A moral provisória de Jesus

As regras de moral estão relacionadas aos costumes de cada povo. Elas nos permitem viver em sociedade, minimizando os conflitos com nossos semelhantes e tornando nossa vida mais fácil. Não são perfeitas, não são absolutas e muito menos imutáveis. Variam com a ocasião, com o lugar, com a época. De um modo geral, aperfeiçoam-se com o tempo.

Diante disto, o que pensar da moral pregada por Jesus? Seria ela o padrão absoluto de excelência, conforme acreditam os cristãos?

Em primeiro lugar, não há como discutir o que Jesus disse. Os filósofos gregos, muito antes dele, debateram a fundo este assunto. Podemos concordar com eles ou não, mas, pelo menos, eles apresentaram suas razões, eles nos deram argumentos que podemos analisar.

Jesus, ao contrário, apenas nos impôs sua doutrina, arbitrariamente, sem maiores explicações, por meio de promessas e ameaças. Ele não era um moralista. Sua missão era anunciar a vinda próxima do Reino de Deus e seu preceito básico era o de que os homens devem se dedicar inteiramente a Deus se quiserem entrar no céu:

“Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo” (Mateus 04:17)

“‘Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?’
Jesus respondeu: ‘Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento.’ ”(Mateus 22:36-38).

Ou seja, seus mandamentos, em sua maior parte, se referem ao que é preciso fazer para se alcançar a recompensa em outra vida: obediência total e amor compulsório.

Não acreditar nele era o grande pecado:

“Se alguém não os receber bem, e não escutar a palavra de vocês, ao sair dessa casa e dessa cidade, sacudam a poeira dos pés.
Eu garanto a vocês: no dia do julgamento as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos rigor do que essa cidade.” (Mateus 10-14-15).

Quando Jesus fala em ter fé, ele fala em obedecer sem discutir.

Se aceitamos algo sem analisar, mas apenas porque é o que se exige de nós, em obediência cega, renunciamos à busca da verdade, renunciamos ao uso de nossa mente. Recorrer à razão se torna um pecado.

Embora, em poucos casos, trate das relações interpessoais, sua moral pouco se importa com a melhoria da vida terrena. Isto até que faz sentido: Jesus afirmou que partiria, mas logo voltaria para estabelecer seu reino. Voltaria, de fato, enquanto “alguns dos que o ouviam ainda estivessem vivos” (Marcos 09:01).

Sua moral era uma moral provisória, a ser seguida no pouco tempo de existência que restava ao mundo.

Isto talvez explique por que ninguém se preocupou em registrar sua biografia para que os fatos chegassem às gerações futuras. Não haveria gerações futuras. Apenas décadas depois, quando seus discípulos, desiludidos, se deram conta de que ele só voltaria em futuro incerto e não sabido, é que começaram as tentativas de se produzir uma biografia.

E, como o tempo que restava à humanidade era curto, faziam sentido mandamentos do tipo “abandonar a família, os pais, a mulher e os filhos” ou “vender tudo o que se tem e dar aos pobres” (Lucas 18:22). Ou, um absurdo para os costumes da época, “deixar o pai insepulto e seguir a Jesus”.

Mas… e o Sermão da Montanha, alguns dirão? Mais uma vez, não passa de promessas a serem cumpridas numa outra vida.

Como é possível se ter uma vida digna se a gente dá a outra face a quem nos bate, se a gente também entrega a camisa a quem nos pediu o casaco, se a gente anda duas milhas quando alguém nos manda andar uma?

Temos, é claro, a “Regra de Ouro”, mas ela nada tem de original. Foi enunciada por Confúcio 500 anos antes de Cristo e já fazia parte da Lei, como o próprio Jesus afirma em Mateus 07:12. Ou “ama teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39), que é uma cópia de Levítico 19:18.

Além disto, era uma moral sectarista, limitada às “ovelhas perdidas de Israel”, e o resto da humanidade que se danasse (Marcos 04:10-12, 13:22 e 13:27 ou João 06:37, 44 e 65 ou 17:02 e 06).

