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A perseguição aos cristãos e o gnosticismo

Publicado em 18 de novembro de 2008,  por Fernando Silva

Gregos e romanos tinham muitos deuses mas, no início da era cristã, já tendiam ao monoteísmo. Para eles, os vários deuses, deusas e demônios (seus agentes, intermedários entre os deuses e os homens) eram diferentes manifestações de um mesmo deus. Eles acreditavam em que tudo o que acontecia, bom ou mau, era a vontade de Deus e que não cabia ao homens questionar o porquê de coisas ruins acontecerem a pessoas boas, por exemplo. Para eles, o importante era o respeito à pátria, à cidade e à família de cada um e às tradições.

Ficaram chocados, portanto, com o que pregavam os cristãos, como se depreende dos escritos de Celso e Marco Aurélio. Diziam os cristãos que para seguir a Deus era preciso desprezar os deuses, abandonar sua cidade, seu país e detestar sua família. Pelo contrário, os cristãos acreditavam que tais laços, em lugar de divinos, eram obra do demônio para escravizar as pessoas aos antigos costumes.

Os cristãos se diziam monoteístas mas pregavam que a divindade estava dividida em duas partes opostas e rivais. Para os romanos, era uma blasfêmia afirmar que o poder de Deus não era absoluto, mas que tinha um adversário, Satã, que limitava sua capacidade de fazer o bem.

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G1: Livros bíblicos podem ter autoria falsa

Publicado em 07 de setembro de 2008,  por Alenônimo

Matéria de hoje no G1, de Reinaldo José Lopes:

Livros bíblicos podem ter autoria ‘falsa’, afirmam especialistas

Escritores usavam nome de antigos profetas e apóstolos para se legitimar. Prática também era forma de continuar e atualizar obra de predecessores.

Trito-Isaías? Deutero-Zacarias? Epístolas Pastorais? A nomenclatura é complicada, mas se refere a um fato simples e, para as sensibilidades modernas, um tanto embaraçoso: é praticamente certo que os autores presumidos de uma série de livros bíblicos não sejam bem quem eles dizem ser. A chamada pseudoepigrafia, ou seja, o uso de uma identidade mais famosa e antiga para embasar a autoria de um novo texto, é um fenômeno relativamente comum no Antigo e no Novo Testamento.

Basta dizer que o livro do profeta Isaías provavelmente foi escrito por três (ou mais) autores (o Isaías histórico, o Deutero-Isaías e o Trito-Isaías); que cerca de metade das cartas de São Paulo tenham sua origem colocada sob suspeita por estudiosos atuais; e que nenhuma das chamadas cartas de São Pedro, também no Novo Testamento, possa ser atribuída a ele com segurança.

As razões que levaram ao fenômeno da pseudoepigrafia são complexas, e nem sempre justificariam um processo de direitos autorais movido pelos personagens bíblicos originais contra seus “plagiadores”. “A visão de autoria na Antigüidade era muito diferente da nossa”, explica o professor Gelci André Colli, da Faculdade Teológica Batista do Paraná, doutorando em teologia bíblica. Colli estudou um desses casos famosos, o livro de Isaías. “Na verdade, dar continuidade à obra de um profeta muitas vezes ficava nas mãos de seus discípulos e seguidores, que compilavam seus oráculos. Fazer isso era uma forma de honrar o mestre”, diz ele.

Seja entre os antigos israelitas, seja entre os primeiros cristãos, outro fenômeno comum era a necessidade de adequar a mensagem profética ou evangélica original a uma nova realidade e a novos problemas, que o autor original não havia enfrentado em vida. Escrever em nome dele fechava essa brecha entre o passado e o presente e, de quebra, emprestava ao novo escritor a autoridade do mestre falecido, garantindo que as comunidades a quem a mensagem era endereçada prestassem atenção. No caso de alguns livros judaicos que acabaram não entrando no cânon (lista oficial) da Bíblia, surgiu todo um gênero literário nesses moldes, o dos chamados “Testamentos dos Antigos”.

