TJs deixam menina de 13 anos morrer e vão à júri popular

Os desembargadores da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiram enviar a júri popular o caso da menina Juliana Bonfim da Silva, de 13 anos. De acordo com o caso, a menina tinha anemia falciforme e precisava de uma transfusão de sangue. Por serem testemunhas de Jeová, os babacas dos pais não autorizaram a transfusão e a coitada da criança acabou morrendo em 1993 com 13 anos em São Vicente, litoral de São Paulo.

O caso é interessante porque, além do pai, o militar da reserva Hélio Vitória dos Santos, de 68 anos, e da mãe, Ildelir Bonfim de Souza, de 57 anos, também é réu nesse processo o médico da família, José Augusto Faleiros Diniz, de 67 anos, e testemunha de Jeová também.

Não só os pais haviam recusado a transfusão de sangue, sabendo que ela precisava disso para viver, como também ameaçaram processar quaisquer médicos que fizessem a transfusão.

Walter Freua, um tonto aí indicado pelas TJs para dar entrevistas em São Paulo, disse que esse é um princípio bíblico. Segundo ele, em Atos 15:20 está escrito que “devemos nos abster de sangue”. “O sangue para Deus é sagrado, é a vida da pessoa e deveria ser respeitado”. Ele também diz que se abster de sangue inclui transfusão, ingestão ou qualquer tratamento. Já eu digo que tal regra foi feita para que não se comesse sangue, pois essas outras coisas aí não existiam na época em que essa pichorra foi escrita.

O ex-pai ainda tenta argumentar: “Não fizemos nada de errado (…) Nós não aceitamos a transfusão e não vamos aceitar nunca.” E continua: “A Bíblia nos ensina. Jeová não aceita. Deus não aceita. É uma coisa sagrada para nós. (…) Fazer o quê? A gente tem que seguir a vida.” Se perguntado se voltaria atrás na decisão de não permitir a transfusão, ele responde “Não, não.”

Cara, eu queria que ele tivesse anemia falciforme. Aí sim queria ver ele negar a transfusão de sangue. Só espero que o júri não vá mijar pra trás só porque suas ações foram baseadas em religião.

Fontes: Tela Crente, Diário do Grande ABC, G1, Terra Magazine

Testemunhas de Jeová são incrivelmente hipócritas

A revista Despertai! dos Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos tem um artigo interessante:

“Existe um novo grupo de ateístas que ganharam importância na sociedade. Chamados os novos ateístas, eles não se contentam em manter as suas opiniões para eles próprios”.

Como é, José?

Eu tenho que aguentar esses filhos da p#@% batendo palma domingo de manhã pra me falar de Jesus Cristo, me cercando na rua pra eu pegar a p$#ra de uma m&@da de um folhetinho toda semana e quando eu abro a boca pra falar o que eu penso eles vem reclamar?! Vem fazer mi-mi-mi?!!

Ah, vão se f@#er seus p$#ra do car&#%o filhos da p#@%! Aparece aqui de novo que eu lhes enfio suas Bíblias de capa grossa pelo caminho das trevas!

Caramba… tudo isso porque mais cientistas aparecem dizendo que Deus não existe? Eles tão ficando com medo é?

Fontes: Pharyngula, Portal Ateu, Uma atéia de bom humor.

Testemunhas de Jeová não responderão mais por Discriminação Religiosa no Ceará

No dia 29 de julho eu havia postado aqui sobre o processo de discriminação religiosa que os Testemunhas de Jeová estão levando devido ao tratamento que eles dão às pessoas que deixaram a igreja.

Advinhem. O Tribunal de Justiça do Ceará deu pra trás e não tá mais processando os TJs. Extinguiram a ação.

A defesa dos acusados ingressou com pedido de habeas corpus (nº 44832-87.2010.8.06.0000/0) no TJCE requerendo a extinção da ação penal instaurada, alegando ausência de justa causa. O processo tramita na 6ª Vara Criminal da Comarca de Fortaleza.

Ao julgar o caso, a 1ª Câmara Criminal decidiu, por unanimidade, conceder a ordem para trancar a ação. “Não vislumbro, na escusa ao trato cotidiano, qualquer forma de discriminação, impedimento ou obstacularização. Há, sim, uma escolha por adeptos de credo religioso que, errado ou certo, apregoam a indiferença diante daqueles que, antes irmanados, abandonaram a crença, o que lhes parece lógico, pois resultante de interpretação da Bíblia Sagrada”, afirmou o relator do processo, desembargador Francisco Pedrosa Teixeira.

O relator finalizou: “Gostemos ou não, isso faz parte da liberdade de culto, sacramentada constitucionalmente. Levar a conduta ao patamar de ilicitude penal me parece demasiado. Ressalte-se que a vítima, em nenhum momento do inquisitório, acusou os pacientes, preferindo generalizar, afirmando que a discriminação era incentivada pelos dirigentes da aludida religião em todo o país. Se assim é, que seja acionada toda a comunidade eclesial!”.