Isto fica claro neste trecho:

“Jesus enviou os Doze com estas recomendações: ‘Não tomem o caminho dos pagãos, e não entrem nas cidades dos samaritanos. Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel’” (Mateus 10:05-06)

Ou neste, embora, mais adiante, ele pareça se arrepender da própria grosseria:

“Jesus respondeu: ‘Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel’. Mas a mulher, aproximando-se, ajoelhou-se diante de Jesus, e começou a implorar: ‘Senhor, ajuda-me’
Jesus lhe disse: ‘Não está certo tirar o pão dos filhos, e jogá-lo aos cachorrinhos’” (Mateus 15: 24-26)

Para piorar, alguns dos mandamentos de Jesus são absurdos, já que exigem que eliminemos nossos sentimentos: “não olhar para as mulheres com desejo” (Mateus 05:27-28) ou “não sentir raiva do irmão” (Mateus 05:21-22). Ora, podemos controlar como reagimos a nossos sentimentos, podemos controlar nossas ações, mas não podemos anular nossos sentimentos mais íntimos sem anular nossa personalidade. Entretanto, Jesus declara que até os sentimentos são pecaminosos. Para seguir a Jesus, temos que destruir aquilo que somos, sentimos e pensamos.

Inversamente, ele nos ordena “amar a Deus” e “amar ao próximo”, como se sentimentos pudessem ser ligados ou desligados voluntariamente. Sentimentos surgem a partir de valores que observamos nas pessoas. Se não os observamos, como fazer para despertar esses sentimentos sem mentir para nós mesmos? Mas Jesus não nos dá essas respostas, apenas nos ameaça com castigos eternos se não obedecermos.

Como podemos nos tornar “mansos e humildes” a não ser destruindo nossa autoestima e nossa vontade própria? Por medo do castigo?

Como é possível se contruir uma civilização se o sofrimento é uma virtude, se a prosperidade e a felicidade são condenáveis?

“Felizes de vocês se os homens os odeiam, se os expulsam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês, por causa do Filho do Homem. Alegrem-se nesse dia, pulem de alegria, pois será grande a recompensa de vocês no céu, porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. Mas, ai de vocês, os ricos, porque já têm a sua consolação! Ai de vocês, que agora têm fartura, porque vão passar fome! Ai de vocês, que agora riem, porque vão ficar aflitos e irão chorar!” (Lucas 06:22-25)

Fica claro que estes eram mandamentos para os poucos anos que ainda restavam ao mundo, e não um guia moral para uma civilização que se estenderia por muitas gerações, indefinidamente.
Sua validade é questionável.

Inspirado em “Atheism-The case against God”, por George H. Smith.

Texto Original

  • CajuCLC

    Hummmm
    Saiu tudo bagunçado!

    Pessoal, mandei um email para vocês.
    Gostaria de contribuir com o site postando também.
    Espero uma resposta.
    Abraços

