Chances de haver Papai Noel são maiores do que as de Deus existir

Nesta quinta feira, 23 de Julho de 2009, Hélio Schwartsman postou um texto interessantíssimo em sua coluna, entitulado Enquadrando Deus.

Não, nunca fui submetido a abusos por parte de padres nem tive namorada que me trocou pelos Hare Krishna. Nasci e fui criado sem nenhuma religião —a qual nunca me fez falta. Embora eu tenha ascendência judaica —o que me torna um quase paradoxal caso de judeu ateu—, jamais ter frequentado a sinagoga não fez de mim um assassino ou estuprador.

As relações que travei com gente religiosa no curso da vida foram no geral muito boas. Tenho grande estima por muitas dessas pessoas.

Espero, com essas declarações, descartar as elucubrações daqueles leitores que atribuíram o caráter levemente ateu de minha coluna da semana passada a um trauma religioso ou algo parecido.

(…)

Bem, quais são as chances de uma pessoa nascer sem que sua mãe tenha mantido relações sexuais? Não são zero, mas são relativamente baixas. Ressurreição? Ainda menores. E quanto à união hipostática, isto é, um indivíduo ter ao mesmo tempo natureza humana e divina, ou, colocando em outros termos, ser simultaneamente ele mesmo e também seu pai? Supondo que isso faça algum sentido, acho que é melhor nem tentar calcular.

Passemos à escatologia. O catecismo 1.052 da Igreja Católica ensina que no dia da ressurreição as almas das pessoas mortas “na Graça de Cristo” serão novamente unidas a seus corpos. Não sou um patologista, mas parecem-me remotas as chances de reutilizar corpos mortos às vezes milhares de anos atrás. Pelo que sabemos, os átomos que compunham essas carcaças já terão se espalhado pela Terra e talvez até escapado de nossa atmosfera e viajado por onde nenhum homem jamais esteve. E o que pensar da reencarnação defendida por espíritas, hinduístas e budistas? Uma parte de nós (alma) que nem sequer é parte, porque não tem matéria, voa por aí penetrando corpos e definindo a essência de seres humanos e às vezes também de outros animais e vegetais antes mesmo de eles nascerem? Que tipo de informação pode o imaterial carregar?

Receio que nenhuma dessas ideias pare em pé senão como manifestações do tal cérebro espiritual ao qual aludi na semana passada.

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colunistas

Hélio Schwartsman

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Alexssc

    …prá quem é descendente do povo nórdico, o Valhala seja uma pedida melhor…

    O Valhala é a melhor pedida, o melhor de todos. Se as religiões trabalhassem com essa ideia, talvez eu acreditasse por mais tempo.
    Obrigado pela riqueza de informações.
    Abraços.

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Alexssc

    Sem contar a pequena controvérsia de que Jesus nasceu antes de Cristo

    E como Herodes morreu alguns anos antes de Cristo, não houve a perseguição aos primogênitos, consequentemente não houve a fuga para o Egito, consequentemente as historinhas não se sustentam, consequentemente…

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Hecton

    Perce seu ateu galinha..

    Eu ia ignorar isso, mas quero lembrar que somos feitos à imagem e semelhança dos deuses e, que eu saiba, os deuses gostavam de mulheres, quero dizer, não de uma só.
    Pode deixar, Alenônimo, já acabei. Só queria colocar esse jovem herege em seu devido lugar.
    De volta ao tópico e ao Papai Noel.

  • fabio

    Pois é, desde criança eu procuro o tal do papai noel, e nunco o encontro, vejo apenas pessoas se fantasiando com roupas pesadas e quentes para iludir as crianças.
    Quanto a Deus? Bem, eu já o vi algumas vezes, dentre elas no nascimento de meus filhos.
    Ah! eu falei com Ele hoje pela manhã, aliás todos os dias posso falar com Ele, mas com o tal São Nicolau (papai noel), esse nem as cartinhas de crianças ele lê.

    • Theodoro

      Talvez se o seu pai e sua mãe tivessem te doutrinado que o Papai Noel condena a infelicidade aqueles que não acreditam nele (assim como o seu deus),vc não teria perdido a fé nele.

      E se vc sabe que deus existe pelo nascimento dos “seus” filhos…isso não seriamais um caso de adultério envolvendo deus ?

      Que espécie de crente corno conformado é vc ?

    • Mister B

      fabio, eu tenho uma filha linda, maravilhosa e inteligente. Além de uma companheira de vida fantástica. Surpresa: somos os dois ateus.

      Eu participei durante as 16 horas do parto da minha pequena. Estive todo o momento ao lado de minha esposa, cortei o cordão umbilical, ouvi o primeiro chorinho, levei minha filha para o quarto e sinceramente, só me importei com as duas durante o tempo todo. Deus? Não, esse eu não vi. Meus olhos só conseguiam ver o que me importa mesmo: minha família.

      Se você tem uma sensação que não consegue descrever, não precisa inventar um amigo imaginário. Porque, aliás, isso não prova que ele exista.

      • Diego Oliveira

        Ah, desconfio que o meu emocional petrificou um pouco devido ao ateísmo: só consigo ficar de fato comovido com relatos belos como o do Mister B quando não enfiam no meio nenhuma representação aleatória de divindade transcendente!

    • Carl Vaz

      fabio
      Nos seus momentos de extrema tristeza e dor não existe ser (deus) nenhuma para te dar alívio, orando, implorando, fazendo votos, não importa, não vai mudar nada, a dor só vai ceder quando você for medicado, exceção apenas as de cunho psíquicos. Quanto aos seus momentos de felicidade, por serem tão intensos, você sente uma necessidade premente de repartir com alguém, então nada melhor que dividir com esse seu ser imaginário (deus). Realmente é uma pena não existir um ser onipresente para olhar-nos e guardar-nos, assim não estaríamos a nossa própria mercê.

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Fábio: Quanto a Deus? Bem, eu já o vi algumas vezes, dentre elas no nascimento de meus filhos. Ah! eu falei com Ele hoje pela manhã, aliás todos os dias posso falar com Ele…

    Rapaz, isso é mesmo incrível! (Por que nunca acontece comigo? Uma colega disse que Jesus tomou café-da-manhã com ela outro dia. Rapaz do Céu…)
    Você já pensou em levar isso à imprensa, por exemplo, a um programa de entrevistas, tenho certeza de que revolucionaria tudo o que sabemos até hoje. Rapaz!…