Nós vivemos num país de maricas mesmo, onde a justiça não tem coragem de sequer tocar nas instituições religiosas. Fico feliz por pelo menos o Ministério Público ter ficado do lado da razão e ter tentado.

Da próxima vez que aparecer um TJ aqui em casa tentando pregar, vou falar que, devido ao tratamento dado aos dissociados e desassociados daquela religião, me recuso a conversar com eles, para sentirem o gostinho amargo da morte social. Não vou nem pegar panfleto. Se você puder faça o mesmo, visto que é o seu direito de liberdade de culto ignorar e ser mau educado com essas pessoas.

Fonte: TJCE

Testemunhas de Jeová responderão por Discriminação Religiosa no Ceará

Quando uma pessoa deixa de ser uma testemunha de Jeová, seja por abandono ou até mesmo por ter sofrido uma transfusão de sangue que lhe salvou a vida, todos os seus amigos e parentes que frequentam a igreja passam a se recusar a manter qualquer tipo de contato com a pessoa. Pais deixam de falar com os filhos e até de morar sob o mesmo teto, mesmo quando estes são menores de idade. Isso é chamado desassociação.

Sebastião Ramos, funcionário público federal na UFC, após publicar textos sobre o assunto, recebeu dezenas de e-mails de pessoas desassociadas e dissociadas dos TJs. Histórias de dor, solidão, tristeza e até suicídios. Milhares de pessoas. Isso o motivou a impetrar com uma denúncia no Ministério Público contra a Igreja dos Testemunhas de Jeová.

Agora, houve uma decisão jurídica favorável a um parecer da promotoria que acusa não só os anciãos que dessassociaram o Sebastião, mas a própria religião dos Testemunhas de Jeová de violar a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Com a denúncia consolidada, os pastores da Igreja Testemunhas de jeová irão responder judicialmente por crime de discriminação religiosa.

Essa vitória mostra que a religião não pode passar por cima dos direitos de uma pessoa. É um ganho de causa não só para os desassociados e dissociados das Testemunhas de Jeová, mas para todos os cidadãos brasileiros.

Leiam mais sobre o assunto no Agora Tô On-line.

As Religiões da Liberdade

Liberdade de religião é um assunto muito batido. Por isto, hoje vou falar da religião da Liberdade, ou melhor, das religiões da Liberdade.

A Liberdade, no caso agora, não é aquele atributo associado à autodeterminação do indivíduo, que tanto apreciamos e sem o qual não seríamos quem somos. Falo do bairro da Liberdade, o charmoso enclave oriental no centro de São Paulo, nossa Chinatown, onde podemos caminhar entre um monte de lojas que vendem quinquilharias chinesas e descobrir nas entrelinhas desta vulgaridade o antigo espírito da cidade, onde muitas nações convivem e formam uma única.

Mas o assunto aqui não é a colônia oriental, japonesa (a maioria), chinesa e coreana que ocupa o espaço entre a Praça da Sé e o começo do Cambuci (quem não é de São Paulo nem queira saber onde é isto). Para o observador da religião aqueles quarteirões em torno do antigo Largo da Forca, hoje Largo da Liberdade, são um tesouro antropológico.

Meus filhos gostam de andar por lá, por isto, vez por outra circulo por aquelas bandas para ver vitrines que exibem katanas fabricadas em linhas de montagem e outros souvenires tão autênticos quanto uma nota de três dólares.

Mas o legal mesmo é topar com as versões nipônicas daqueles estereótipos de pregadores religiosos com os quais cruzamos (ou evitamos) no nosso dia a dia. Eles estão todos lá, mas pitorescamente recriados no clima do bairro. Orientalizados, digamos assim.

Comecemos pelas Testemunhas de Jeová.

A lembrança primeva que tenho desta seita é a de seus pregadores de campo, batendo de porta em porta para avisar que o mundo ia acabar qualquer dia destes, entre amanhã e o dia em que morresse o último sei-lá-quem que tava vivo em 1914 (não olhem para mim, perguntem para eles o que significa isto).
O notável é que desde então passei a acreditar que aqueles pentelhos de maletinha e revistinha na mão tinham algum poder mágico, pois quando eles apareciam na esquina, faziam desaparecer todo mundo que tava na calçada, lavando seus carros na manhã de domingo (quem não é de São Paulo não queira entender isto também).

Bem, resumindo, Testemunhas de Jeová são inconvenientes e orgulhosas disto.

Exceto as da Liberdade.

Os nipônicos e descendentes cooptados pela seita (também não me perguntem por que japoneses ou nisseis se tornam TJ’s) se limitam a oferecer suas duas publicações oficiais, A Sentinela e Despertai, simplesmente exibindo silenciosamente as revistas para os passantes na calçada. Para os orientais, o ato de abordar diretamente alguém é demasiado agressivo, optando a turminha da Torre de Vigia com olhos puxados por um método mais sutil, condizente com os padrões locais.

Que façam escola. Ou que desistam. O que vier primeiro.