  • Sublunar

    São exatamente esses tipos de argumentos que prejudicam a compreenssão da mente cristã. Em vários pontos estou em desacordo com o texto referido. Dividir para conquistar porém não será minha tática, tentarei tratar do argumento em seu todo. É preciso, com afinco, dissociar a idéia das palavras que Jesus teria dito com as interpretações que se deram a ela. E isso não me tornará menos descrente ou cético. Assim como Sócrates, Jesus não escreveu uma só palavra do que disse, e novamente como o filósofo grego foi “transcrito” para o papel por discípulos. Logo conclui-se que não aparentava tencionar um domínio, uma imposição de suas idéias. O povo queria ouvir o Cristo falando, e ele o fazia, mas não obrigava ninguém a escutá-lo. Não consigo ver Jesus como um “doutrinador”, a mim parece-me que ele foi sim o maior garoto propaganda da perniciosa inteligência de Roma, que à sua época era um caldeirão fervilhando ânimos. Jesus, segundo os relatos, transmitia sua filosofia por meio de parábolas – que muito se assemelham à forma como os pensadores orientais transmitiam seu conhecimento – e penso que cabe perguntar: Por quê por parábolas? Acredito que a resposta para isso se enquadre no seguinte exposto: Por meio de parábolas conta-se um fato do qual se conclui uma sentença, sentença essa que não é dada mas de certa maneira compreendida; o número de sentenças extraídas de uma parábola será proporcional ao número de intelectos a que ela foi exposta, disto fica claro que a mensagem extraída de tais contos é pessoal. Em síntese, Jesus não impunha mas expunha. O autor do texto cita ainda passagens clássicas como “dar a outra face”, e interpreta o dito literalmente ao que parece, o que se constitui uma incoerência. Ao meu ver Jesus tentou ensinar aos homens a “amar a bondade”, e disso fizeram religiões, em estreita semelhança podemos conectar isso ao “amor à sabedoria” – que significa filosofia – dos gregos, que o fim felizmente foi melhor na minha opinião. A bondade no entanto, é uma atitude privada, que morre ao permanecer nesse mundo seja em forma mesmo que de lembrança. O “bom” ao lembrar de seu ato sente vaidade o que faz morrer sua “boa ação”, sobre isso Jesus teria dito em Lucas 8:19 “Por que me chamais de bom? Ninguém é bom a não ser um, istó é, Deus”, frase essa que por si mesma mostra a fragilidade da teoria da Trindade que afirma serem 1=3 ou o inverso, explicar aqui como penso que Jesus conceituava o deus não me parece oportuno, embora me comprometa a fazê-lo em outro post caso alguém se pronuncie. Em razão à sua moral é mais que evidente que ela tenha que ser dinâmica como tudo que se relaciona ao comportamento humano.

    • Flório Luiz Mellonari

      Grande Sublumar. Parabéns!
      Minha análise, me leva a concordar contigo. É só observar que não há concordância entre o Cristo, e o cristianismo. Puseram muita besteira na boca de Jesus. Socrates, não poderia ser o precursor de uma postura incoerente que deram a Jesus. A verdade é que existe o que Jeus disse, o que ele não disse, e o disse que disse. É uma questão de análice. Por exemplo o deus de Moisés (sanguinário, ciumento, etc.), não tem nada haver com o deus de Cristo (que é amor).
      Apesar desse entendimento, continuo cético. Não defendo Cristo. Porém procuro entendê-lo melhor, sem interece religioso.
      Alguém, perguntou a Mahatima Gandi, sua opinião sobre o cristianismo. A essa pergunta o grande Mahatima fêz silêncio, porém comentou: “Se todo saber humano se perdece, e ficasse só o sermão da montanha, nada estaria perdido.
      Cristo foi filósofo, não fundou, nem criou religião. Foi uma mente lúcida para sua época.

      • Andressa

        Ah, fundou sim!

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Bertramd Russell preferia Sócrates a Jesus porque, segundo ele, o grego não condenava nem discriminava os que não concordavam com suas ideias.
    Não parecia ter surtos como aquele em que o nazareno expulsou violentamente os vendilhões do templo.

  • Sublunar

    Eu prefiro Bertrand Russel em detrimento dos dois pois ele defendia a jornada de trabalho de 4 horas, e metafísicas à parte, eu bem que precisava trabalhar menos.

  • http://hectonsuport.blogspot.com/ Hecton

    Como podemos nos tornar “mansos e humildes” a não ser destruindo nossa autoestima e nossa vontade própria? Por medo do castigo?

    A religião ataca exatamente isso, no medo de “estar errado” e do ” não ter volta”. Um total “terrorismo psicológico”.

  • Rebeca

    Percebemos que a moral de Cristo também é provisória quando ele diz em Lucas 12:47 que escravos devem ser espancados:

    “E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites.”

    Só para destacar, NÃO está fora de contexto. Cristo deveria ter uma moral imutável, mas estava sujeita aos costumes e valores da época: bater em escravos era justo. Escravos são inferiores e devem apenas servir o seu dono.
    Aposto que se Jesus falasse algo sobre isso hoje em dia, muitos aceitariam, sem discutir, o “Grande Mestre”.

    • http://hectonsuport.blogspot.com/ Hecton

      Rebeca.

      Só para destacar, NÃO está fora de contexto. Cristo deveria ter uma moral imutável, mas estava sujeita aos costumes e valores da época: bater em escravos era justo. Escravos são inferiores e devem apenas servir o seu dono.
      Aposto que se Jesus falasse algo sobre isso hoje em dia, muitos aceitariam, sem discutir, o “Grande Mestre”.

