Engodo. S.m. 1. Isca ou ceva com que se apanham peixes, aves, etc. 2. Coisa com que se engoda ou seduz alguém. 3. Adulação astuciosa.
Estorvo. S.m. 1. Embaraço, dificuldade, obstáculo, estorvamento. 2. Coisa ou pessoa que estorva.
Novo Dicionário Aurélio – Primeira Edição
Parte I
A forma de proselitismo fundamentalista cristão autodenominado “Criacionismo” pode ser qualificada como sendo um engodo e um estorvo, com base em sua natureza e objetivos.
É um engodo por tratar-se de uma estratégia elaborada para promover a crença na interpretação literal do Gênesis, impedir que fiéis recalcitrantes sejam seduzidos pela Teoria da Evolução e servir de argumento auxiliar na doutrinação dos convertidos novos e potenciais.
É um estorvo por tratar-se de uma artimanha retórica que tenta atravancar a aceitação popular da Teoria da Evolução, destacando de modo exagerado e muitas vezes distorcido os pontos não resolvidos deste modelo científico.
Enquanto elemento de doutrinação religiosa, o proselitismo criacionista encontra-se protegido pelos princípios civilizados que garantem a liberdade de culto. A partir do momento que tenta travestir-se de ciência, nega sua natureza religiosa confessional ou busca infiltrar-se de modo sub-reptício nas salas de aula, abre espaço para a sua crítica e contestação.
Uma análise crítica do significado do “criacionismo” pede em primeiro lugar uma clara separação dos autodenominados criacionistas em dois grupos:
- O primeiro é formado por crentes evangélicos fundamentalistas leigos em ciência, que em geral desconhecem completamente os fundamentos da Teoria da Evolução ou do método científico e que aceitam o proselitismo criacionista como uma extensão natural de sua fé na Bíblia. Muitos deles conhecem apenas fragmentos das argumentações criacionistas extraídos de resumos ou versões simplificadas, o que consideram suficiente para entenderem e apresentarem a Teoria da Evolução como absurda e ridícula.
- Um segundo grupo, muito menor, é formado por crentes com formação científica ou técnica em algum nível, com conhecimento da Teoria da Evolução e dos fundamentos do método científico. Estes “criacionistas” reconhecem o embasamento da Teoria da Evolução e concentram-se na tentativa de demonstrar que para cada evidência da evolução existiria uma explicação alternativa que favorecia a doutrina da criação ou, pelo menos, estabeleceria uma dúvida razoável.
Os autodenominados criacionistas do primeiro grupo, abundantes na Internet, não justificam uma atenção mais profunda, dado seu discurso antidarwinista ser, ironicamente, apenas uma repetição simiesca do adestramento que receberam em suas igrejas.
Já os do segundo grupo, no Brasil representados por organizações como a Sociedade Criacionista Brasileira merecem um olhar mais aprofundado, que pode nos ajudar a entender esta tentativa de amalgamar fé e ciência, cujos resultados parecem estapafúrdios para todos os que rejeitam a hipótese de que o método científico possa prevaricar deste modo com a religião confessional. Uma análise dos conteúdos do site da S.C.B. nos dá dicas interessantes sobre como pensam aqueles que seriam os formadores de opinião do proselitismo criacionista no Brasil.
Um exemplo ilustrativo desta facção do pensamento criacionista é a entrevista concedida pela bióloga e microbiologista, Dra. Márcia Oliveira de Paula Revista Adventista, sob o título “Contradições do Evolucionismo”, cuja íntegra está disponível no link fornecido.
Seguem alguns trechos selecionados da entrevista:
RA: No campo das evidências nenhuma teoria (evolução e criação) leva vantagem sobre a outra?
