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Matéria de hoje no G1, de Reinaldo José Lopes:

Livros bíblicos podem ter autoria ‘falsa’, afirmam especialistas

Escritores usavam nome de antigos profetas e apóstolos para se legitimar. Prática também era forma de continuar e atualizar obra de predecessores.

Trito-Isaías? Deutero-Zacarias? Epístolas Pastorais? A nomenclatura é complicada, mas se refere a um fato simples e, para as sensibilidades modernas, um tanto embaraçoso: é praticamente certo que os autores presumidos de uma série de livros bíblicos não sejam bem quem eles dizem ser. A chamada pseudoepigrafia, ou seja, o uso de uma identidade mais famosa e antiga para embasar a autoria de um novo texto, é um fenômeno relativamente comum no Antigo e no Novo Testamento.

Basta dizer que o livro do profeta Isaías provavelmente foi escrito por três (ou mais) autores (o Isaías histórico, o Deutero-Isaías e o Trito-Isaías); que cerca de metade das cartas de São Paulo tenham sua origem colocada sob suspeita por estudiosos atuais; e que nenhuma das chamadas cartas de São Pedro, também no Novo Testamento, possa ser atribuída a ele com segurança.

As razões que levaram ao fenômeno da pseudoepigrafia são complexas, e nem sempre justificariam um processo de direitos autorais movido pelos personagens bíblicos originais contra seus “plagiadores”. “A visão de autoria na Antigüidade era muito diferente da nossa”, explica o professor Gelci André Colli, da Faculdade Teológica Batista do Paraná, doutorando em teologia bíblica. Colli estudou um desses casos famosos, o livro de Isaías. “Na verdade, dar continuidade à obra de um profeta muitas vezes ficava nas mãos de seus discípulos e seguidores, que compilavam seus oráculos. Fazer isso era uma forma de honrar o mestre”, diz ele.

Seja entre os antigos israelitas, seja entre os primeiros cristãos, outro fenômeno comum era a necessidade de adequar a mensagem profética ou evangélica original a uma nova realidade e a novos problemas, que o autor original não havia enfrentado em vida. Escrever em nome dele fechava essa brecha entre o passado e o presente e, de quebra, emprestava ao novo escritor a autoridade do mestre falecido, garantindo que as comunidades a quem a mensagem era endereçada prestassem atenção. No caso de alguns livros judaicos que acabaram não entrando no cânon (lista oficial) da Bíblia, surgiu todo um gênero literário nesses moldes, o dos chamados “Testamentos dos Antigos”.

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É sempre bom conhecer um pouco mais da Bíblia. Pena que quem deveria fazer isso são os cristãos. Há outras matéria interessantes no G1, na série Ciência da Fé:

Passou ontem no Programa Fantástico, da Rede Globo, uma matéria onde é investigado o vidente Juscelino Nóbrega da Luz, famoso por supostamente enviar cartas contendo famosas previsões. A matéria mostra falsificações e adulterações de documentos registrados em cartório, o fato de ninguém se recordar de ter recebido suas cartas e serviços de charlatanismo prestado por ele e um comparsa em São Paulo.

Antigamente ele poderia contar com a sorte de muitas pessoas não assistirem ao Fantástico, mas na era da Internet, onde a própria Globo disponibiliza as matérias em vídeo WMV em seu próprio site, ele vai precisar realmente de ajuda divina para continuar no ramo da enganação.

Veja aqui a matéria “Fantástico investiga homem que se diz vidente”.

Se tiver uma conta no site Globo.com, pode assistir aos vídeos em tamanho maior.