      Na minha transição de marionete à ateu, o que fez ganhar força em aceitar que nada do que há na bíblia é digna de um suporto deus todo bondoso, é o fato que em nenhum momento a bíblia condena a escravidão de homens. Se a moral do nazareno é imutável, não interessa se ele estava sujeito aos costumes da época/região/pessoas. Simplesmente ele diria.

      É errado escravizar outro ser humano, e pronto.

      Mas o que “vemos”? Uma total submissão de valores de época numa figura que nem sabemos se existiu, contudo influencia milhares de pessoas com sua doutrina perversa.

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Rebeca

    Cristo deveria ter uma moral imutável…

    Não sabemos. Não sabemos sequer se Cristo existiu. Não há uma prova, um documento, nada.
    Mesmo que tenha existido, não há como saber sobre esse personagem ou essa pessoa, só sobre o que dizem dele.
    O Rei Artur não existiu, mas deve ter havido um líder que unificou os primeiros povos das ilhas britânicas, um perfil semelhante a um guerreiro e um político. Mas tudo o que dizemos sobre o Rei Artur é por nossa conta.
    E, existindo ou não, um personagem assim inspira povos inteiros por séculos.
    Mesmo assim, não descarto a hipótese de Cristo ter existido. O problema é o que falam dele e por ele.
    De Fernando Pessoa: O mito é o nada que é tudo.
    Abraços.

  • Fernando Silva

    Rebeca,

    Só para destacar, NÃO está fora de contexto. Cristo deveria ter uma moral imutável, mas estava sujeita aos costumes e valores da época: bater em escravos era justo. Escravos são inferiores e devem apenas servir o seu dono.
    Aposto que se Jesus falasse algo sobre isso hoje em dia, muitos aceitariam, sem discutir, o “Grande Mestre”.

    A moral de Cristo não deveria estar sujeita a contextos. Deveria valer na época dele, hoje e sempre.

    Se algumas coisas não valem mais e outras sim, qual o critério de escolha?

    É cada um por si?

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Fernando Silva

    Sugestão para artigo: vi hoje (06.08.09) na Globonews, no programa Entre aspas, uma discussão sobre retirar símbolos religiosos (no caso, crucifixos) dos locais públicos.
    Um cidadão entrou com uma representação na justiça. Veja:

    http://globonews.globo.com

    Não lembro se já há algo assim aqui no site e não tenho saco para procurar.
    Abraços.

    • http://alenonimo.com.br/ Alenônimo

      Valeu pela dica. Joguei no site principal.

  • Sublunar

    Esforcem-se para não tomar minha assertiva como mau em si. Falo do comentário de Hector. A contraposição correta de uma moral imutável, que dizem ter sido pretendida por Cristo [o que eu duvido], é aquela moral “correta” fundada na cultura e afeita à sua época. Sem valores imutáveis posto que os valores são melhores escolhidos com as necessidades sofridas pelas sociedades. Desse modo em que você se basearia para dizer que “É errado escravizar outro ser humano, e pronto”, penso eu que na moral vigente que extirpou o instituto da escravidão, ao menos aparentemente, se estudar a escravidão em suas origens notará que a vida de alguns escravos romanos era melhor que alguns assalariados “livres” de nossa época. O curso da história no entanto, não é uniforme e linear, não seria estranho em uma situação de suma necessidade voltarmos à utilização de velhos recursos, talvez com outra roupagem para não dar na cara. Em síntese, o amanhã não nos é conhecido, afinal o que eu e você temos em comum é duvidar de uma verdade absoluta, parece incoerente contrapor com uma outra verdade absoluta. Cristo não esperava se tornar universal, os católicos são donos desse pensamento. Taxar ensinamentos dados em parábolas como “doutrina perversa” não me parece justo, embora seja, é óbvio, um direito seu pensar que sim. No meu caso, penso que o que ele disse foi pervertido e instilado pelas presas mordazes romanas. Estou com Nietzsche quando ele diz que Jesus foi o único cristão da terra.