Dra. Márcia: Alguns criacionistas mal-informados acham que não existe nenhuma base para se acreditar na evolução, mas essas pessoas realmente não conhecem a ciência. É lógico que a teoria da evolução faz algum sentido, porque, se ela fosse totalmente absurda, não haveria milhares de cientistas e uma boa parte da população que a aceitaria. O evolucionimo tem alguma lógica, mas também tem muitas incoerências.
RA: No livro “Viagem ao Sobrenatural”, recentemente publicado pela Casa, o autor Roger Morneau diz (nas págs. 54 e 55) que a teoria da evolução é uma arma eficaz nas mãos do inimigo. Por que?
Dra. Márcia: Porque desvia o pensamento de Deus como Criador. Para os que crêem em Deus e, ao mesmo tempo, aceitam a evolução (evolucionistas teístas), o Senhor não criou o homem de maneira pessoal e não criou a Terra para ser habitada. Para eles, Deus teria dado início vida através da evolução. Só que isso elimina a credibilidade das Escrituras porque, se passarmos a considerar o livro de Gênesis como uma alegoria, também poderemos considerar os demais livros da Bíblia como não-verdadeiros.
RA: Então é impossível conciliar a teoria da evolução com a teoria da criação…
Dra. Márcia: Algumas pessoas até tentam, mas não dá. Se você se torna um evolucionista teísta, tem que deixar de crer em grande parte da Bíblia. Você não crê no Gênesis, por conseguinte você não vai acreditar no plano da salvação. E também vai questionar a existência de Satanás, porque vai achar que o mal está dentro do ser humano. E para que a volta de Cristo, se o homem tem a capacidade de melhorar? Será que as profecias estão se cumprindo mesmo? Não seriam linguagem figurada, poesia, etc.? Realmente, eu acho muito difícil conciliar as duas coisas.
Os evolucionistas teístas acham que conseguem fazer essa conciliação. O problema é que muitos deles não conhecem, não aceitam e não lêem a Bíblia. Na verdade, alguns até aceitam algumas partes que lhes convêm, mas não aceitam a Palavra de Deus como um todo, porque não dá para fazer isso e continuar sendo evolucionista.
RA: Você acha, então, que a experiência da conversão é fundamental para que se aceite a Bíblia e o criacionismo?
Dra. Márcia: Sem dúvida. Duvido que, algum dia, alguém consiga convencer um evolucionista a se tornar criacionista sem aceitar a Deus primeiro. Eu acredito que um evolucionista se torna criacionista quando passa pela experiência da conversão, quando encontra e aceita a Deus. Aí, sim, ele vai tentar explicar a origem das coisas de uma outra maneira, porque saberá que Deus é o Criador.
É lógico que, se fizermos palestras apresentando as incoerências da teoria da evolução, poderemos até despertar na pessoa algumas interrogações que abrirão caminho para a busca de Deus.
A Dra. Márcia Oliveira de Paula é bióloga, formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também concluiu seu mestrado em Ciências, com ênfase em Microbiologia. De 1989 a 1991, lecionou em várias universidades e faculdades particulares. Em 1998, concluiu seu doutorado na USP (também na área de microbiologia).
“Contradições do Evolucionismo”, Entrevista publicada em junho de 1999 na Revista Adventista
http://www.scb.org.br/entrevistas/Entrevista_2.htm
Dos trechos selecionados da entrevista com a Dra. Márcia Oliveira podemos tirar algumas conclusões:
- A doutora é uma representante do pensamento criacionista com credenciais acadêmicas que atestam suas competências científicas;
- A doutora declara que a Teoria da Evolução possui “muitas incoerências” mas não nega seu sentido e lógica, bem como chama de mal-informados os criacionistas que acusam a Teoria da Evolução de ser absurda;
- A doutora admite que acredita que a Teoria da Evolução pode ser “uma arma eficaz nas mãos do inimigo”, ou seja, do Diabo;
- A doutora estabelece um vínculo necessário e inseparável entre o criacionismo e a fé na interpretação literal da Biblia;
- A doutora opina que a conversão religiosa é necessária para que um evolucionista aceite a doutrina criacionista, transparecendo uma declaração tácita de que as alegadas evidências do criacionismo serão sempre insuficientes para promover esta mudança de posição.
