Arquivo da Categoria “Manual para Entender os Crentes”

Capítulo 13 – Σ σ (A Somatória das Dispersões)

Publicado em 20 de agosto de 2008,  por Acauan dos Tupis

No Capítulo 12 deste Pequeno Manual comentamos que entender um grupo é descobrir sua unidade a partir de sua diversidade, seguindo com a discussão sobre o que torna os crentes difíceis de ser entendidos pelos que não o são.

Tratamos neste do que torna os crentes difíceis de ser entendidos pelos que o são.

Apartados da unidade na Babel de suas dispersões, se confundem na falta da linguagem única que lhes permitiria se compreender entre si como um só povo.

A dispersão é intrínseca ao protestantismo, que surgido da Reforma contra o centralismo teológico e administrativo da Igreja Católica Romana, nunca conseguiu substituir aquele centralismo por outro fator de unidade capaz de equilibrar o potencial dispersor da sola scriptura.

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Capítulo 12 – Esaú e Jacó

Publicado em 31 de janeiro de 2006,  por Acauan dos Tupis

Os que leram este Pequeno Manual até aqui podem interpretar que as observações sobre como entender os crentes terminam por igualá-los todos em um amálgama genérico, do qual são pinçadas as semelhanças e ignoradas as diferenças.

Uma interpretação mais correta foi dada no Capítulo 7, quando dito que “Entender um grupo é, essencialmente, entender sua cultura.” e “Dada a fragmentação dos crentes em uma miríade de denominações, muitas delas subdivididas em diversas vertentes, o olhar externo as identifica, a princípio, como um conjunto não uniforme de sub-culturas e micro-culturas derivadas da tradição cristã, semelhantes entre si por alguns pontos em comum e diferenciadas umas das outras por muitos pontos de divergência”.

O entendimento, portanto, não requer apenas a identificação das semelhanças e diferenças reinantes no grupo observado, mas também e principalmente dos modos como semelhanças e diferenças interagem e convergem para uma identidade comum. Ou, em outras palavras, entender um grupo é descobrir sua unidade a partir de sua diversidade.

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Capítulo 11 – A Reengenharia do Eu

Publicado em 24 de novembro de 2005,  por Acauan dos Tupis

A dificuldade em entender os crentes, em geral, não surge da complexidade de suas doutrinas ou padrões comportamentais, que são, em seus princípios, extremamente simples e óbvios. É na experiência ritual do Novo Nascimento – observada no capítulo anterior – que os crentes se tornam pouco compreensíveis pelos que não o são, embora por motivos diferentes daqueles alegados pelos próprios.

Enquanto os eleitos têm o Novo Nascimento como uma elevação mística que os redime, justifica e regenera espiritualmente, é certo que o rito de passagem só se completa quando o neófito aceita e assume a cosmovisão da doutrina que abraça, o que, por si só, não os torna mais ou menos entendíveis. Basta conhecer as premissas desta concepção de mundo para desdobrar as conclusões. E as premissas da cultura crente são suficientemente conhecidas.

Muito além das premissas está o fato de que antes de o neófito crente reformular sua concepção de mundo, reformula sua concepção de si mesmo, através de uma Reengenharia do Eu na qual renuncia a todas as suas auto-definições e as substitui por uma única – a de pecador.

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Capítulo 10 – Novo Nascimento e Vidas Transformadas

Publicado em 27 de agosto de 2005,  por Acauan dos Tupis

Um complexo de mitos, ritos e símbolos cuja análise é particularmente necessária para entender os crentes é o que orbita a doutrina do Novo Nascimento e o alegado poder transformador de vidas dele oriundo.

A origem do dogma está na passagem do Evangelho de João que narra o diálogo entre o fariseu Nicodemos e Jesus, no qual este decreta que quem não nascer de novo não verá o reino de Deus.

Para os católicos romanos o “nascer de novo” é uma alusão ao batismo, por conta da citação “nascer da água” constante do mesmo diálogo. Para os crentes o nascer de novo é a conversão ao cristianismo protestante, elevada por rito a um patamar superior ao de simples opção por determinada crença religiosa em detrimento de outra, passando a ser entendida como símbolo da elevação e regeneração espiritual dos eleitos que por conta das tais passam a fazer parte do clube dos santos com todos os direitos reservados queles que são sal da terra e luz do mundo. Pelo menos, na opinião deles próprios.

O nascer de novo é o mais importante rito de iniciação e passagem dos crentes, já que o reconhecimento congregacional da conversão é, em primeira instância, aquilo que os define e faz com que sejam aceitos e acolhidos como irmãos por sua comunidade.

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Capítulo 9 – Mitos, Ritos e Símbolos III: Símbolos

Publicado em 05 de agosto de 2005,  por Acauan dos Tupis

Símbolos são representações de significados atribuídos ou intuídos que vão além daqueles inerentes s formas que os expressam. Como os símbolos são a base de todas as formas de linguagem e as linguagens são a base de nossos pensamentos, entender os crentes, sua linguagem e como pensam exige o conhecimento e entendimento de seus símbolos.

Existem disciplinas científicas especializadas em estudar os símbolos, como a semiótica. Reiterando o que foi dito no Capítulo 7, não é o objetivo ou está ao alcance do autor aprofundar-se nos complexos desdobramentos técnicos deste assunto, mas apenas destacar e exemplificar a importância dos símbolos para se compreender a cultura e comportamento de um grupo.

Um fundamento comum para todas as vertentes cristãs, sejam a católica romana, ortodoxas, a miríade de denominações crentes ou facções dissidentes destas é o seu símbolo máximo e emblemático – Jesus de Nazaré. Uma característica fundamental do cristianismo é que todos os seus significados são representados por um homem que, na condição de símbolo, extrapolou a condição humana.

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Capítulo 8 – Mitos, Ritos e Símbolos II: Ritos

Publicado em 18 de julho de 2005,  por Acauan dos Tupis

Um exercício simples que permite aferir a importância dos ritos na formação da identidade de um grupo social é tomar como exemplo as organizações militares. Caso um civil se infiltrasse em um quartel disfarçado como um de seus conscritos seria desmascarado em seus primeiros contatos com militares verdadeiros, mesmo que portasse documentos e uniformes absolutamente autênticos da corporação. Isto porque nenhum civil domina a extensa ritualística oficial e extra-oficial que orienta todas as interações sociais na caserna, com ritos específicos a serem cumprido junto aos pares, superiores e subordinados. Mesmo que nosso civil infiltrado decorasse os regulamentos disciplinares aplicáveis, seria denunciado por desconhecer as regras não escritas – mas tão válidas quanto – que estabelecem as diferenças sutis que há, por exemplo, entre a continência prestada a um sargento e a prestada a um oficial graduado, diferenças estas não definidas em nenhum manual militar, mas prontamente conhecidas e reconhecidas por todos os membros daquela comunidade, desde o último recruta até o general-comandante.

Ritos são mais frequentemente apontados em irmandades iniciáticas, como a Maçonaria, cujas especulações sobre o que fariam com certo bode despertam risos nos maçons e escândalo nos crentes. Mas os ritos estão presentes em todos os estratos de qualquer sociedade, sendo fator primordial para estabelecimento da coesão do grupo.

Fica claro que é necessário entender os ritos de um grupo para entender os mecanismos de interação e coesão de seus membros. Como o objetivo deste Pequeno Manual é entender os crentes, é necessário entender seus ritos. E os crentes são muito ritualísticos, embora muitos não admitam isto.

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