores-coletores em vários lugares do Sinai, mas datam de antes e depois da época em que o Êxodo deveria ter ocorrido. Dessa época, só foram encontrados restos deixados pelos soldados egípcios e, mesmo assim, ao longo de uma antiga estrada ao norte, não onde os judeus teriam estado.

Como é que grupos pequenos, com dezenas ou centenas de nômades, deixaram vestígios detectáveis e 2 milhões de israelitas, durante 40 anos, não?

Alguns crentes alegam que os israelitas viviam fugindo e nunca passavam muito tempo no mesmo lugar. Mas, segundo o Deuteronômio, eles passaram quase todo esse tempo nas proximidades do oásis de Kadesh-barnea, na parte leste do Sinai. O versículo 2:14 especifica: 38 anos. Não há sinais de 38 anos de permanência de 2 milhões de pessoas.


¹ Êxodo 12:37 fala em 600.000 homens, o que, com mulheres e crianças, daria 2 milhões. Números 1:46 entra em detalhes, por tribo, e chega a 603.550. A maioria dos apologistas cristãos concorda com esse número, embora apele para milagres para explicar sua sobrevivência.

² Êxodo 12:32–38:

Levai também convosco os vossos rebanhos e o vosso gado, como tendes dito; e ide, e abençoai-me também a mim. Fizeram, pois, os filhos de Israel conforme a palavra de Moisés, e pediram aos egípcios jóias de prata, e jóias de ouro, e vestidos.

E o Senhor deu ao povo graça aos olhos dos egípcios, de modo que estes lhe davam o que pedia; e despojaram aos egipcios. Também subiu com eles uma grande mistura de gente; e, em rebanhos e manadas, uma grande quantidade de gado.

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O ocidente é poderoso porque é cristão?

Publicado em 11 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

vaticano

Que valor intrínseco ao cristianismo teria levado ao progresso do ocidente? Que parte da mensagem de Jesus teria possibilitado a criação dos impérios baseados em nações europeias que dominaram parte do mundo nos últimos 500 anos?

Jesus nunca pregou a favor da prosperidade material ou do poder político. Nunca defendeu o progresso das ciências. E Paulo, ao chamar de loucura a sabedoria deste mundo, não ajudou em nada. O cristianismo primitivo não tinha templos luxuosos ou uma hierarquia poderosa que interferia nos governos. Pelo contrário, a pobreza e o desprendimento dos bens materiais eram uma virtude.

Os crentes — principalmente os católicos — vivem repetindo que foi graças à Igreja Católica que a cultura greco-romana foi preservada durante a Idade Média. Sim e não.

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Sacrifícios humanos na Bíblia

Publicado em 08 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

Os crentes costumam apresentar uma descrição detalhada das coisas horríveis que os cananeus faziam às próprias crianças. Alegam que isto dava aos judeus o direito de exterminá-los e tomar-lhes as terras.

A verdade é que os judeus não eram melhores que os vizinhos. A Bíblia mostra que faziam sacrifícios humanos com frequência, inclusive por ordem de Javé, em alguns casos.

Nos outros, não fica claro se a ira de Javé se devia aos sacrifícios em si ou ao fato de serem oferecidos a outros deuses.

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Origens babilônicas do mito de Adão e Eva

Publicado em 07 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

Grande parte da Bíblia, principalmente o Gênesis, se baseia em uma mistura de mitos babilônicos. Em lugar de começar do zero, os hebreus os adotaram como se fossem um fato da vida, mas, em repúdio ao politeísmo dos mitos originais, eles os reinterpretaram e, em muitos casos, inverteram o contexto e o significado das narrativas.

No mito sumeriano original, por exemplo, os deuses maiores (Anunnaki) escravizaram os deuses menores (Igigi) e os forçaram a trabalhar a terra para produzir comida para eles. Um deles (We-ila) se revoltou e foi morto. Sua energia vital foi aplicada ao barro e dele foi criado o homem, que passou a cultivar a terra no lugar dos Igigi, e estes tiveram então direito à ociosidade junto aos Anunnaki.

Desta forma, os sumerianos explicavam a rebeldia, a desonestidade e a luxúria do homem: eram características herdadas dos deuses, que o haviam criado, e não culpa dele, criado à imagem divina. Os hebreus adotaram este mito, mas inverteram as coisas: Deus era um ser perfeito e criou o homem perfeito, mas este, por iniciativa própria, se rebelou, mentiu, pecou. A culpa seria então do homem, não de Deus. Para os sumerianos, o homem era vítima dos deuses e não perdeu a inocência porque nunca a teve. Para os hebreus, o homem, criado inocente, torna-se o vilão e a vítima é Deus.

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