Minha análise da entrevista da Dra. Márcia Oliveira, reconhece nela um saudável exemplo de honestidade intelectual, ao admitir que somente a conversão, o “aceitar Deus” dá sentido ao Criacionismo, negando-se a afirmar que pesquisadores e teóricos da evolução possam tornar-se criacionistas com base apenas em suas alegadas evidências (espero que a doutora não acredite que é o Diabo quem impede os evolucionistas de enxergar as evidências científicas da criação). Mas é justamente aí que residem as características de engodo e estorvo do proselitismo criacionista.
Se este movimento se apresentasse como doutrina religiosa, comprometida antes de tudo com a promoção e defesa da fé na literalidade da Bíblia e admitisse sua disposição de só referendar evidências científicas que confirmem as Escrituras, descartando todas as outras, não haveria porque contestá-la, da mesma forma que não há motivo para se invadir algum culto dominical para questionar a veracidade do sermão do pastor.
O engodo se evidencia no uso indevido da ciência para promover a fé, enquanto o estorvo surge do uso indevido da fé para atrapalhar a ciência.
Parte II
Na primeira parte deste comentário, dividi os fundamentalistas cristãos autodenominados “criacionistas científicos” em dois grupos principais.
O primeiro formado por crentes sem qualquer formação ou conhecimento científico, cujo discurso antievolucionista é apenas repetição ipsis litteris de fontes apologéticas.
O segundo grupo, que dá sustentação intelectual (se é que podemos chamar assim) ao movimento, é composto por religiosos com formação científica ou técnica, dedicados a criar uma ponte entre suas doutrinas teológicas e o que se convencionou chamar de consenso da comunidade científica.
Dos dois lados desta ponte imaginária, os religiosos que a erigiram anseiam que ela seja a passarela segura que levará sua fé s cátedras, enquanto, na outra margem, todas as universidades respeitadas do mundo enxergam apenas o abismo existente entre seus currículos e a pretensão dos pios militantes.
A ruidosa manifestação das massas desinformadas do primeiro grupo não merece análise mais profunda, pois apenas trombeteia as teses produzidas pelos do segundo, quase sempre simplificadas ao limite da distorção para tornar assuntos técnicos compreensíveis e palatáveis para proselitistas leigos e doutrináveis idem.
No Brasil, o representante institucional mais visível do segundo grupo é a Sociedade Criacionista Brasileira, praticamente um apêndice da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que declara ter por objetivo divulgar evidências resultantes de pesquisas, que apóiem a tese de que o mundo físico e os seres vivos são o resultado de atos criativos diretos de um Deus pessoal.
A S.C.B. copia a fórmula de seus similares americanos como Creation Research Society e Institute for Creation Research. A Sociedade possui em seus quadros pessoas com credenciais acadêmicas reconhecidas, embora sem produção científica relevante.
Estas instituições de propaganda religiosa caracterizam-se pela tentativa de dar credibilidade científica aos seus dogmas de fé, utilizando para isto uma retórica habilmente preparada para reforçar as certezas dos crentes que nunca cogitaram questionar seus livros sagrados e trazer a dúvida queles que preferem outras alternativas de explicação para tudo que vemos.
Particularidades interessantes são os conteúdos publicados pela S.C.B. que evidenciam um reconhecimento tácito da fragilidade científica de várias de suas teses fundamentais, ao mesmo tempo em que abrem enorme espaço de reconhecimento implícito, no mínimo, possibilidade da Evolução.
Estes reconhecimentos são sistematicamente ignorados pelos proselitistas leigos que, no geral, querem desesperadamente acreditar que a Teoria da Evolução é uma bobagem sem qualquer nexo e que o relato da criação do Gênesis é referendado por consistentes e incontestáveis evidências científicas. Exatamente o que pregam por toda parte.