    • http://hectonsuport.blogspot.com Hecton

      Sublunar,

      Talvez você não tenha entendido ou não me expressei bem (o que eu não acredito) o meu comentário.

      Os cristãos se “gabam” de uma história que “se” real, é totalmente distorcida. É fato que lapidamos a “moral” com o passar dos anos, o que era “imoral” à 10 anos, hoje já se tornou “modinha” entre as massas….o que era pecado ontem…bem…continua pecado hoje para os religiosos.

      Cristo, assim como eles alegam, veio exatamente para “por ordem na casa” (tanto que colocou os coitados dos camelôs do tempo pra fora), contudo quando se diz em moralidade, estamos falando de conceitos que: são benéficos a todos. O nazareno sendo o “salvador onisciente” saberia que, escravidão era algo ERRADO, e que chegaríamos a uma posição realista sobre isso.

      .. O curso da história no entanto, não é uniforme e linear, não seria estranho em uma situação de suma necessidade voltarmos à utilização de velhos recursos, talvez com outra roupagem para não dar na cara.

      Mas que diabos é isso? Sublunar, Somos seres racionais (pelo menos uma boa parcela), passamos por experiências em nossas vidas, na sociedade, cometemos erros e aprendemos com eles, de maneira alguma concordo com sua posição nessa frase demasiadamente errada. Somos capazes de traçar metas e alternativas para não cometer os erros do passado.

      … Taxar ensinamentos dados em parábolas como “doutrina perversa” não me parece justo..

      É muito mais que isso. As “inofensivas” parábolas influenciaram e influenciam milhares de pessoas até hoje, assim como tem gente que acredita até hoje no gênese, existem milhões que acreditam que o nazareno foi/é o “exemplo” de moral que a humanidade teve.

  • Fernando Silva

    Flório Luiz Mellonari

    Alguém, perguntou a Mahatima Gandi, sua opinião sobre o cristianismo. A essa pergunta o grande Mahatima fêz silêncio, porém comentou: “Se todo saber humano se perdece, e ficasse só o sermão da montanha, nada estaria perdido.

    O Sermão da Montanha é uma lista de promessas que só serão cumpridas na outra vida. Se houver outra vida.

    Cristo foi filósofo, não fundou, nem criou religião. Foi uma mente lúcida para sua época.

    A maior parte do que Jesus disse (se é que foi ele que disse…) não é novidade: vem do Antigo Testamento ou da filosofia grega.

    • Andressa

      Eu n consigo distinguir sua foto…

  • Plastic Jesus

    Acho interessante que se exponham essas questões sobre o que está escrito e atribuido ao Cristo , até mesmo para deixar claro que milhões seguem uma doutrina confusa e conflitante. Mas acho que devemos sempre lembrar que tudo aquilo que se atribui ao suposto Jesus , sua biografia e suas frases , foram construções feitas através dos 3 primeiros séculos por seguidores da seita do Cristo. Ou seja , a história de Jesus narrada pelos evangelhos , e tudo o que ele falou , são novelas formadas ao longo dos 3 primeiros séculos por comunidades de cristãos ao longo do império romano , provavelmente inspiradas por um jesus que tenha vivido na palestina durante o primeiro século , seja lá ele quem tenha sido : Fanatico , rabino , lider politico , excentrico , etc. O que se sabe é que ele nunca se afirmou filho de Deus ou messias. O primeiro evangelho que se conhece , o de Tome , e portanto o que foi escrito o mais proximo da suposta existencia do Cristo , nada trás acerca de sua biografia , e é apenas um resumo d3sconexo de parabolas e frases de efeito altamente influenciadas pelo gnosticismo , uma espécie de superstiçao comum na época. Apenas muitos anos depois surgiram dados biograficos , criações de escribas piedosos que queriam justificar a fé em Jesus.
    A messianização de Cristo surgiu provavelmente no Egito , em Alexandria , onde Judeus que lá estavam há séculos (provenientes da primeira diáspora) , e se encontravam Helenizados , e portanto adeptos dos cultos filosóficos platônicos (a crença na alma , na imortalidade , na ressurreição) e estoicistas (o ascetismo e a castidade). Da mistura da seita cristã recém anunciada por Judeus que lá chegaram na diáspora do primeiro século , com o helenismo , estoicismo , judaísmo e muita coisa dos deuses solares que já circulavam há seculos na região , nasceu o Cristianismo . Um verdadeiro Frankenstein , que se tornou popular como superstição , e mais tarde , a religião oficial do império romano , pois constantino adorou a idéia de fiéis passivos que sentiam prazer na dor e eram ovelhinhas resignadas : Tudo que ele precisava para consolidar os frangalhos do império romano , criar um clero e uma nova classe estatal romana , submissa a ele ..

