Notícia interessante: um novo estudo neurocientífico mostra que os crentes tendem a “emburrecer” quando ouvem orações de pastores, principalmente se estes forem conhecidos como tendo poderes de cura.
O teste usou ressonância magnética para analisar o desempenho cerebral de dois grupos de pessoas, 20 evangélicos pentecostais e 20 céticos. Eles ouviram várias orações pré gravadas e foram informados que 6 delas foram feitas por céticos, 6 por pessoas religiosas e 6 por pastores que curam. O detalhe é que todas as orações foram feitas por pessoas religiosas comuns.
No grupo dos céticos, não houve diferença nenhuma. Estes simplesmente ignoraram as orações. Mas no grupo dos crentes houve um efeito interessante. Para cada oração que eles achavam que era feita por um religioso, determinadas áreas do cérebro relacionadas ao ceticismo e à tomada de decisões tinham suas atividades reduzidas, fazendo com que as cobaias entrassem em um estado quase de transe. O efeito era mais forte nos casos em que se pensava que a oração era realizada por um religioso dito com poder de cura.
O orador não precisava nem ser carismático (lembre-se que todos eram simples cristãos e que, para efeito de pesquisa, eles trocavam as mensagens). Bastava o crente ser avisado que ele estava escutando um pastor que cura para sofrer o efeito.
O estudo não mostra exatamente onde está a relação casual, se por exemplo os crentes acreditam nos pastores super poderosos por acharem que eles falam mais a verdade do que os outros. De repente tal efeito pode se aplicar em outras relações humanas, como aquelas com doutores, advogados, mecânicos de automóveis e técnicos de informática.
No entanto, o estudo me parece explicar como um pastor quase sem carisma (e um tanto feio) como o Apóstolo Valdemiro Santiago consegue tantos seguidores. Na verdade, explica como qualquer igreja, mesmo as de fundo de quintal, parece prosperar. Ser pastor é mais fácil do que parece.
Fonte: New Scientist, Epiphenon, Boing Boing