As características de engodo e estorvo do autodenominado criacionismo científico se mostram nesta vala entre a cautela de seus mentores conceituais em proclamar uma vitória absoluta contra quem eles chamam de evolucionistas e o entusiasmo de seus seguidores em comemorar esta vitória total como fato consumado.
Este hiato contraditório se explica pelo fato de o verdadeiro objetivo dos ditos criacionistas não ser aquele declarado de divulgar evidências da criação. Este é apenas o meio. O objetivo deles é promover a fé no Deus bíblico como requisito para cumprimento do plano de salvação, como entendido pelos fundamentalistas cristãos, particularmente os Adventistas do Sétimo Dia, seita dominante na cúpula da S.C.B..
O fato de ser a Igreja Adventista a controladora ideológica deste segmento da máquina de propaganda criacionista é relevante, pois como uma de suas doutrinas fundamentais é a crença na iminência da volta de Cristo e do fim dos tempos, questões como o hiato contraditório relatado são tidas como irrelevantes, dado a urgência de salvar almas. Como após o segundo advento todas as dúvidas sobre as contradições criacionistas serão explicadas, então, no possível entender deles, não vale a pena arriscar a salvação de ninguém por conta de detalhes técnicos.
Este pensamento é plenamente válido do ponto de vista religioso cristão, mas completamente absurdo do ponto de vista científico, provando mais uma vez o engodo representado por tal ideologia. Não digo isto baseado em qualquer evidência material reconhecida que conteste suas teses. Não importa quais sejam, sempre haverá um artifício retórico pelo qual eles a negarão ou um casuísmo técnico ao qual possam recorrer. Algo parecido com o modo como tentam justificar as conhecidas e óbvias contradições bíblicas.
A base para esta afirmação é justamente a aceitação implícita destas evidências pelas próprias fontes criacionistas. Em sua seção de perguntas freqüentes, o site da SCB, discorre sobre diversos assuntos, finalizando a maioria deles com uma lista dos problemas não resolvidos de maior preocupação para a interpretação religiosa do tema, dos quais constam:
- O conflito entre fé e razão; 1
- A ordenação da seqüência de fósseis na coluna geológica; 2
- A semelhança dos fósseis da camada superior da coluna com as espécies que vivem agora; 2
- A grande diferença dos fósseis da camada inferior da coluna s espécies que vivem agora; 2
- A inexistência de explicação lógica-científica para a localização das plantas e animais de hoje que se ajuste crença no dilúvio universal e na arca de Noé; 2
- A série morfológica de alguns fósseis se ajusta de modo geral Teoria da Evolução; 2
- Nunca foi encontrada evidência fóssil de que os homens gigantes citados em Gênesis tenham existido; 3
- Os fósseis que tem características de homem e de macaco; 3
- A falta de explicação deles de o porque do homem ser tão semelhante a outros animais, principalmente os macacos; 4
- Que não são genuínas as pegadas de homens ao lado das de dinossauros no leito do rio Paluxy, no Texas; 5
- Que não são encontrados fósseis de dinossauros junto aos de mamíferos que vivem hoje; 6
- A seqüência de idades radiométricas, que dão idades mais antigas para as camadas inferiores da coluna geológica e idades mais jovens para camadas superiores; 7
- Que a datação radiométrica produz sistematicamente idades muito maiores do que as sugeridas pelo relato bíblico; 7
- A alternação de glaciações e aquecimentos exige um tempo mais longo do que consideram admissível; 8
- A falta de explicação deles para as sondagens de gelo na Groenlândia que apontam períodos de cem mil anos ou mais; 8
- A falta de explicação deles para os Ciclos de Milankovich; 8
- A falta de explicação deles para o movimento das placas tectônicas e o magma do fundo do oceano. 9
Os proselitistas do fundamentalismo criacionista podem lançar mão de inúmeros “entretantos” e “todavias” para negar que o reconhecimento do que eles chamam de “problemas não resolvidos” compromete muito mais suas próprias doutrinas do que toda a exaustiva pregação que fazem sobre as lacunas (reais ou imaginárias) da Teoria da Evolução comprometem esta.
