Com frequência, encontramos crentes que se dizem ex-ateus e acham que, por isto, têm autoridade para dizer que nós, ateus, estamos errados. Afinal, eles já foram como nós e usavam os mesmos argumentos que usamos para criticar a religião.
Na minha opinião, esses supostos ex-ateus se desconverteram por duas possíveis razões:
- Encontraram um argumento novo e devastador a favor de alguma religião.
- Desde o início, queriam se entregar à religião, mas o lado racional de suas mentes não o permitia.
Acontece que eles ainda não me mostraram nenhum argumento novo nem devastador. Alguns escrevem longos e tediosos livros para explicar sua conversão, cheios das mesmas afirmações velhas e batidas: “O universo é complexo demais para ter surgido assim sozinho” ou “Sem Deus, a vida não teria sentido” ou “Não consigo aceitar que a gente morre e acabou”. No fim, tudo se resume a: “Tenho fé”.
Alguns ainda apelam para “Sinto a presença de Deus. Ele me enche de felicidade”, mas sentimentos são pessoais e intransferíveis e não têm valor como argumento.
A segunda hipótese me parece mais provável: essas pessoas sempre tiveram necessidade de acreditar em alguma coisa. No início, a consciência do ridículo e o espírito de rebeldia adolescente foram mais fortes. Com os anos, começaram a ceder e, um dia, agarrando-se a um pretexto qualquer, permitiram-se acreditar.
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