    Leiam
    . O Deus exilado (Gabriela Fiorillo) – Excelente esse !!
    . Deus e o Homem (Voltaire)
    . Dicionário Filosófico (Voltaire)

  • Samurai

    “Eu sei que muitos ateus [como provavelmente você] fazem questão de travar uma guerra com cristo e eu até entendo o por quê: ele é o segundo maior ícone, assim como a grande jogada.”
    Voce está enganado, a não ser que travar uma gerra por menos ignorancia e liberdade de pensamento seja algo anti-jesus.

  • Flório Luiz Mellonari

    Obrigado, Plastic Jesus.
    Você sem querer, me deu o maior prensente de aniversário.
    São os livros que você indicou.

  • Flório Luiz Mellonari

    Olá, Fernando Silva.
    Grato pelo seu comentário.

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Plastic Jesus

    O deus exilado é de Marília Fiorillo.
    Abraços.

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Samurai

    Voce está enganado, a não ser que travar uma gerra por menos ignorancia e liberdade de pensamento seja algo anti-jesus.

    Boa, chute no gol, sem defesa.

  • Sublunar

    Consigo ver as contra-respostas mas não vejo meu argumento. Em todo caso, trabalhemos sobre o que se vê. Saudações Samurai, na sua nota você diz, como aliás o Perce Polegatto bem concordou, que eu estou enganado “a não ser que travar uma gerra [guerra] por menos ignorancia e liberdade de pensamento seja algo anti-jesus.” Nesse caso, e segundo você, Jesus representaria ignorância e constrição de liberdade. Que Jesus não era ignorante eu acredito não precisar provas. Por outro lado seria ele o promotor dela, para analisar isso poderíamos nos remeter para a época, judeus dominados pelos romanos que impunham aos poucos sua ideologia, pois como diz Marx, a ideologia a prevalecer é sempre a da classe dominante, nesse contexto aparece Jesus um motivo para lutar, é ele que reacende os ânimos, é ele que dá amparo à cultura dos Judeus em detrimento à romana [que pode ser considerada em termos, liberdade de pensamento] através de suas idéias lança conceitos de inssurgência, ao lembrar Moisés que teria em outros tempos guiado a fuga do Egito. Sem contudo fazê-lo. Troca-se em suas palavras, e novamente, a pessoa Jesus pela Ídolo Cristão. Não duvido dos conhecimento possuídos por você, mas parece-me que não leu o novo testamento em sua totalidade, se sim, perdoe-me a falsa impressão que tive.

    • Fernando Silva

      Sublunar,

      Que Jesus não era ignorante eu acredito não precisar provas.

      Precisa sim. Até onde sabemos, o Jesus dos evangelhos é apenas um personagem de ficção. Não sabemos como foi o verdadeiro Jesus.

      E quem diz “Aceite o que eu digo ou queimará para sempre no inferno” está se impondo. Isto não é liberdade de pensamento.

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Sublunar

    Quando concordei com o Samurai, não necessariamente estava contra você, espero que tenha entendido. Concordei com o acréscimo que ele fez.

    Que Jesus não era ignorante eu acredito não precisar provas…

    Sem entrar de jeito nenhum na polêmica de ter existido ou não, o problema é determinar com certeza (pois não há nenhuma biografia confiável, histórica de Jesus) o que esse homem disse ou não disse, fez ou não fez. Tudo o que vem depois depende disso.
    Primeiro preciso provar que o Rei Artur existiu para depois dizer: “Foi ele quem assinou a unificação dos povos anglos e promoveu a expedição dos cavaleiros etc.”