Basta um mínimo de análise imparcial para somar dois mais dois e concluir que se não são encontrados juntos fósseis de dinossauros e de mamíferos modernos, fica difícil crer que estas espécies foram criadas no mesmo dia e coexistiram nos mesmos territórios.
E o que dizer dos crentes do primeiro grupo (os desinformados) que clamam no deserto que o necessário elo perdido dos evolucionistas nunca foi encontrado, se a própria instituição que lhes provê de dados reconhece a existência de fósseis com características de homem e de macaco?
Camadas geológicas, séries morfológicas fósseis, datação radiométrica, tudo que crentes leigos desprezam ou ridicularizam como bobagens inventadas pelos Darwinistas é apresentado pela própria S.C.B. como problemas não resolvidos, ou seja, reconhecem que estas evidências existem, são consistentes e desmentem suas teses.
Neste ponto ao engodo criacionista se soma o estorvo, pois ao priorizar o objetivo religioso sobre o compromisso com a evidência científica, terminam por serem culpados, ou no mínimo cúmplices, da promoção sistemática da ignorância.
Se isto fosse mantido dentro de seus próprios grupos, meno male. Numa sociedade democrática, se as pessoas querem, por sua própria opção, ser ignorantes, é direito e problema delas. Só que a coisa muda completamente de figura quando os promotores desta ignorância fingem que ela não existe e militam politicamente para leva-la s salas de aula e aos setores da sociedade que não pactuam voluntariamente com suas crenças confessionais.
Os fundamentalistas cristãos, defensores do chamado criacionismo bíblico, rejeitaram a opção honesta de se apresentar como religiosos interessados em demonstrar que a Teoria da Evolução tem falhas, enquanto defendem que suas crenças bíblicas têm (na opinião deles) evidências a seu favor.
Optaram pelo caminho de patrocinarem um engodo quando assumiram o objetivo de defender certezas absolutas, sabendo plenamente que as próprias evidências que deveriam embasar estas certezas são muito mais favoráveis constituição da dúvida.
São também um estorvo, não apenas pela desinformação que consciente ou inconscientemente promovem, mas também por seu ativismo político ter reforçado as contaminações ideológicas inegavelmente vivas em segmentos científicos defensores radicais do darwinismo, fazendo com que a reação apaixonada de alguns expoentes de grande visibilidade deste grupo associassem a comunidade científica imagem de partidaristas, igualando-os assim aos ditos criacionistas, situação extremamente vantajosa para eles, mas incontestavelmente nociva para a ciência.
Nenhum cientista honesto pode acreditar que homens de ciência pairem acima das ideologias de seu tempo e não sejam influenciados por ela. Por estarem conscientes disto, é dever profissional da classe policiar a si e s instituições s quais estão ligados. Conforme a época, este policiamento e a isenção esperada como resultado será maior ou menor, nunca pleno, e por isto mesmo devem ter para com a Teoria Científica mais brilhante e melhor fundamentada um sentimento de respeito pelo progresso conquistado, mas nunca de fé apaixonada pelo que foi descoberto.
Assim age a ciência saudável, que nos deu os triunfos do gênio representados pelas equações da gravitação universal e da relatividade geral, cada uma a seu tempo e a seu modo, sem que a superação de uma pela outra provocasse ressentimento nos Newtonianos ou euforia nos relativistas. A ciência cumpriu seu papel, a fronteira do conhecimento humano avançou e apenas isto importa.