Mas minha melhor descoberta nestas andanças (se pudesse patenteava) é um pregador evangélico japonês (ou chinês, ou coreano, sei lá… mas acho que é japonês ou nissei), que fica no finalzinho da feirinha da Liberdade, com um cartaz enorme escrito em vária línguas e caracteres (incluindo japonês, chinês, coreano, hebraico e árabe, ou coisa parecida, já que só posso julgar pelo formato dos desenhinhos), que com um ridículo chapéu onde se lê “Jesus Salva” passa o tempo sentado num banquinho cantando hinos evangélicos em japonês (acho…).

Do que li no cartaz, nas partes em português, espanhol e inglês, é só aquela balela de sempre que, resumindo, diz “creia em Jesus ou queime no inferno por toda a eternidade”.

Fico imaginando se alguma vez na História da Humanidade tal estratégia de conversão funcionou com alguém.

Comigo não deu certo.

Mas já que estamos nas cercanias da feirinha da Liberdade e, portanto, do Largo que, como disse, hoje leva o nome do bairro, mas ficou famoso pelo laço que estrangulava os tidos como malfeitores em tempos de outrora, impossível deixar de falar da Capela da Santa Cruz dos Enforcados, também conhecida na cidade como Igreja das Almas.

Oficialmente é uma igreja católica romana. Para mim é um mistura de castelo do Conde Drácula com Terreiro de Umbanda onde se rezam missas nas horas vagas.

Não fica bem para um guerreiro Tupi dizer isto, mas se tem um lugar que me metia medo era aquele troço, com certeza o lugar mais sinistro de São Paulo (cemitérios inclusos). De dia a visitei várias vezes, motivado por meu irresistível instinto de observador. Depois da meia noite eu preferia não passar nem perto. E olhem que hoje ela tá reformada e até simpatiquinha, pintada em tons pastéis.

Por décadas a capela foi um prédio cinzento, muito parecido com a mansão da família Adams, cujas lendas urbanas falavam das almas dos enforcados que faziam ponto no local, principalmente as dos inocentes que foram condenados em processos injustos. Estas crenças folclóricas transformaram o velário anexo em um centro de peregrinação sincrética, onde umbandistas, Candomblecistas, espíritas kardecistas que jamais admitiriam isto e católicos romanos que acham que mal não faz, vão lá acender velas para pedir às almas enforcadas saúde, emprego ou que a amante do marido engorde trinta quilos.
Para terem uma idéia do ambiente de sincretismo que ronda a vizinhança da Igreja, da última vez que passei por lá uma vendedora ambulante vestida de baiana me ofereceu um saquinho de pipocas. Quem conhece o bê-a-bá da Umbanda sabe o que significa isto.

E tem os Seicho-No-Iê.

Nunca soube bem qual era a base filosófica desta seita. O engraçado é que os membros dela sabem menos que eu.

Na Liberdade eles são o único grupo religioso de origem oriental que dão as caras na calçada, possivelmente porque budistas e xintoístas não se prestam a este papel ridículo.

Convivi com muitos Seicho-No-Ie.

Uma das coisas que sinceramente me incomodavam é o fato que viviam rindo, mesmo que nenhuma piada tivesse sido contada. Um dia inquiri um dos adeptos sobre o porquê de tanta iniciativa hilária automotivada e tive por resposta que, para ele, a vida era uma comédia…

Acho que nunca vou me converter a religião nenhuma, mas se tivesse que fazer uma lista daquelas às quais não quero pertencer, os Seicho-No-Iê estariam no topo. A idéia de parecer um completo idiota aos meus próprios olhos não é exatamente meu ideal de vida. Sem querer ser ofensivo com os Seicho, que são gente boa, é coisa minha…

Ah é… Tem os sete deuses da felicidade.

Daikokuten (Deus do paraíso), Ebisu (Deus da prosperidade nos negócios), Benzaiten (A Deusa da arte e da música), Bishamonten (Deus da guerra), Jurojin (Deus da longevidade), Hoteiosho (Deus da previsão), Fukurokuju (Deus da sorte). São sete figurinhas simpáticas, parecidas com duendes, mas que têm algo a ver com as tradições xintoístas e taoístas. As representações destes sete deuses na forma de estatuetas e gravuras eram tão freqüentes nas vitrines das lojas (em meio à toda aquela éca Made In China ou Made in PRC, como querem os envergonhados), que chamaram minha atenção.

Meu favorito é o Fukurokuju, um carequinha muito parecido com o Cabeça de Ovo, o vilão interpretado pelo Vicent Price na antiga série bufa do Batman dos anos sessenta.

A Liberdade é legal, suas luminárias e portais mereciam uma mão de tinta, mas continua um lugar único. O bairro tem um lugar saudoso em minhas memórias de épocas passadas quando freqüentava as livrarias de lá que, sei lá por que, sempre tinham uma peixaria nos fundos. Tempos em que, em boa companhia, brincava de contar japonês na Liberdade. Ganhava quem contasse mais.

Coisas de São Paulo. Onde muitas nações convivem e formam uma única. E grande.