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É sempre bom conhecer um pouco mais da Bíblia. Pena que quem deveria fazer isso são os cristãos. Há outras matéria interessantes no G1, na série Ciência da Fé:

Prova 10: Deuses Históricos

Publicado em 12 de janeiro de 2007,  por Alenônimo

A crença em Deus parece estar presente em todas as eras.

Sabemos por exemplo que os egípcios antigos acreditavam em seus deuses tão fervorosamente que construíam estruturas gigantes como as Pirâmides — até hoje umas das maiores construções humanas que existem. Apesar deste fervor, entretanto, sabemos com completa certeza hoje que os deuses egípcios não existem. Não construímos mais pirâmides e não mumificamos nossos líderes.

Mais recentemente, sabemos que 10 milhões de romanos idolatravam Zeus e seus amigos, e para eles construíram templos magníficos. As ruínas desses templos são atrações turísticas populares até hoje. Ainda assim, sabemos com certeza que esses deuses também não existem porque ninguém mais idolatra Zeus.

Ainda mais recentemente, sabemos que a civilização asteca acreditava em seus deuses tão intensamente que construíram templos enormes e pirâmides. Além disso, os astecas eram tão fervorosos que sacrificavam centenas de humanos tão recentemente quanto o século XVI. Apesar dessa intensidade, entretanto, sabemos hoje que esses deuses também não existiam. Os astecas eram insanos para estarem matando pessoas para seus deuses. Matar uma pessoa não causa efeito nenhum numa tempestade ou qualquer outra coisa. Todos nós sabemos disso.

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Sócrates e Jesus

Publicado em 24 de março de 2003,  por Acauan dos Tupis

Existem pelo menos três características comuns e relevantes entre o fundador do cristianismo Jesus de Nazaré e o filósofo grego Sócrates:

  1. Cada um em seu campo de atuação iniciou a propagação de idéias que viriam a se tornar os fundamentos da civilização Ocidental;
  2. Ambos foram executados, cumprindo condenações a morte sentenciadas em decorrência da pregação destas idéias;
  3. Nenhum dos dois escreveu livro algum. Suas idéias foram colhidas, registradas e passadas à posteridade por seus discípulos.

Talvez se Jesus ou Sócrates fossem também escritores, a História do Ocidente fosse outra.

O Cristianismo tornou-se a religião Ocidental dominante porque seus líderes levaram o proselitismo da nova Fé direto ao coração do Império Romano e promoveram a maturação de sua doutrina guiados pelo objetivo de construir uma Roma Cristã.

É possível que nunca saibamos o quanto o cristianismo desenvolvido em Roma conservou da real pregação que Jesus de Nazaré levou a cabo na palestina. Isto não ocorreria se houvessem textos redigidos pelo nazareno em pessoa, fato que tornaria muito mais difícil a adequação do cristianismo primitivo aos requisitos de uma pregação eficaz junto aos romanos.

Com Sócrates temos algo muito semelhante. Tudo que sabemos do grande filósofo é o que nos foi escrito a respeito dele por seu discípulo Platão, este sim autor de vasta literatura filosófica. O quanto o Sócrates que conhecemos é o original ou um Sócrates Platônico é um assunto para ser discutido por especialistas, mas de novo não haveria margem a dúvida se o filósofo tivesse ele próprio registrado suas idéias, que poderíamos comparar com as de Platão ou do discípulo deste, Aristóteles, sem necessidade de recorrer a intermediários

O interessante é que o Ocidente começa a tomar forma, como cultura e civilização, quando as idéias preservadas e propagadas pelos discípulos de Jesus — segundo a tradição Pedro e Paulo, são fundidas com a filosofia dos discípulos de Sócrates, mais exatamente Aristóteles.

Uma ironia da História é a hipótese de um dos dois, podendo por algum motivo vislumbrar a civilização colossal que se construiu sobre as idéias atribuídas a eles, fizessem uma cara surpresa e dissessem:

— Mas eu não falei nada disto…