Lucas 21:11
“e haverá em vários lugares grandes terremotos, e pestes e fomes; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.”
Lucas 21:26
“os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados.”
Lucas 21:27
“Então verão vir o Filho do homem em uma nuvem, com poder e grande glória.”
Apocalipse 6:8
“E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava montado nele chamava-se morte; e o hades seguia com ele; e foi-lhe dada autoridade sobre a quarta parte da terra, para matar com a espada, e com a fome, e com a peste, e com as feras da terra.”
Apocalipse 9:6
“Naqueles dias os homens buscarão a morte, e de modo algum a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles.”
Apocalipse 21:4
“Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”
Um dos engodos dos fundamentalistas cristãos é vender exaustivamente a idéia de que o final dos tempos se aproxima, dado vivermos numa época de grandes catástrofes, que corresponde s descrições bíblicas que profetizavam tais desgraças como o anúncio da iminência do segundo advento de Cristo, “em glória e majestade”, como os fundamentalistas gostam de lembrar.
A estratégia é sob certos aspectos engenhosa por explorar uma tendência inconsciente da maioria das pessoas de dar mais atenção aos fatos e acontecimentos negativos do que aos positivos. Vide as manchetes da imprensa: notícia boa não vende jornal.
Assim, toda vez que os arautos do Apocalipse apontam as mazelas de nosso tempo, exercitam a mesma técnica de exploração da tragédia que vemos cada vez que cai um avião por exemplo. Milhões de pessoas ficam consternadas com a magnitude do desastre e as centenas de vidas perdidas e se esquecem por um momento que no mesmo dia da queda os aeroportos do mundo realizaram milhares de pousos e decolagens sem incidentes e que a aviação continua sendo o modo de transporte mais seguro que existe.
De modo análogo, os fundamentalistas apontam para as estatísticas sobre a AIDS e gritam “Peste!”, citam os conflitos do Oriente Médio e sentenciam “Guerra!”, exibem fotos de refugiados africanos e proclamam “Fome!” e então, se sentido vitoriosos e satisfeitos finalizam triunfantes, resumindo os agouros antecedentes com “Morte!”.
Os quatro cavaleiros do Apocalipse estão alinhados e prontos para deceparem nossas cabeças, anunciando a volta do senhor Jesus.
Será?
Não, absolutamente não!
Nossos tempos “Peste!” são piores que épocas anteriores em nenhum sentido, por mais que os fundamentalistas, tais quais abutres, sintam um prazer mórbido em enxergar nas abundantes tragédias dos noticiários a proximidade do fim dos tempos. Antes muito pelo contrário.
Não vou perder tempo apresentando e refutando aqui as estatísticas que os fundamentalistas utilizam para “provar” que determinado mal aumentou tantos por cento desde o ano tal ou que aquela calamidade vem avançando continuamente desde não sei quando. Estes números apresentam o mesmo vício dos dados pseudo-científicos exibidos para validar a doutrina da criação, ou seja, selecionam num determinado universo as amostras que correspondem ao seu interesse e descartam arbitrariamente todas as que o contrariam.
A realidade de nosso tempo aponta para um desmentido veemente de que vivemos os tempos da peste, fome, guerra e morte em proporções nunca vistas em tempos passados, a ponto de “os homens desejarem morrer e a morte fugir deles”, como dita o Apocalipse. Não há sequer evidências consistentes de que caminhamos para isto.
Analisando o cenário global, para que as estatísticas dessem veracidade às afirmações dos catastrofistas que afirmam estarmos todos vendo os trailers do Juízo Final, alguns índices teriam que necessariamente confirmar isto de forma explícita, como por exemplo:
- redução na expectativa de vida;
- declínio da população;
- diminuição da produção agrícola;
- multiplicação do número de alertas da Organização Mundial de Saúde.
Nos últimos cinqüenta anos os números acima vem apresentando melhoria contínua e sistemática em praticamente todo o mundo, com exceções localizadas temporal e regionalmente, mas numa média positiva e de veracidade aplicável maioria dos países do mundo.
Se a primeira metade do século XX registrou eventos que devem ter feito os fundamentalistas de então lamberem os beiços, como a depressão econômica mundial, a gripe espanhola, as duas guerras mundiais e a bomba atômica, a segunda metade foi marcada mais por uma ameaça que nunca se cumpriu, a do holocausto nuclear, do que por tragédias comparáveis s dos dois primeiros quartis.
Na contra mão do que dizem, de lá pra cá a economia mundial cresceu, a produção agrícola aumentou, a vacinação e o saneamento básico erradicaram doenças epidêmicas e endêmicas e a terceira guerra mundial foi adiada por tempo indeterminado
Os que falam da AIDS se esquecem de dizer que não existem mais a Varíola e a Poliomielite, os que mostram cartazes de crianças africanas famintas omitem que a inanição epidêmica retrocedeu para milhões de pessoas na Índia e na China. Mesmo questões mais cotidianas, como o aumento da violência urbana, tem mais de um aspecto a ser explorado. Se a criminalidade aumentou no Rio de Janeiro e em Bogotá nas últimas décadas, ela diminui, e muito, em New York e em Roma.
Comparados com tempos passados, quando a Peste Negra ceifou a vida de um em cada três europeus ou quando Genghis Khan só deixava cinzas atrás do longo rastro de suas passagens, não temos tido tantos motivos para nos espantar, relativamente falando, como querem alguns.
O que mais me irrita na postura dos fundamentalistas é que se representarmos a Humanidade como um time, eles parecem estar sempre torcendo para os adversários, como se cada vez que marcássemos um gol eles dissessem que é só questão de tempo para perdermos o jogo.
Na torcida fundamentalista, a coisa funciona mais ou menos assim:
- Seca deixa milhões de famintos em Ruanda — “prepare-se: Jesus está voltando!”
- Epidemia de SARS se alastra pela Ásia — “Glória a Deus, Aleluia!”
- Terremoto mata centenas no México — “Vinde Senhor!”
Enquanto tem gente trabalhando para minorar os efeitos destes desastres, — já que o senhor Jesus não ajuda em absolutamente nada — os fundamentalistas ficam lá: contando os mortos e catando versículos no Apocalipse na esperança de que a coisa toda esteja suficientemente ruim para justificar suas esperanças.
Qualquer um que precise que as coisas fiquem muito ruins para ter suas esperanças justificadas, precisa urgentemente rever seus conceitos.
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