Com a Teoria da Evolução deve ocorrer o mesmo, quer o Darwinismo avance na obtenção de evidências cada vez mais detalhadas, quer caminhe gradualmente para a substituição por teorias mais completas, não se pode aceitar como científico o erguer bandeiras em sua defesa ou o proclamar de loas por suas vitórias, cada vez que um fóssil é desenterrado ou uma datação é feita.
Se há algo de positivo a ser tirado do engodo e estorvo dos fundamentalistas da “Ciência da Criação” é esta lição de autocrítica para a ciência de verdade.
Notas: (Extraídas do site da Sociedade Criacionista Brasileira)
- Que problemas não resolvidos sobre a criação e a ciência são de maior preocupação?
Como obter a verdade quando a razão e a fé parecem estar em conflito? - Que problemas não resolvidos sobre o dilúvio são de maior preocupação?
Como um evento catastrófico conseguiu produzir a seqüência ordenada de fósseis que é observada? Por que os fósseis na parte inferior da coluna geológica parecem tão diferentes de qualquer coisa viva atualmente, enquanto os fósseis na parte superior da coluna são mais semelhantes s espécies que vivem agora? Por que alguns fósseis se apresentam numa série morfológica que se ajusta, de um modo geral, com a teoria da evolução? Como as plantas e animais chegaram ao local onde agora estão após o dilúvio? - Que problemas não resolvidos sobre fósseis humanos são de maior preocupação?
Por que não são encontrados fósseis de homens gigantes? Por que não são encontrados fósseis humanos que pareçam ter sido enterrados pelo dilúvio? Qual é a explicação para os fósseis que têm características de homem e de macaco? - Que problemas não resolvidos sobre mudanças nas espécies são de maior preocupação?
Como eram os animais originalmente criados? Por que os seres humanos são tão semelhantes a outros animais, especialmente aos macacos? - Foram encontradas pegadas de seres humanos junto a pegadas de dinossauros?
Não. Houve um anúncio de que tais pegadas foram encontradas juntas, no leito do rio Paluxy no Texas, mas esta afirmação foi abandonada por todos os criacionistas que têm treinamento científico. Aquelas pegadas de dinossauro são genuínas, mas as humanas não são. - Que problemas não resolvidos sobre os dinossauros são de maior preocupação?
Como podemos explicar o que parece ser ninhos de ovos de dinossauro e filhotes em sedimentos que acreditamos terem sido provavelmente depositados pelo dilúvio? 9 Por que não encontramos fósseis de dinossauros misturados com fósseis de mamíferos que vivem hoje? Como pode ter o homem sobrevivido com tais poderosos animais ao seu lado? - Que problemas não resolvidos sobre a idade da Terra são de maior preocupação?
A questão mais difícil é provavelmente a seqüência aparente de idades radiométricas, dando idades mais antigas para as camadas inferiores da coluna geológica e idades mais jovens para camadas superiores. Outras questões são: por que a datação radiométrica produz sistematicamente idades muito maiores do que as sugeridas pelo relato bíblico; a razão para vestígios de atividade na coluna geológica; e explicação para as longas séries de camadas de gelo polar. - Que problemas não resolvidos sobre Eras Glaciais são de maior preocupação?
Como explicar as evidências de que algumas regiões da América do Norte e Europa Setentrional experimentaram intervalos alternados de glaciação e climas mais quentes, sugerindo um período de tempo mais longo do que a maioria dos criacionistas julga disponível? Como explicar sondagens do gelo da Groelândia e Antártica que são interpretadas como representando períodos de tempo de 100.000 anos ou mais? Qual o significado de seqüências de camadas interpretadas como devidas a mudanças cíclicas na órbita da Terra, chamadas ciclos de Milankovich? - Que problemas não resolvidos sobre tectônica de placas são de maior preocupação?
Quanto as placas realmente se moveram? Quando e quão rapidamente se moveram? O que aconteceu aos continentes pré-diluvianos? Como o magma do fundo oceânico se esfriou em poucos milhares de anos se ele foi depositado tão rapidamente durante o dilúvio?
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