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O que há de verdade no relato do Êxodo?

Publicado em 12 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

Êxodo

Como é possível que 2 milhões de israelitas ¹ tenham sobrevivido por 40 anos no deserto do Sinai, junto com seus animais e carregados com o tesouro dos egípcios ²?

A região, até hoje, e mesmo com a tecnologia moderna, mal consegue sustentar uns 50 mil beduínos (no máximo; os números são imprecisos e variam de 5 a 50 mil), sendo que muitos deles vivem em cidades.

A arqueologia encontrou sinais de povos caçadores-coletores em vários lugares do Sinai, mas datam de antes e depois da época em que o Êxodo deveria ter ocorrido. Dessa época, só foram encontrados restos deixados pelos soldados egípcios e, mesmo assim, ao longo de uma antiga estrada ao norte, não onde os judeus teriam estado.

Como é que grupos pequenos, com dezenas ou centenas de nômades, deixaram vestígios detectáveis e 2 milhões de israelitas, durante 40 anos, não?

Alguns crentes alegam que os israelitas viviam fugindo e nunca passavam muito tempo no mesmo lugar. Mas, segundo o Deuteronômio, eles passaram quase todo esse tempo nas proximidades do oásis de Kadesh-barnea, na parte leste do Sinai. O versículo 2:14 especifica: 38 anos. Não há sinais de 38 anos de permanência de 2 milhões de pessoas.


¹ Êxodo 12:37 fala em 600.000 homens, o que, com mulheres e crianças, daria 2 milhões. Números 1:46 entra em detalhes, por tribo, e chega a 603.550. A maioria dos apologistas cristãos concorda com esse número, embora apele para milagres para explicar sua sobrevivência.

² Êxodo 12:32–38:

Levai também convosco os vossos rebanhos e o vosso gado, como tendes dito; e ide, e abençoai-me também a mim. Fizeram, pois, os filhos de Israel conforme a palavra de Moisés, e pediram aos egípcios jóias de prata, e jóias de ouro, e vestidos.

E o Senhor deu ao povo graça aos olhos dos egípcios, de modo que estes lhe davam o que pedia; e despojaram aos egipcios. Também subiu com eles uma grande mistura de gente; e, em rebanhos e manadas, uma grande quantidade de gado.

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O ocidente é poderoso porque é cristão?

Publicado em 11 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

vaticano

Que valor intrínseco ao cristianismo teria levado ao progresso do ocidente? Que parte da mensagem de Jesus teria possibilitado a criação dos impérios baseados em nações europeias que dominaram parte do mundo nos últimos 500 anos?

Jesus nunca pregou a favor da prosperidade material ou do poder político. Nunca defendeu o progresso das ciências. E Paulo, ao chamar de loucura a sabedoria deste mundo, não ajudou em nada. O cristianismo primitivo não tinha templos luxuosos ou uma hierarquia poderosa que interferia nos governos. Pelo contrário, a pobreza e o desprendimento dos bens materiais eram uma virtude.

Os crentes — principalmente os católicos — vivem repetindo que foi graças à Igreja Católica que a cultura greco-romana foi preservada durante a Idade Média. Sim e não.

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Sacrifícios humanos na Bíblia

Publicado em 08 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

Os crentes costumam apresentar uma descrição detalhada das coisas horríveis que os cananeus faziam às próprias crianças. Alegam que isto dava aos judeus o direito de exterminá-los e tomar-lhes as terras.

A verdade é que os judeus não eram melhores que os vizinhos. A Bíblia mostra que faziam sacrifícios humanos com frequência, inclusive por ordem de Javé, em alguns casos.

Nos outros, não fica claro se a ira de Javé se devia aos sacrifícios em si ou ao fato de serem oferecidos a outros deuses.

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Origens babilônicas do mito de Adão e Eva

Publicado em 07 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

Grande parte da Bíblia, principalmente o Gênesis, se baseia em uma mistura de mitos babilônicos. Em lugar de começar do zero, os hebreus os adotaram como se fossem um fato da vida, mas, em repúdio ao politeísmo dos mitos originais, eles os reinterpretaram e, em muitos casos, inverteram o contexto e o significado das narrativas.

No mito sumeriano original, por exemplo, os deuses maiores (Anunnaki) escravizaram os deuses menores (Igigi) e os forçaram a trabalhar a terra para produzir comida para eles. Um deles (We-ila) se revoltou e foi morto. Sua energia vital foi aplicada ao barro e dele foi criado o homem, que passou a cultivar a terra no lugar dos Igigi, e estes tiveram então direito à ociosidade junto aos Anunnaki.

Desta forma, os sumerianos explicavam a rebeldia, a desonestidade e a luxúria do homem: eram características herdadas dos deuses, que o haviam criado, e não culpa dele, criado à imagem divina. Os hebreus adotaram este mito, mas inverteram as coisas: Deus era um ser perfeito e criou o homem perfeito, mas este, por iniciativa própria, se rebelou, mentiu, pecou. A culpa seria então do homem, não de Deus. Para os sumerianos, o homem era vítima dos deuses e não perdeu a inocência porque nunca a teve. Para os hebreus, o homem, criado inocente, torna-se o vilão e a vítima é Deus.

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A moral provisória de Jesus

Publicado em 06 de agosto de 2009,  por Fernando Silva

As regras de moral estão relacionadas aos costumes de cada povo. Elas nos permitem viver em sociedade, minimizando os conflitos com nossos semelhantes e tornando nossa vida mais fácil. Não são perfeitas, não são absolutas e muito menos imutáveis. Variam com a ocasião, com o lugar, com a época. De um modo geral, aperfeiçoam-se com o tempo.

Diante disto, o que pensar da moral pregada por Jesus? Seria ela o padrão absoluto de excelência, conforme acreditam os cristãos?

Em primeiro lugar, não há como discutir o que Jesus disse. Os filósofos gregos, muito antes dele, debateram a fundo este assunto. Podemos concordar com eles ou não, mas, pelo menos, eles apresentaram suas razões, eles nos deram argumentos que podemos analisar.

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Eu era ateu, mas encontrei a Jesus

Publicado em 14 de julho de 2009,  por Fernando Silva

Com frequência, encontramos crentes que se dizem ex-ateus e acham que, por isto, têm autoridade para dizer que nós, ateus, estamos errados. Afinal, eles já foram como nós e usavam os mesmos argumentos que usamos para criticar a religião.

Na minha opinião, esses supostos ex-ateus se desconverteram por duas possíveis razões:

  • Encontraram um argumento novo e devastador a favor de alguma religião.
  • Desde o início, queriam se entregar à religião, mas o lado racional de suas mentes não o permitia.

Acontece que eles ainda não me mostraram nenhum argumento novo nem devastador. Alguns escrevem longos e tediosos livros para explicar sua conversão, cheios das mesmas afirmações velhas e batidas: “O universo é complexo demais para ter surgido assim sozinho” ou “Sem Deus, a vida não teria sentido” ou “Não consigo aceitar que a gente morre e acabou”. No fim, tudo se resume a: “Tenho fé”.

Alguns ainda apelam para “Sinto a presença de Deus. Ele me enche de felicidade”, mas sentimentos são pessoais e intransferíveis e não têm valor como argumento.

A segunda hipótese me parece mais provável: essas pessoas sempre tiveram necessidade de acreditar em alguma coisa. No início, a consciência do ridículo e o espírito de rebeldia adolescente foram mais fortes. Com os anos, começaram a ceder e, um dia, agarrando-se a um pretexto qualquer, permitiram-se acreditar.

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