
Enquanto as equipes de resgates estavam fazendo o trabalho pesado de resgatar os mineiros soterrados no Chile, os sacerdotes evangélicos, católicos e adventistas disputavam quase que à tapa a autoria do milagre em andamento. As três confissões religiosas reivindicavam o crédito pelo que insistiam ser a intervenção divina na sobrevivência e no resgate iminente dos 33 trabalhadores.
“Deus conversou comigo claramente e guiou minha mão a cada passo do resgate. Ele quis que os mineiros fossem salvos e eu sou Seu instrumento.” — disse Carlos Parra Díaz, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi ele quem conseguiu as Bíblias de 7cm para enviar aos mineiros pelo canal da sonda entre a descoberta e o resgate.
“Ele ouve a nossa música.” — disse Javier Soto, pastor evangélico, enquanto vagava de família em família trazendo um violão e cânticos religiosos. Ele alega que foi o primeiro a chegar ao local quando a mina foi soterrada e atribui a descoberta dos trabalhadores vivos às suas orações.
“Deus ouviu nossas preces. Recebi mensagens de encorajamento vindas de todo o mundo. Vamos agradecer.” — disse Caspar Quintana, Bispo Católico de Copiapó. Como todo sacerdote católico, ele foi o mais discreto na concorrência entre as fés e não quis se envolver com a gentalha na busca pelo crédito. “O importante é que Deus está agindo por meio da engenhosidade humana para resgatar esses homens.”
Ou seja, enquanto os trabalhadores estavam lá se matando pra cavar o buraco, enquanto os cientistas a NASA e a marinha chilena estavam desenvolvendo tecnologias para o transporte seguro daqueles trabalhadores à superfície, esses vagabundos (não sei termo melhor) ficaram buscando autoria de um trabalho que nenhum, em nenhum momento, se prontificou a fazer.
Como disse PZ Myers no blog Pharyngula, nenhum deles sujou as mãos pelas vítimas. E nenhum assumiu autoria pelas mortes ocorridas no desabamento da mina.
Fonte: Estadão.com.br, Pharyngula.