    …aparece Jesus um motivo para lutar, é ele que reacende os ânimos…

    Ele? Ou a idéia que fazemos dele?
    O mito serve de qualquer maneira. Há pessoas que dizem: “Se não fosse Nossa senhora da Penha, eu teria morrido naquela mesa de cirurgia.” Não importa. Pode ser Jesus, São Caetano, Nossa Senhora de Guadalupe…
    Abraços

  • Sublunar

    De fato quase risonho Fernando, sem intenção de ofender é claro, mas observe: Para opinar sobre a ignorância você o coloca em suspenso, no plano da dúvida, em contrapartida para citar que ele viola a liberdade de pensamento você como que ratifica a existência dele. É como se ele existisse de acordo com a finalidade do seu argumento. É verdade, não sabemos como foi de fato Jesus se é que ele existiu, a influência causada por ele no entanto foi conseguida por meio de uma imagem, feita através dos Evangelhos de Lucas, Mateus, Marcos e João [Thiago, Pedro e Judas não se aprofundam em suas considerações] e passada a público. Chegamos, é sobre essa imagem fabricada de Jesus que falo, corresponda ela a verdade ou não, pois é apenas ela que conhecemos, e nessa imagem ele não é ignorante. Não digo aqui, e nem poderia, dizer que temos de aceitar essa imagem, podemos ignorá-la, ou interpretá-la. Ao ignorar, nada podemos dizer mais sobre ela, pois o que é ignorado por nós não pode ser alvo de nossas críticas. Note, a contrapeso, que interpretá-lo não significa admitir sua existência, mas sim tecer considerações sobre o conceito trazido até a mim, a título de exemplo é como o que falamos sobre Deus, pois mesmo que não exista Ele temos a noção da idéia que viria a sê-lo. Perce, pouco do que você disse entra em desacordo com minhas palavras, e em relação a estar ou não “contra” mim, eu duvido, pois pelo que noto, estamos do mesmo lado. Em relação a “serventia” do Mito, note como os outros 3 exemplos – N.S da Penha, São Caetano e N.S de Guadalupe – descenderam de certa forma dele.

    Abraços

  • RODRIGO

    Estava pesquisando sobre Joe Morecraft, III no google, e acabei entrando no site de vcs, o que leva uma pessoa a perder tempo tentando explicar o que não acredita, isso é irracional, não acham.

    A fé é o que explica, fé é a certeza das coisas que não se veem.

    Que provas temos que o big-bang existiu ? tem foto?

    Em que vcs acreditam? que não existe Deus, mesmo assim acreditam em algo, pela fé que tem, a fé foi colocado no coração de vcs, por quem? pelo bóson de Higgs…hehehe

    É tudo pela fé, pena que alguns não conseguem enchergar.

    • Fabiano

      Nao Rodrigo, é totalmente racional. O fato de ateus discutirem a existência de deus é um ato de racionalidade que, aliás, deveria ser praticado por quem crê.

      Sabemos os males que a religião causou e causa até hoje, dos absurdos que ela defende e apóia e do tipo de mentiras que se fia para manter a fé.

      Fé é crer sem ter evidências. Eu posso não enxergar certas coisas, mas é possível provar que elas existem. Exemplo simples, o vento. Um exemplo um pouco mais complexo, raios X.

      Essa tua pergunta do Big Bang é um tiro no pé. Tem foto de deus? De Jesus?

      Ateus não acreditam em deus, só isso. Daí o que cada um aqui acredita, é pessoal. Podem existir ateus que acreditam em fadas, mas acho improvável, pois normalmente um ateu é cético. Ele não acredita em algo só por acreditar, ele precisa de evidências.

      Eu, pessoalmente, vejo evidências que mostram que o Big Bang é a melhor teoria que existe para explicar o surgimento do universo. Se aparecer outra teoria, que explique melhor e que as evidências suportem, qual o problema em acreditar?

      Acreditar com evidências testáveis e verificáveis e ter fé é algo completamente diferente.

    • Fernando Silva

      RODRIGO

      o que leva uma pessoa a perder tempo tentando explicar o que não acredita, isso é irracional, não acham.

      Não. É apenas uma reação à mania dos crentes de tentar nos converter.
      Item 23:
      http://ateusdobrasil.com.br/p/308/

      A fé é o que explica, fé é a certeza das coisas que não se veem.

      Ter certeza do que não se vê não me parece sensato.
      Por que você rejeita os outros deuses, que você também não vê? Deveria aceitar todos.

      Que provas temos que o big-bang existiu ? tem foto?

      O que mudaria na minha vida se ficasse provado que não houve um Big Bang?

      Em que vcs acreditam? que não existe Deus, mesmo assim acreditam em algo, pela fé que tem

      Que original !!!
      Veja itens 26 e 27 do link acima.

      É tudo pela fé, pena que alguns não conseguem enchergar.

      Item 26, de novo.

  • vanderlei

    Que provas temos que o big-bang existiu ? tem foto?

    Aqui está. rsrrsrsrsrrs

    E cada um que parece aqui ….

    Daqui a pouco vai aparecer um religioso questionando o diâmetro da terra, já que não existe uma fita métrica para medição.

    Previsão do eclipse deve ser uma pedra no sapato dos religiosos.

  • Elton Goes

    Senhores crentes, não se esqueçam que fomos educados em lares teista/cristãos e crescemos acreditando nessa odienta lavagem cerebral religiosa que recebemos, essa é a razão de alguns devaneios que nos levar raciocinar como se esse pseudo criador existisse.

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Rodrigo

    É tudo pela fé, pena que alguns não conseguem enchergar.

    Não consigo enxergar mesmo, nem com x.
    Você mesmo diz que crê no que não vê, portanto, você também não enxerga.
    E acho muito ridículo vocês, crentes, nos pedirem provas do Big Bang e do DNA etc (que não estão aqui comigo, no meu bolso) enquanto vocês não têm provas de nada.
    Não é o máximo da ironia?

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Vanderlei

    Daqui a pouco vai aparecer um religioso questionando o diâmetro da terra, já que não existe uma fita métrica para medição.

    E o pior é que você não vai conseguir provar.
    Cara, essa gente é louca.

  • Sublunar

    Embora acredite que o Rodrigo fugiu dessa avalanche, há chances dele passar e ler isso aqui, portanto:

    Agradeço pela preocupação que tem com o nosso “estoque” de tempo e a maneira como deveríamos usá-lo. Você diz: “o que leva uma pessoa a perder tempo tentando explicar o que não acredita, isso é irracional, não acham [?]“. Não, não acho. Se minha resposta se detivesse aí penso que você não ficaria lá muito contente, e isso se deveria à falta de fundamento; falta de fundamento, é isso que nos tornou céticos da verdade absoluta. Perdoe-me por ser tão incisivo, mas parece-me que você não quis sondar o que te disseram em sua mocidade [e infância], você em termos simples, teve preguiça de pensar, até porque é muito mais cômodo se abrigar confortavelmente na verdade absoluta. O homem se distinguiu de sua fase anterior pela capacidade cognoscente, a biologia prova isso, ora, porque deveríamos abandonar isso e nos estagnar em uma posição tão ridícula [aqui eu enquadro os crentes] e subserviente. Em breve honraria a Raul “Minha mãe me disse há tempo atrás.Filho onde cê for Deus vai atrás, Deus vê sempre tudo que cê faz. Mas eu não via Deus, achava assombração.” O fantasma-mor dos homens.
    Concordo com você porém quando diz que todos acreditam em algo, esse algo no meu caso, não é o personagem principal da fábula do Gêneses.

  • nildo

    O texto acima fala sobre os castigos que “deus”infringirá a todos que não seguirem os seus mandamentos, que iriam queimar no fogo do inferno, etc., etc., etc. Eu por exemplo, não temo estes castigos, pela simples razão de que eu não tenho medo de “deus”, mas, tenho medo de quem fala muito nele.

  • http://www.percepolegatto.com.br Perce Polegatto

    Nildo

    É isso aí, meu amigo. Outra vez vou dizer, mesmo consciente de estar me repetindo: precisamos lutar pelo estado laico, é a garantia de todos poderem escolher seus caminhos, suas filosofias de vida, sem punições (punições humanas, claro).
    Abraços.